Sábado, 18 de Abril de 2015

“Ó TIO, Ó TIO”

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Fabian Perez

 

 

“Os padeiros não têm massa.

 

 

Os padres já não comem como abades.

 

 

Os relojoeiros andam com a barriga a dar horas.

 

 

Os talhantes estão feitos ao bife.

 

 

Os criadores de galinhas estão depenados.

 

 

Os pescadores andam a ver navios.

 

 

Os vendedores de carapau estão tesos.

 

 

Os vendedores de caranguejo veem a vida a andar para trás.

 

 

Os desinfestadores estão piores que uma barata.

 

 

Os cardiologistas estão num aperto.

 

 

Os coveiros vivem pela hora da morte.

 

 

Os sapateiros estão com a pedra no sapato.

 

 

Os fabricantes de cerveja perderam o seu ar imperial.

 

 

Os cabeleireiros arrancam os cabelos.

 

 

Os futebolistas baixam a bolinha.

 

 

Os jardineiros engolem sapos.

 

 

As sapatarias não conseguem descalçar a bota.

 

 

Os sinaleiros estão de mãos a abanar.

 

 

Os golfistas não batem bem da bola.

 

 

Os fabricantes de fios estão de mãos atadas.

 

 

Os coxos já não vivem com uma perna às costas.

 

 

Os cavaleiros perdem as estribeiras.

 

 

Os pedreiros trepam pelas paredes.

 

 

Os alfaiates viram as casacas.

 

 

Os almocreves prendem o  burro.

 

 

Os pianistas batem na mesma tecla.

 

 

Os pastores procuram o bode expiatório.

 

 

Os pintores carregam nas tintas.

 

 

Os agricultores confundem alhos com bugalhos.

 

 

Os lenhadores não dão galho.

 

 

Os domadores andam maus como as cobras.

 

 

As costureiras não acertam as agulhas.

 

 

Os barbeiros têm as barbas de molho.

 

 

Os aviadores caem das nuvens.

 

 

Os bebés choram sobre o leite derramado.

 

 

Os olivicultores andam com os azeites.

 

 

Os oftalmologistas fazem vista grossa.

 

 

Os veterinários protestam até que a vaca tussa.

 

 

Os alveitares pensam na morte da bezerra.

 

 

As cozinheiras não têm papas na língua.

 

 

Os trefiladores vão aos arames.

 

 

Os sobrinhos andam "Ó tio, ó tio".

 

 

Os elefantes andam de trombas.”

 

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

 

publicado por Maria Brojo às 08:00
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Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2012

NEBLINA MESSIÂNICA, SALVO SEJA

 

Fabian Perez e Maguire

 

Acordou com a famosa de Honoré de Balzac: “É tão absurdo dizer que um homem não pode amar a mesma mulher toda a vida, quanto dizer que um violinista precisa de diversos violinos para tocar a mesma música.” Nublada pela falta da cafeína, deu-lhe, no todo, razão.

 

Mais lúcida, problema: o som dum Stradivarius Messias temperado pelo salgueiro, acabado com cinzas vulcânicas na mistela do verniz, lograria o violinista preferir instrumento diferente? E se fabricante de vão de escada o tentasse com violino menos homogéneo, mas, ainda assim, convincente pelo vibrar e radiar do som?

 

Conhecida a influência dos séculos idos e frios na dureza das árvores, a madeira extraída hoje amaciou. Menos dureza em proporcionalidade direta com vibração inferior? Extrapolando: humanos de hoje, apesar da longevidade aumentada, menos consistentes na rijeza?

 

Largou especulações e foi-se ao arrumo doméstico. De soslaio, não voltasse ao mesmo, olhava as madeiras na casa. Negando o propósito, tateou-as. Pareciam resistentes excetuando a mulher - neblina messiânica persistiu em toldá-la.

 

Nota: texto publicado aqui. Agradeço ao "Curioso" a lembrança do segundo vídeo.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 08:31
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Sábado, 28 de Janeiro de 2012

AMORES ACIDENTAIS

Julianna

 

No começo, adrenalina do novo, da descoberta dum ser, do caldo fervente que mistura emoções revisitadas, talvez esquecidas, talvez alojadas no canto dentro julgado com ferrolho cuja chave o tempo perdeu. Num momento inesperado - é quase sempre assim! – a chave está na mão que toca outra, no olhar silencioso que subverte o instante e conduz arrepio à pele e torna ébrio o sentir. E os seres misturam emoção com amor, amor com paixão, paixão com vida toda. Cantam almas e corpos até de dois ser feito um. Continuam a folia traduzida no brilho dos olhos, juram, convictos, o ‘para sempre’.

