Sexta-feira, 11 de Abril de 2014

‘PEGA-MONSTROS’

  

Mati Klarwein – Barcelo Family(1995)                                                                Mati Klarwein – Schulte Family(1989)

 

Desde que o ‘pega-monstros’ chamado crise nos agarrou, menos divórcios dão entrada nos tribunais e notários. Explicações, muitas. Algumas: se o rendimento mensal de dois não chega para dividir contas, um ainda menos; processos que envolvam advogados e custas estão fora do alcance da vasta maioria das bolsas conjugais; casais/amantes cujo afeto sólido mais ordena reforçam a ligação neste tempo medíocre em benesses - preocupações bastam as bastantes e acrescer outra é como sardinha a mais na carga de quadrúpede asinino. Assim sendo, as conjugalidades vão-se arrastando, ficando, quiçá, fortalecidos elos nos casais, mais pródiga a maré da vontade de solucionar desavenças – se tem que ser, que seja o melhor possível.

 

Talvez finda a saison do fast food, uma sopa bem confecionada alimenta saudavelmente várias bocas e é mais barata, do fast sex, obriga a jantarinhos, copos, preservativos e rendas telefónicas, do fast life, ‘pede agora, paga depois’. Historicamente, em tempos recessivos há evolução social. Que a mais-valia da cola dos sentimentos positivos traga às famílias entendimentos novos e harmonias reais.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 09:42
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Segunda-feira, 24 de Junho de 2013

DESASTRES CULINÁRIOS DA MARIA REDIMIDOS PELA QUÍMICA

 

Mati Klarwein

 

Aos vinte anos exatos, era menina/mulher que inaugurava no cenário do casamento o papel de senhora dona de casa. A mãe e demais matriarcas haviam curado de preparar a única descendente nas artes domésticas por via do ver fazer (aulas teórico-práticas): como escolher e dobrar turcos, lençóis e demais roupa branca, como tirar nódoas difíceis (as manchas de «ferrugem» nos linhos eram as piores). As aulas práticas ficavam por conta da Lúcia que enfronhava a jovem na cozinha. Ora, a pequena mais interessada em leituras, pintura e nos estudos, cedo deu provas de total inépcia para a função. Mandada lavar batatas enquanto a Lúcia estendia roupa por categorias e pudor – cuecas e sutiãs do mulherio da casa de férias requeriam discrição adequada -, no regresso, veio encontrar a adolescente de escova de dentes em punho escarafunchando cada pedacinho dos tubérculos. Distinguir água fervente aprendeu em laboratório, e aproximado o casamento era suposto intensificar lições. Retorquia inevitavelmente que se dava conta dos protocolos laboratoriais na faculdade, semelhante aconteceria no seguir das receitas familiares organizadas em livro de cozinha que forrara a pano. Assim chegou ao estado adulto. Porém, briosa como era e após falhanços culinários notáveis mantidos incógnitos, ao celebrar um mês de casada, convidou os pais a virem de Coimbra para jantar que confecionaria: entradas, bacalhau espiritual, salada de couve coração e ‘bavaroise’. Entrou na cozinha com horas de antecedência. Tudo correu de feição até ao momento de ligar o forno a gás. Leu as instruções e a chama surgiu. Enfiou o pirex e, distraída com a preparação da couve, nem deu pelo finar da chama no forno. Conhecedora do perigo do gás orgânico em fuga, dominou eficazmente a situação. O pior era o gás absorvido pelo prato de substância. Deitou-o para o lixo e confecionou outro. Retomou a couve. Já na panela, teimava num verde desconsolado. Lembrou o «bicrabonato de sódio» como dizia a Lúcia. Do bicarbonato, uma pitada na cozedura. Nada de cor vibrante. Química como era, pensou:

_ Se com um sal alcalino não consigo, adicionando ácido fraco, o acético do vinagre, a coisa compõe-se.

Pensado e feito. Surpreendentemente, a couve ficou lilás. Mais bicarbonato. Couve amarelada. Mais vinagre. Couve roxa. O aspeto não era mau, o sabor exótico. Salada de falsa couve roxa fez sucesso durante a conversa animada sob o crepitar das velas, o espanto dos pais e do marido.

