Dealbado o 13 de Agosto de 1961, berlinenses próximos da linha/fractura da cidade em duas partes despertaram com ruídos anómalos. Janelas abertas, viram milicianos uniformizados com o verde-russo da República Democrática da Alemanha que, acompanhados por patrulhas armadas, erguiam arame farpado, tijolos e cimento. As britadeiras e picaretas preparavam a argamassa. Muro de trinta e sete quilómetros numa zona residencial da cidade surgiu do nada. Mais tarde, alargado a 120km de espaço minado e vigiado.
Amargas as relações entre os vencedores da Segunda Guerra Mundial, Stalin optou por um bloqueio: encerradas rodovias de betão e carris com o vampiro a Oeste. Objectivo: expulsar os aliados do Ocidente como represália ao Plano Marshall e impedir a sangria de alemães para Berlim Ocidental - cerca de 3 milhões de pessoas, na maioria trabalhadores qualificados e intelectuais. Atrás do muro, o Portão de Brandburgo presenciou o crescimento do tenebroso Mauer. Muitos tentaram fugir apesar do compacto obstáculo: meio milhar de alemães orientais cruzaram-no, outros tantos foram capturados e 191 foram mortos durante a travessia.
No início dos anos oitenta, o descontentamento pelo início do colapso do sistema comunista agravou-se em Berlim. Coadjuvantes - imagens da televisão ocidental que a RDA tentou proibir; porém, a proximidade de fonte emissora tornava o sinal acessível a praticamente todo o país.
Hoje, a chanceler alemã, Angela Merkel - que trabalhava como física em Berlim Oriental - acompanhada, entre outros, pelos Prémios Nobel da Paz Mikhail Gorbachov e Lech Walesa, percorrem o antigo traçado do muro. Representantes das quatro potências aliadas que dividiram Berlim são convidados especiais nas comemorações: presidentes de Rússia e França,o primeiro-ministro do Reino Unido e Hillary Clinton. Transformado em museu, o posto fronteiriço da Bornholmer Strasse foi o primeiro a abrir na noite de 9 de novembro de 1989. Milhares de cidadãos da Alemanha Oriental atravessaram-no na ânsia de conhecerem lado vetado durante quase três décadas.
A própria chanceler alemã cruzou o muro naquela noite por esse ponto e confessou ter comemoradp a queda com cerveja na casa de desconhecidos no sector ocidental da cidade.
Nota: informações anteriores e seguintes recolhidas em sítios avulsos.
“Os legados do Muro de Berlim estão também na sociedade alemã. Vinte anos passados, persiste a ideia dos alemães do leste serem de segunda classe e menos desenvolvidos economicamente.
Depois da unificação, muitos alemães orientais sofreram a arrogância e a insensibilidade dos seus compatriotas do oeste. Os termos pejorativos Wessi - abreviação da palavra alemã para ocidentais - e Ossi - abreviação de oridentais - tornaram-se o símbolo na cultura alemã das diferenças marcantes entre aqueles que haviam vivido 40 anos sob dois regimes opostos.
Heranças de memória, estilos de vida diferentes estão presentes no comportamento e na paisagem, principalmente de Berlim. As atitudes mudaram significativamente, mas serão necessárias duas ou três gerações para que a sombra do Muro seja esquecida de vez.."
CAFÉ DA MANHÃ
Adoçantes
Brasileiros
Peregrinando