 

Inexoráveis, sucedem horas e dias e meses, anos, quiçá. Sorrateiramente, espia a rotina no seu jeito de borracha dos sentimentos que vai substituindo o desenho inicial por um deslavado de intensidade. Mas fica a posse, as palavras, gestos repetidos sem porquê salvo terem o outro como sentido de vida à maneira de seguro que garante cobertura de estragos se os dias entortarem. Sobrevém o cansaço com capote largo a encobri-lo. É redito o amor por um ou por ambos. Mas não – somente acata o pagar do seguro.

 

CAFÉ DA MANHÃ  

 

publicado por Maria Brojo às 10:40
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Terça-feira, 6 de Setembro de 2011

GARDÉNIAS PARA TI

Madison Moore, Fabian Perez, M. Collier

 

Nunca soube dançar o tango com os adequados requebros e aventurosos passos. Arremedo - mais não faço. Mas gostava de o saber bailar. De me sentir envolvida em abraço forte que conduzir saiba. De percorrer o soalho harmonizada com o acordeão, as violas, as guitarras, as vozes dolentes gravadas em disco ou vindas de orquestra improvisada. Mas não sei os mistérios desta arte/sedução.

 

Dia a mais, inscrevo-me nos “Alunos de Apolo” sendo necessária a burocracia. Ou apareço, espreito os bons dançarinos e requeiro ensinamento daquele que aceda em aturar-me. Talvez consiga. Talvez me vicie no balanceio. Talvez não prescinda deste exercício outro que os ginásios esquecem. E eu, a mulher curiosa, baterá tacões na madeira, curvará a coluna sob o parceiro mandador, ensaiará riscos do corpo, deleitar-se-á com a novidade que a faz vibrar.

 

Vestido colado à pele que denuncie imperfeições dos músculos na dança, roda ao fundo para que as pernas sejam livres e avancem e retrocedam e encaixem nas do parceiro/professor. Gardénia que prenda o cabelo solto escorrendo costas abaixo. Gardénia no tornozelo direito tapando o botão onde a tira do sapato cola à perna. Então, ao chegares, saberás porque aprendi e, mesmo na ignorância do advir, sempre dancei para ti.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 10:16
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Quinta-feira, 11 de Agosto de 2011

QUEIXUMES DE MULHERZINHA? _ NEM UM POUCO!

Fabian Perez

 

Não me lembro da última vez que me maquilhei. Há três semanas, as unhas luziam com verniz, as mãos tiveram direito a massagem com creme, a pele do rosto tonificada à noite. O cabelo, infeliz, já nem deve recordar-se da máscara hidratante no final de escorrido o champô. Sobre pés e pernas devia ter vergonha - nem um pingo me aflige! - tantos são os arranhões por culpa de tojos e silvas, os hematomas por pancadas inadvertidas na pressa – vício que não desminto – de tudo fazer sem delongas.

 

Soando o clarim interior ainda o dia mal se espojou, começam rodopios na casa, de cima para baixo e seu contrário. O carrito anda num virote tal que nem faz sesta ou adormece na garagem; vale a latada do jardim que o abriga com a vantagem do portão da frente permitir maior ligeireza nas manobras. Desgraçadamente sujo, mais parece chapéu de pobre o que, de resto, anda próximo da verdade, merecendo, contudo, ser promovido a viatura de bombeiro pelos bons serviços nas urgências de recados e abastecimentos.

 

Ocasião para misturar óleos e preencher tela? Nem uma! Leitura apenas na cama enquanto o sono hesita ou em curto intervalo no pós prandiial em que é satisfeita a gula do corpo inteiro por Sol. E o reforço ‘inteiro’ traduz a mais límpida das verdades. Abençoada privacidade que liberta do inútil a pele…

 

Quem julgar queixumes de mulherzinha mal habituada o atrás contado, pois fique ciente de saborear a preceito cada pedacinho desta parte das férias. Chegam os demasiados meses em que arrebiques são precisos e algum tempo sobra para frivolidades. Neste lugar dos meus encantos que, uma vez ao ano, aproxima amores vivos, distantes, e protege raízes sólidas e ancestrais do psiquismo, respiro estar bem.

 

Aqui fica intenção que, por não ser de 1 de Janeiro sem ainda se ter despedido a ressaca das “Festas”, é para cumprir assim continue a ter amanhãs: _ Voltar e voltar, mês a mês.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 08:18
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Sexta-feira, 22 de Julho de 2011

DOS LUTOS, O CELEBRAR

Fabian Perez

 

Ao almoço de amigas, faltaram duas, também pertença do núcleo duro que, há décadas, formavam. Idades próximas. Eram quatro a fruir do encontro. Adiaram os pedidos, debicaram entradas originais ou não fosse o dono um gastrónomo exigente – da cozinha tradicional  portuguesa, colhia ideias para culinária de fusão. Enquanto comiscavam, a conversa fluía. No início, alegre partilha de novidades, muitas da família e todas próprias de quem há algum tempo não se via. Depois, notícias familiares ora boas traduzidas em imagens felizes, ora preocupantes se a saúde periclitava.