 

Afinal, o que fez a Maria à couve? _ Utilizou os princípios do equilíbrio ácido/base fazendo-o deslocar ora no sentido direto, ora no sentido inverso.

Sabendo que um ácido, segundo Arrhenius, produz em solução aquosa iões hidrogénio (H+) e uma base, também em solução aquosa, forma iões hidróxido (OH-), dá-se o equilíbrio aqui descrito na forma simplificada:

 

H+ (aq) + OH- (aq) ↔H2O (l)

 

Possuindo a água quimicamente pura pH (potencial hidrogeniónico/capacidade de libertar iões H+) igual a sete, está garantida a neutralidade. Ácida e alcalina (básica) em simultâneo através da neutralização:

 

H2O (l) + H2O (l) ↔ OH-(aq) + H3O+(aq)

 

O hidrogenião H3O+ surge pela pequenez do átomo de hidrogénio, o menor de todos os elementos químicos, que cedeu um eletrão para outra substância. Pelas forças elétricas geradas com a molécula da água, por exemplo, associa-se e é gerado o H3O+.

 

(...)

 

Nota: texto integral aqui.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 10:50
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Quarta-feira, 5 de Junho de 2013

DA VOX POPULI AOS ARROTOS GASTADORES

 

Mati Klarwein

 

Vox populi difunde que o Verão próximo será o mais frio dos últimos duzentos anos, intervalado por picos de quarenta e tais graus Celsius. Nos últimos dias, lugares da Índia sofreram os horrores de brasa climática atingidos que foram os cinquenta e tais. No atrasado pouco distante, o Brasil sofreu o mesmo. Por aqui, penámos com Inverno pingão e céu plúmbeo, Primavera irascível que ora traz neve e encerra estradas de montanha, ora surpreende com dias de braseiro.

 

Tantas desfeitas temos sofrido que a raiva atmosférica ao acrescer mais uma é como sardinha extra a desequilibrar a pesada carga do burro. Melhor refletindo, talvez os céus tenham vindo em auxílio da bolsa vazia dos portugueses – com chuva e frio não apetece sair do espaço doméstico, adiados Algarves e companhia, praia somente a que estiver ao alcance de fuga rápida levantado seja o inferno dos ventos ou das neblinas geladas. Economia em portagens, gasolina, na compra de calçado e trapos estivais.

 

Que regressem os piqueniques familiares, caseiras aventuras gastronómicas, que se imponha a vontade de peregrinar em museus e parques, de ler novidades literárias ou reler espólio abandonado nas estantes, que o cinema em casa ocupe o devido lugar, que festivais com entrada livre não passem ao lado da atenção.

 

Não ter mais olhos do que barriga é pedagogia benéfica. Decorre fruição de lazeres simples em vez de arrotos gastadores.    

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

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Quinta-feira, 21 de Junho de 2012

«PAPELUCHO» COM NÚMERO

Mati Klarwein (Angel Athens)

 

‘Loja do Cidadão’ nas Laranjeiras. Junho frio, solstício de Verão, pelas sete e meia da manhã, obrigava a tremer pelo frio candidatos alinhados por dezenas de metros na rua. Uma hora de espera até as postas se abrirem e ser recolhido o almejado «papelucho» com número garante de atendimento na Segurança Social. Na véspera, pela onze da manhã, os serviços da instituição rejeitaram mais «clientes» para o dia. Madruguei e insisti. Etnias misturadas; dois funcionários ao dispor dos ‘Não Prioritários’. Um para bengalas e carrinhos de bebé. Assentos insuficientes disputados um a um sem respeito pelos levantados por segundos com o fim de certificarem a senha ao luzir dígitos no ecrã. Vergonha burocrata que encolhe os cidadãos.

 

Saí do balcão cimeiro pelo começo da tarde. Embrumada por borrascas inesperadas. Feias e tristes como a atmosfera prenunciando o sentido. Não direi perversa por serem humanos e não ajuntamentos de vapor de água a exprimirem sentimentos.

