Terça-feira, 10 de Março de 2015

TRETAS QUASE ESOTÉRICAS

Luis Castellanos Valui B.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Luis Castellanos

 

 

Chegaram dias cálidos e o amor rodopia «sem rei nem roque». A culpa é da anunciada primavera, dizem, conquanto o apogeu das euforias amorosas arribe lá mais para o verão. A culpa será então do Sol, da praia, do mar, dos corpos desnudos e das noites esticadas até ao amanhecer. Mas o denominador comum entre os arroubos primaveris e as tropelias estivais é a luz derramada sem a timidez dos outros ciclos.

 

 

 

Não fora a teima científica de tudo fazer hipótese a carecer de prova, e nem levaria mais longe esta arenga. A luz é o que é - feixe de fotões isentos de massa e prenhes de energia eletromagnética. Deslocam-se á velocidade que o respeitável Einstein declarou como limite, e são responsáveis, entre outras «minhoquices», pelo efeito fotoelétrico, fenómeno de muito arranjo, mais não seja pelas miraculosas portas que abrem ainda mal nos adivinham. Descrição pouco romântica e sem nada a ver com beijos e frissons eróticos.

 

 

 

Que a luz nos põe bem-dispostos e dá aos latinos genica extrovertida que surripia aos nórdicos, sabemos. Distribui energia positiva, é tónico para a saúde física e psíquica. Parece provado que dias ensolarados e tépidos expandem a afetividade e fazem de nós anjos batendo asas em voo direto ao paraíso dos múltiplos prazeres. Razão da luz ser olhada como adubo emotivo. Logo, fertilizante da paixão. Logo, réu no tribunal interior em que movem ações punitivas os desiludidos a quem a derradeira maré vaza levou o devaneio estival. O recente grande(?) amor. O estupor que mostrou ser depois (a ênfase dramática dá majestade a finais medíocres).

 

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

 

publicado por Maria Brojo às 08:00
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Quarta-feira, 29 de Janeiro de 2014

A SETA DO TEMPO

 

   

Autor que foi impossível identificar                      "The Room of Time"                                                   Bryan Larsen

 

É conhecido o aforismo de Santo Agostinho: «Se não me perguntarem o que é o tempo, então eu sei o que é o tempo; mas se me perguntarem o que é o tempo, então eu não sei o que é o tempo.» E há quem investigue o tempo e dele não se farte, querendo saber mais. Descrevem-no como tempo dinâmico, um tempo onde o futuro é radicalmente diferente do passado no melhor e no pior.

Para Einstein o que era o tempo? Uma «ilusão, ainda que persistente», afirmou. Assim é. Para quem na ciência faz vida, a distinção entre passado, presente e futuro é ilusão teimosa. Não há mecânica, e nem importa se clássica ou quântica, capaz de orientar a seta do tempo. Ele existe, determinado, sem que sejam conhecidos o como e o porquê. E se permite que o meçam, continua, matreiro, a escorrer por entre os dedos.

Em que ficamos? Existe ou não tempo? Olhando para frivolidades como as propostas dos criadores de moda duas vezes ao ano, para seriedades como a progressão de valores, hábitos e conhecimentos, o tempo é já passado no momento julgado atual. Porém, existem marcos impressivos, em particular e mais do que todos, as experiências radicais do nascimento e da morte. Nascemos e morremos. Como a Terra, o Sol e a Galáxia no sentido em que, apesar de inanimados, um dia nasceram e noutro irão «morrer».

Talvez seja chegado o tempo de novas alianças, antes estabelecidas, algumas renegadas na história dos homens. Enlaçar, em harmonia, as sociedades, os respetivos saberes e a aventura da natureza. Até ao fim do tempo. O nosso.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 08:41
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Quinta-feira, 28 de Março de 2013

DICIONÁRIO «BUÁ-PORTUGUÊS»

 

Graham Mckean

 

Observando o nosso povo, arrisco: já somos velhos no primeiro «buá-buá». Houvera dicionário «buá-português» e dos recém-nascidos o choro seria lamento – “que não, que não podia ser, que estavam tão bem aninhados no útero, era direito adquirido desde a conceção, não tinham sido avisados do aluguer a prazo do lugar, e era injusto, ou lá se era!, verem-se obrigados a, dolorosamente, encher de ar os pulmões.