 

Da Mariana ouviram o choque sentido ao saber a mãe com Alzheimer. Havia suspeita pelos indícios do comportamento, mas, no momento em que o neurologista, discretamente não fosse a mãe entender, estabeleceu o diagnóstico, fugiu-lhe o chão. Manteve a compostura por razão idêntica à do especialista, acrescida de amor e sofrimento indizível. Contou a dor, o reagir trémulo, a incapacidade de afastar do cérebro o repetido pensar no estado de quem a dera para a luz.

 

A Isabel deu conta do idêntico mal da mãe. Desolador o quadro que ela acompanhava momento a momento. Sendo Alzheimer doença que, felizmente, não causa sofrimento ao doente, mas sim a quem, de perto, assiste à progressão, a Isabel deixara de ter um instante disponível para ela, fosse dia, fosse noite. Devagar, aceitara o desmoronar psíquico da mulher outrora diligente, sensata, dedicada à família sempre. Internada, havia uma semana, no hospital por maleita outra não diagnosticada. Mais do íntimo descreveu a Isabel: o sentir-se em falta ao arredar o pé do quarto, a necessidade de acompanhar a mãe e entender-lhe o possível.  

 

Ontem, morreu a Dona Vitória. O negrume cobriu família e as seis amigas que privaram com a senhora anos a fio. Fazer o luto das lembranças da mulher por todas gostada, é quebra dum ciclo. Algumas partidas experimentaram aquelas mulheres - nunca o hábito se instala, nunca as almas deixam de sangrar, conquanto o tempo suavize o esvair. E se qualquer luto é penoso, seja pelo divórcio ou por um tempo sem regresso, nenhum é comparado aos que transformam em anjos pais, filhos e companheiros.

 

Mas novo almoço ficou marcado. Há que celebrar as benesses dos que ficam, desfiar memórias que honram esta partida, o tempo de viver.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 11:35
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Segunda-feira, 12 de Julho de 2010

DO ‘DON’ À COCEIRA

Fabian Perez e Amanda Jackson

 

Em terras espanholas, recuso-me a falar ‘portunhol’. Os autóctones são madraços no entender de línguas estranhas e fazem-no com orgulho – quem aqui entrar que se amanhe. Ora, sendo eu a exportadora de euros, por entendê-los com esforço mínimo, porque o português é facilmente percebido se o interlocutor, dito irmão ibérico, quiser, remeto-me à inflexibilidade. Não ignoro que se lhes enrola a língua ao falarem «estrangeiro», mas, ‘abóbora’ (bem à portuguesa)!, o problema é deles. Que treinem de pequeninos, que se apurem, que se arranjem pela condição de precisados do metal que, por modo diferente da Física, faz rodar o mundo. Além do mais, ficam mal nos registos pelo obtuso linguajar, em inglês como exemplo.

 

Não sendo admiradora entusiasta dos espanhóis – historicamente ludibriaram-nos vezes demais - reconheço-lhes méritos fugidos dos lusos: culturais, preservação da imagem do país, orgulho nacional. Alinho por ordem crescente de simpatia os idiomas palrados: castelhano, catalão, basco e galego. Palrar em vez de falar pelo volume e intensidade do débito – quem já viajou em ambiente confinado e rodeada deles, sabe as penas infligidas.

 

Ontem, foi a diferença: retorci-me pela vitória da Espanha. De algum modo também por homenagem aos nossos parceiros na Jangada de Pedra à deriva que Saramago, para sempre, legou ao imaginário. E foi alegremente que vi as beijocas da Rainha e as medalhas e a Taça levantada por encarnados e amarelos e, antes, as palavras do Don Vicente del Bosque, conquanto me façam cócegas tantos Dons. Elaborando, na proporção, talvez menos do que os nossos Doutores. E se o uso a esmo deste título me causa patriótica coceira! 

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

publicado por Maria Brojo às 10:40
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continuo a espera de voltar a ler-te
decidi ontem voltar a ser blogger, decidi voltar a...
Autor que não foi possível identificar: Andrew Atr...
De férias , para sempre. Fechou a loja... :-(
Curta as férias querida...Beijos
ABANDONODAVID MOURÃO FERREIRAPor teu livre pensame...
Ainda?Isso aí no Inverno é gelado ;-)
Como a Noite é Longa!Como a noite é longa! Toda a ...
vc e muito gostosa que ti comer

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