 

CAFÉ DA TARDE

 

publicado por Maria Brojo às 18:14
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Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2012

UMA PONTE PERTO DEMAIS

Mati Klarwein, Philip Castle, Olbinski

 

Bijutaria - pequena obra feita com perfeição e destinada a enfeite ou adorno. Do francês bijou. O dicionário não se alarga, mas qualquer mulher diria mais. Adornar é o pretendido, mas são a cor e o frívolo a enfeitiçarem. Missangas, pedra, osso, flores, conchas e plumas, tudo serve na certeza da originalidade e pormenor fashion. Basicamente, acessório certeiro a par da fenda na saia ou do botão despejado da casa, pode ser arma poderosa que Patton não renegaria ou estratégia mais avassaladora que a blitzkrieg.

Camisa entreaberta, e lenço curto de algodão rematando o pescoço, sugerem resistência partisan, emboscada, esperança na França Livre. Colar de pérolas recortado no colo despido pelo decote de um tailleur, é batalha de Stalingrado - início de capitulação. De quem?

Jeans justos alcandorados em saltos, sem colar ou brincos étnicos, ficam tão desprotegidos como o Afrikakorps de Rommel. Já os rasgos de duvidoso gosto nas honestas gangas, são kamikases (espatifam o requinte sem apelo nem agravo). É certo que o recheio dos jeans é tão decisivo quanto o talento do Montgomery. E é simples: –existe ou não! Quando as curvas traseiras rematam pernas longas coladas ao tecido, lembram resposta ao ataque japonês à base havaiana de Pearl Harbor: declaração de guerra ao Eixo. Masculino, entenda-se.

As que pecam por excesso nos enfeites, se por um lado lembram abeto natalício tão decepcionante como um capilé morno ou chapéu de palha em Fevereiro, por outro são rés quotidianas do julgamento «nuremberguiano» das suas pares. E mais rigorosa do que mulher não amiga a julgar outra desconheço! Do que afirmo sou exemplo.

CAFÉ DA MANHÃ

 

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Segunda-feira, 9 de Janeiro de 2012

‘PEGA-MONSTROS’

Mati Klarwein

 

Desde que o ‘pega-monstros’ chamado crise nos afundou, menos divórcios dão entrada nos tribunais e notários. Explicações, muitas. Algumas: se o rendimento mensal de dois não chega para dividir contas, um ainda menos; processos que envolvam advogados e custas estão fora do alcance da vasta maioria das bolsas conjugais; casais/amantes cujo afecto sólido mais ordena reforçam a ligação neste tempo medíocre em benesses; preocupações bastam as bastantes e acrescer outra é como sardinha a mais na carga de quadrúpede asinino. Assim sendo, as conjugalidades vão-se arrastando, ficando, quiçá, fortalecidos elos nos casais, mais pródiga a maré da vontade de solucionar desavenças – se tem que ser, que seja o melhor possível.

 

Parece terminada a saison do fast food, uma sopa bem confeccionada alimenta saudavelmente várias bocas e é mais barata, fast sex, obriga a jantarinhos, copos, preservativos e rendas telefónicas, do fast life, ‘pede agora, paga depois’. Historicamente, em tempos recessivos há evolução social. Que a mais-valia da cola dos sentimentos positivos traga às famílias entendimentos novos e harmonia real.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

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Quarta-feira, 20 de Julho de 2011

“VAI UM ABRAÇO?”

Mati Klarwein

 

A ideia surgiu em 2004. Um jovem habitante de Londres regressou à Austrália onde nascera. Em Sidney, assolaram-no desgostos: divórcio dos pais, doença grave da avó, rompimento com a namorada. Não optou por um copo para esquecer e outro para o caminho ou qualquer outra alienação para suavizar mágoas - antes preferiu estreitar relações com os próximos. Viria a receber duma desconhecida abraço espontâneo e caloroso. De tal modo o gesto o sensibilizou, que decidiu distribuir abraços na Pitt Mall Street. Juan Mann, nome que adoptou devido à pronúncia inglesa ‘one man’, postado sempre no mesmo lugar e nas quintas-feiras à tarde, abraçava passantes.