 

No estado adulto e na essência, as lamúrias, não diferem – somos infelizes ou desafortunados pela incompetência do poder político, pelo sobranceiro domínio do dinheiro (quem diz dinheiro diz petróleo ou água num qualquer amanhã). Pouco mais que traças sem agasalho para esmoerem. Sociedade que ignora a justiça, é cruel e arrivista. Só para os graúdos no «ter» a vida é rosa bebé. Nem para esses, vendo bem: uns esmifrados pelo crescimento dos lucros, sem tempo para a família, para eles, para fruírem dos milhões acumulados, enrolados em affairs de carne ou iates ou de contas bancárias que lhes deem a precária ilusão de vivos numa vida amortalhada. Faltam génios como alguns de outrora: um Newton, Churchill, um Mahatma Gandhi, um Einstein, um Eisenhower, Aristides de Sousa Mendes. Inventivos. Corajosos. Determinados.

 

E há fatia de verdade no reduto da insatisfação. Que não é de hoje - sempre houve e existirá. Fado? Sim por ser natural no pensar humano a ânsia por melhor. Louvável por negar o espírito contentinho no pensar e exigir. Não por que as sociedades são dialéticas e se renovam. Não por nos faltar distanciamento imprescindível para ler os acontecimentos numa perspetiva conjuntural. Não por serem indistintos nos seis mil milhões de terrestres os motores de arranque das mudanças geniais e as hordas de boas-vontades solidárias. E quando os vemos despontar, depressa tentamos aniquilá-los com clichés: lunáticos, excêntricos, incumpridores na peneira do fisco, social ou moral.

 

Quantos anos de cadáver corroído por biliões de vermes são precisos para atribuir genialidade a quem, na atualidade, a possui?

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 07:58
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Sexta-feira, 28 de Dezembro de 2012

PRINCÍPIO DA INCERTEZA

 

Jan Bollaert

 

Também o que deu nome à trilogia da Agustina Bessa-Luís. Princípio da Incerteza – não é possível prever com rigor o comportamento de uma micropartícula. Lembro as teorias da Relatividade - energia e massa como semelhantes na essência, espaço e tempo interligados. Apelo à Mecânica Quântica – a matéria é em simultâneo onda e partícula. Os eletrões e outras partículas subatómicas dançando em harmonia com os átomos, estes com os ajuntamentos que constroem (as moléculas) e com os planetas que pulsam ao ritmo do sol e, com ele, do cosmos.

 

A biologia prova a coreografia perfeita do universo – o sémen que ascende ao óvulo, a circulação sanguínea, os ciclos menstruais harmonizados entre mulheres que durante algum tempo permanecem juntas, a sincronia do coração e do respirar. Até os relógios de Huygens acabaram por oscilar em simultâneo e ignorarem o descarto inicial. Os saltos precisos do átomo de césio de um nível energético para outro definem, nos relógios atómicos, a unidade de tempo (SI – Sistema Internacional de Unidades). Erro de compasso inferior a um segundo em vinte milhões de anos. A matéria – viva ou não – bailando ao mesmo ritmo. Caos síncrono, irrepetível, organizado por formulação matemática. Determinista. Passado, presente e futuro como resultado da imparável e sussurrada comunicação matemática e física e química entre partículas.

 

Jan Bollaert

 

Einstein e as pontas da teoria unificadora dos campos – zonas do espaço onde forças gravíticas, elétricas ou magnéticas confluem. Visionário, louco, excêntrico segundo contemporâneos. Genial pela intuição lógica e suporte científico. As vidas encaradas como perspetivas individuais duma realidade única. Julgadas distintas pelos humanos não o sendo enquanto são. Espectadores de um palco que pensam cheio e onde impera o vazio.

 

Poema budista completa:

Vazia e calma e livre de si

É a natureza das coisas.

Nenhum ser individual

Na realidade existe.

 

Não há fim nem princípio,

Nem meio.