 

Fortuna do acaso, cruzou-se com Shimon Moore, vocalista da banda Sick Puppies que o filmou, bem como a tentativa policial de o impedir de abraçar quem consentia no gesto. Ao falecer a avó do ‘One Man’, Shimon, solidário, ofereceu-lhe e colocou no YouTube o vídeo que gravara, ‘Free Hugs’. A ideia correu mundo e muitas organizações a adoptaram. Hoje, nas Baixas de Lisboa e Porto, serão distribuídos abraços sorridentes por quem aderiu à iniciativa lançada no Facebook.

 

O poder de um gesto que transporta afecto solto mas genuíno é, por vezes, miraculoso neste tempo de frialdagem emocional e mau viver. Talvez o instante rompa quotidianos cinzentos. Talvez nasçam sorrisos. Talvez o regresso a casa seja mais esperançoso.

 

_ Vai um abraço?  

Conquanto já pródiga no riso e no toque, isto digo e direi, coração aberto, a todos que aqui ou nas relações familiares e sociais encontre, pressentindo necessidade de atitude calorosa. Mera cópia? _ Sim. E copiar não pode inovar quem o faz?

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

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Quarta-feira, 25 de Maio de 2011

A PROVA DO IMPROVÁVEL

Mati Klarwein

 

A Bélgica prova o improvável: desde há um ano, vive de modo relativamente tranquilo sem primeiro-ministro ao comando. Dedução imediatista: as redes políticas tradicionais são dispensáveis para os cidadãos ainda que repartidos por regiões e línguas – flamengo, francês e o minoritário alemão. As estruturas hierárquicas funcionam por si próprias, uma vez que Sua Majestade, o rei, apenas acumula postura decorativa com funções extremamente limitadas de Chefe de Estado. Não pinta, nem manda no essencial.

 

Todavia, a realidade vai além. Na ausência de entendimento entre os partidos mais votados para formação de governo, por tal omissas reformas internas, a dívida belga cresce sem parança – o terceiro país mais endividado da Europa, ocupando a Grécia lugar cimeiro. Maçada que aos belgas aflige sem que o quotidiano reflicta angústia existencial.

 

Lembrando ter a Bélgica participado de modo determinante na fundação da Europa Unida e nela hospedar sede da Comunidade, adivinho sinal que preside ao futuro dos vinte e sete e à organização política do mundo. Sem bola de cristal é tentador deduzir que estando o Reino Unido nas lonas, a Alemanha em desnorte eleitoral, a Itália entalada em dívidas vultuosas, a França como é sabido, ou o Durão se revela duro de roer e engendra arca de Noé que a Europa salve do naufrágio, ou, caso contrário, o mundo económico-financeiro como o conhecemos desaparece num ápice. Alguns dos centros poderosos deslocar-se-ão para outros países/leme: China, Japão, quiçá a Austrália no hemisfério Sul. O Brasil, a continuar o deslumbre pelo acesso fácil ao dinheiro de plástico, não tarda, regredirá - os europeus fizeram o mesmo e deu no que deu.

 

Ciclo da humanidade a cujo dealbar assistimos. Talvez fim das democracias ocidentais, talvez princípio duma nova ordem mundial.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

Belgas, pois então!

 

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Sábado, 19 de Março de 2011

NUM DIA DE S. JOSÉ

 

Mati Klarwein

 

Homenageio os pais, em particular aqueles que, pelo divórcio ou conjunção da vida sofrem com o afastamento quotidiano dos filhos. É ido o julgar que enformou gerações de à mãe pertencer responsabilidade maior no desenvolvimento da criança. Na sociedade que temos, ninguém com nível mínimo de análise conceptual nega importância à figura masculina, consubstanciada no pai, ou quem dele pelo amor e dádiva faça a vez, essencial para o ser humano evoluir harmonioso.

Perante os filhos, às mulheres compete respeitar e valorizar o homem que num momento de amor ou de união entre corpos gerou. Quando a fuga às responsabilidades paternas não é facto, e mesmo nesta situação, haja bom senso da mãe ao referir-se ao pai dos seus filhos. Disseminar injúrias corrói os íntimos afectuosos das crianças – crescer num mar de ódio entre os pais, ambos amados, é agressão imerecida. Em famílias ditas ‘normais’, a super-protecção das crianças pela figura materna e exercício da autoridade pela figura paternal é erro crasso de que somos também culpadas – o leite da tradição corre-nos nas veias e ninguém dele beneficia. Mais digo: as mães que assim exercitam o seu amor pelos filhos comprometem da família o bem-estar e o futuro, esquecendo a sensibilidade à injustiça das crianças e as consequências do repetido desgaste da imagem do pai. Cedo ou tarde, chegará o dia em que o erro bem intencionado(?), erro porém, será pago com dolorosos juros.

Vão difíceis os dias para a família - ansiedades, cansaço, dificuldades condicionam o comportamento que os pais têm por ideal. Importa a humildade no reconhecimento de ser feito o possível via diálogo e exemplo. Sem culpas ou frustrações, vivamos os afectos maiores com paz, alegria e verdade.

Aos pais que escrevem no SPNI desejo vivência feliz com os filhos.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

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Domingo, 16 de Janeiro de 2011

BEIJO DE MULATA

Mati Klarwein, Henry Lee Battle

 

Beijos sempre são. Confirmam amores, inauguram conhecimento pelo aflorar da face, uma atracção que do olhar foi além. Falam e contam de quem os partilha em mistura antecipada dos corpos e suas bocas. Crismam intimidades nascentes como acertadas ou equívocos e, dum modo ou doutro, concebem lembrança que num inesperado momento regressa. Talvez sorriso pintado de nostalgia acompanhe a volta do instante passado, a memória de veludo. Talvez o beijo convoque tristeza ácida se mágoas vieram depois. Mas, ainda assim, certo foi o começo iludido, a expectativa, o arrepio do novo, a fragrância desconhecida, a embriaguez que anulou o deslizar do tempo. Pode viver-se com muitas privações; sem beijos, não.

 

O Abelaira falava no Bosque Harmonioso de muitos beijos e bocas. Cristóvão Borralho por uma enfeitiçado haveria de, feito louco, ir de continente em continente para a reencontrar. Deu com ela, sim, muitos anos depois. A emoção da experiência prima veio intocada. Cessou a busca. Cumpriu o destino escolhido.

 

E se, como escreveu Gedeão, lágrima de preta está isenta de “… sinais de negro, nem vestígios de ódio. Água (quase tudo) e cloreto de sódio.”, já a beijo de mulata encerra mistérios. Germina, selvagem, nalguns quintais de Moçambique. Floresce em rosa ou lilás. Dons medicinais caracterizam-na. Misturada com folhas e ervas seleccionadas, dá provas de combater eficazmente doenças oportunistas do HIV. Hábeis nesta farmacopeia tradicional, curandeiros sábios logram êxito onde a farmácia tradicional falha. Milagres do beijo de mulata que na região de Nampula acontecem.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

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Sábado, 11 de Dezembro de 2010

VIRÚS MALVADO E ANDARILHO

Mati Klarwein

 

Iniciativa da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal. Patrocínio da Presidência da República. Campanha lançada ontem no Casino Estoril. Presença destacada: Cavaco e Silva. Declarou-se envergonhado pela fome que grassa país fora, nos meios urbanos em particular. Objectivo da campanha: entregar sobras dos restaurantes aos mais carenciados. Alimentos convenientemente embalados em caixas térmicas sob a supervisão da ASAE. Posteriormente entregues a instituições de acolhimento a carenciados, cada dia mais, cada dia mais envergonhados. Já tiveram quotidiano estável, mas o desemprego, o sobreendividamento ditaram (des)arrumo das vidas. Algumas paróquias, desde há meses, organizam lanches-ajantarados, ditos convívios, não se amesquinhe e fique ausente este novo grupo de pobres.

 

Vozes sindicais denunciaram o ‘inglês ver’ do anunciado ontem: _ empresa multinacional aderente à iniciativa, pune severamente funcionária de uma cantina por levar restos para casa onde quatro filhos a esperam. Sendo os contratos precários, despedimento à espreita, mínimo o salário ou pouco além disso, a incoerência evidencia-se.