Tudo é ilusão,

Como numa visão ou num sonho.”

 

Texto publicado aqui.

 

CAFÉ DA MANHÃ


publicado por Maria Brojo às 11:02
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Sábado, 15 de Dezembro de 2012

UM SOL POR MÊS

 

Henri Michaux

 

Viagem acompanhada pelo mistério de Henri Michaux no “Estou a escrever-te dum país distante”. Título e começo do poema. Lugar omisso. Propício ao inventar do eu e da ela que dialogam. Na publicação da Hiena Editora, o mérito de texto bilingue e o traduzir criativo do Aníbal Fernandes. As ilustrações de Joaquim Bravo, uma por poema - nunca cópias do traço de Michaux -, achegam-no, todavia, à memória.

 

 

Leitura feita nos primórdios do caminho literário adulto. Vibrei. Palavras houve gravadas no inconsciente a remeterem para nostalgia de aventura oculta jamais vivida - “Só temos aqui, diz ela, um sol por mês, e por pouco tempo. Dias antes já se esfregam os olhos. Mas em vão. Tempo inexorável. Só quando lhe dá o sol, aparece.”

 

Milhões de palavras depois, restaram junto a outras também impressivas. Outono findava na ocasião da primeira leitura. Voltaram nos Dezembros como este, como todos em que a luz decai sempre cedo. Releria o livro soma ou fracionado a pedido do sentir. Nos entardeceres prematuros, mal o sol se desvanece no longe coberto por nuvens malva polvilhadas ou não com cinza, lembro: “Tempo inexorável. Só quando lhe dá o sol, aparece.” Arriba a convicção de arredar tristezas como lareira espevitada em contraponto com a pobreza de lâmpadas de 100W ou equivalentes.

 

Acerca de Henri Michaux, escritor, pintor, realizador dum filme sobre as drogas que o consumiam, mais diz qualquer Wiki. Frase iniciática numa delas: “Explorou o eu interior e o sofrimento humano através de sonhos, fantasias e experiências com drogas.” Para os leitores, alucinogénios são os poemas. Com eles percorrem desconhecido e conhecido ao natural ou mascarado. Reinventam luzes, a perceção do tempo que desde o nascer todos altera. Como poema matemático de Einstein na Física.

 

Nota: texto publicado há instantes aqui.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 09:29
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Quinta-feira, 20 de Outubro de 2011

COMO A TERRA, O SOL, A GALÁXIA

Autor que foi impossível identificar

 

É conhecido o aforismo de Santo Agostinho: «Se não me perguntarem o que é o tempo, então eu sei o que é o tempo; mas se me perguntarem o que é o tempo, então eu não sei o que é o tempo.» E há quem investigue o tempo e dele não se farte, querendo saber mais. Descrevem-no como tempo dinâmico, um tempo onde o futuro é radicalmente diferente do passado n o melhor e no pior.

Para Einstein o que era o tempo? Uma «ilusão, ainda que persistente», afirmou. Assim é. Para quem na ciência faz vida, a distinção entre passado, presente e futuro é ilusão teimosa. Não há mecânica, e nem importa se clássica ou quântica, capaz de orientar a seta do tempo. Ele existe, determinado, sem que sejam conhecidos o como e o porquê. E se permite que o meçam, continua, matreiro, a escorrer por entre os dedos.

Em que ficamos? Existe ou não tempo? Olhando para as propostas dos criadores de moda a cada estação, para a progressão de valores, hábitos e conhecimentos, o tempo é já passado no momento julgado actual. Porém, existem marcos impressivos, em particular e mais do que todos, as experiências radicais do nascimento e da morte. Nascemos e morremos. Como a Terra, o Sol e a galáxia no sentido em que, apesar de inanimados, um dia nasceram e noutro irão «morrer».

Talvez seja chegado o tempo de novas alianças, antes estabelecidas, algumas renegadas na história dos homens. Enlaçar, em harmonia, as sociedades, os seus saberes e a aventura da natureza. Até ao fim do tempo. O nosso.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

Sugestão de She.

 

publicado por Maria Brojo às 08:24
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mariabrojo@gmail.com

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