 

Porque todas as ajudas são bem-vindas quando a fome prolifera como vírus andarilho contaminando famílias, porque as crianças são elo frágil nesta cadeia doentia sem vacina no horizonte, aplaudo, cautelosamente é certo: _ a corrupção existe e a ingenuidade social adquire contornos de crime/pecado contra a humanidade. E se a ASAE, vez primeira, zela a qualidade dos alimentos depois entregues, inspira simpatia o alargar das competências definidas. Vigilância e multas e são necessárias estando em risco a saúde pública; todavia, não impedem o roncar dos estômagos vazios.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

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Quinta-feira, 16 de Setembro de 2010

«PÊS» PARA PARRAS P'RÓS PLASTRÕES PLÁSTICOS

 

Mati Klarwein

 

Dos textos publicados é acusação recorrente não passarem de cópias assentes em fontes não registadas. Não o sendo, que sejam - mais tenho para fazer do que rejeitar, justificando, asperezas especulativas. Para contento do clã acusatório, com gozo, um Copy&Siga (termo aprendido com o Pirata-Vermelho) enviado, há meses, sem lembrar por quem. Teimosa, decifrei, neste instante, a origem: Paulo Simões Mendes, querido e talentoso Amigo.

 

"Pedro Paulo Pereira Pinto, pequeno pintor Português, pintava portas, paredes, portais. Porém, pediu para parar porque preferia pintar panfletos. Partindo para Piracicaba, pintou prateleiras para progredir.


Posteriormente, partiu para Pirapora. Pernoitando, prosseguiu para Paranavaí, pois pretendia praticar pinturas para pessoas pobres. Porém, pouco praticou, porque padre Paulo pediu para pintar panelas. Posteriormente, pintou pratos para pagar promessas. Pálido, porém personalizado, preferiu partir para Portugal para pedir permissão para permanecer praticando pinturas. Preferiu Paris.

 

Partindo para Paris, passou pelos Pirinéus para pintá-los. Pareciam plácidos; porém, pesaroso, percebeu penhascos pedregosos, preferindo pintá-los parcialmente, pois perigosas pedras pareciam precipitar-se, principalmente pelo Pico - pastores passavam pelas picadas para pedirem pousada, provocando provavelmente pequenas perfurações, pois percorriam, permanentemente, possantes potrancas.

 

Pisando Paris, pediu permissão para pintar palácios pomposos, procurando pontos pitorescos - para pintar pobreza, precisaria percorrer pontos perigosos, pestilentos, perniciosos. Pedro Paulo preferiu precaver-se. Passou profunda privação. Pensava prosseguir pintando, porém, pretas previsões passavam pelo pensamento, provocando profundos pesares, principalmente por pretender partir prontamente para Portugal Pensou:

_ Povo previdente! Preciso partir para Portugal porque pedem para prestigiar patrícios, pintando principais portos portugueses.

 

Pisando Portugal, Pedro Paulo procurou pelos pais, porém pai Procópio partira para província. Pedindo provisões, prontamente partiu, pois precisava pedir permissão para pai Procópio para prosseguir praticando pinturas. Profundamente pálido, perfez percurso percorrido pelo pai.

 

Penetrou pelo portão principal. Procópio, puxando-o pelo pescoço. proferiu:

_ Pediste permissão para praticar pintura, porém, praticando, pintas pior. Primo Pinduca pintou perfeitamente prima Petúnia.
_ Porque pintas porcarias?

Proferiu Pedro Paulo:

 _ Pai, pinto porque permitistes, porém, preferindo, poderei procurar profissão própria para poder provar perseverança, pois pretendo permanecer por Portugal.

Procópio penetrou pelo patamar, Pedro Paulo preso pelo pulso. Procurando pelos pertences, partiu prontamente, pois pretendia pôr Pedro Paulo para praticar profissão. Perfeito:

_ Pedreiro!

Passando pela ponte precisaram pescar para poderem prosseguir peregrinando. Primeiro, pegaram peixes pequenos, porém, passando pouco prazo, pegaram pacus, piaus, piabas, piaparas, pirarucus. Partiram pela picada próxima, pois pretendiam pernoitar pertinho, para procurar, primeiro, primo Péricles. Pisando pedras pontudas, pai Procópio procurou Péricles, primo próximo, perfeito pedreiro profissional. Poucas palavras proferiram; porém, prometeu pagar pequena parcela para Péricles profissionalizar Pedro Paulo.

Primeiramente Pedro Paulo pegava pedras. Péricles pediu-lhe para pintar prédios, pois precisava pintores práticos. Particularmente, Pedro Paulo preferia pintar prédios. Pereceu pintando prédios para Péricles, pois precipitou-se pelas paredes pintadas. Pobre Pedro Paulo pereceu pintando...

E ainda há quem se ache fantástico ao dizer:

_'O Rato Roeu a Rica Roupa do Rei de Roma.'!"

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 08:32
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Sábado, 17 de Julho de 2010

QUOTAS, COPAS E DENTADURAS

Mati Klarwein 

 

Porque é manifesta a superioridade numérica de imagens femininas na pintura aqui publicada, surpreende não serem reclamadas quotas masculinas no SPNI. Ainda bem – seria cabo dos trabalhos hercúleos.

 

Ao deambular, virtualmente, pelas galerias de arte do mundo inteiro, a oferta é de cinquenta corpos de mulheres para um de homem. Os raros espécimes ou são santos ou clássicos ou associados a galerias em que o espírito gay domina. Denunciam-nos o contexto, poses importadas da penitente e teimosa musculação, genitais protuberantes na versão erecta, pendente, adormecida ou displicente. Tornar as imagens adequadas a qualquer blogue que não deixe cair a dentadura da avó impõe «corte» dos apêndices. O que resta assemelha-se a «segurança» da noite urbana com peitorais capazes de corar de inveja qualquer feminino «trinta e alguns/copa B».

Arrenego distracção da beleza que o corpo masculino pode ostentar; os artistas plásticos não descuram a estética sob qualquer forma. Logo, emerge razão da oferta desigual: obedece ao "vendável", em decorrência, às normas do consumo. O corpo feminino vende melhor. Curioso, quando o consumo está maioritariamente em ledas e tratadas mãos, sempre ágeis em sara-tristezas e celebra-euforias que envolvam uso de cartões e papel carimbado no Banco de Portugal. Decorre a presunção das mulheres se arranjarem para elas e para as outras mulheres. En passant, gostando o respectivo ou o avistado tanto melhor.

 

O Ajax limpa isto e mais aquilo atingiria cume de vendas insinuado por homem diligente como fado-do-lar, ou para eles fica o nosso desdém no gosto e apenas confiamos nas pares?

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 09:22
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Segunda-feira, 7 de Junho de 2010

DUAS C***S E UM C*****O

Mati Klarwein

 

Amigo mui querido e avisado que o vernáculo não teme disse:

_ Quando duas c***s têm um c*****o de permeio, adeus amizade entre as utentes.

Não acreditei. Tomei-o por ignorante dos saudáveis afectos femininos. Devo ter ironizado, atirar-lhe à cabeça pré-conceitos inerentes ao discurso. Lembro réplica humorada em que, again, a crédula fardada era eu. “Que te fiques nas convicções graníticas” foi pensar e dizer. Meu. Outros lhe conhecia nos dizeres relativos ao feminino que jamais experimentara no trajecto made in gineceu. Discordantes da prática e saberes pessoais sobre elos humanos da mulher escriba,  - acerca dos outros o conhecimento é sempre deficiente tal a riqueza de sentires variegados.

 

Homem que opta por uma de duas mulheres amigas/irmãs, está condenado a pomo de discórdia. A escolhida, também. A que rejeitou, igualmente. Não mesquinhas ao nível superior da consciência. Porém, vêm à tona primórdios do ser humano. Navegados em sinapses cerebrais e fluidos com milhões de anos de «estórias». A rivalidade das fêmeas e dos machos pelo(a) melhor povoador(a) seminal ou ovular não carece de provas porque caso de estudo transgeracional figurado nos compêndios.

 

Passem machos. Que sejam objectivados factos e remexidos inconscientes. Se na conta do deve e haver o saldo for positivo, subsistem intactas amizades. Registos diferentes nas partilhas inerentes aos diversos afectos têm nichos próprios. Altares de entendimento. Bulir alicerces sólidos sem pesar e medir o sobrevindo pode implicar património destruído por falta de sustento que à gravidade metafórica resista.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

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Exposição de Artes Plásticas - Conceito

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