Domingo, 8 de Maio de 2011

CÁBULAS DA MEMÓRIA

 

Pelo Sol, o apetite despertou, com o Sol parceiro foi cobiça peregrinação. Rumo: um dos corações da cidade que sobe e desce de colinas. Moura, ainda hoje, pela história, pelos vestígios inúmeros, pela dolência num domingo luminoso. Aguçado o desejo da partida, ficou esquecida no seu canto doméstico a câmara digital. Não sendo alternativa a do telemóvel, houve que comprar máquina descartável para os registos, cábulas da memória. 

 

 

Do meio para o início, o percurso. A proa da colina debruçada sobre o azul em fundo, o amarelo ronceiro no encarrilado caminho. Limita ruela muralha sustentada por aço, não se esboroe sobre o casario e sob o largo em cima. Outros carreiros, dizem-nos ruas que são, despontavam para o meio do dia. Vizinhas, uma do Castelo, outra na janela de Alfama, passadas janelas de tabuinhas, rivalizavam pertenças e saberes. Dizia a do Castelo: _ Danço melhor que ela. Olhe para este marchar de Avenida! Sabe que mais? Ainda melhor bailaria a “dos quatro joelhos”, fosse vivo o meu marido.

 

 

O atrevimento do enfeite desde o longe prometia surpresa. Descida apressada pela curiosidade. Aconteceu maravilha: grades e varandim bordado em curvas de ferro sobre a estrada do rio, a maior das que Lisboa partilha com bandas de lá que os de cá fruem do horizonte. 

 

 

Loucuras? Quem se esmera em flores e aves e joaninhas/cata-ventos e arco-íris e bandeiras triangulares que filtram relva e casario? Enredo, projecto ou imaginação frutuosa por detrás das múltiplas cores?

 

 

Sob telhados esconsos, bandeiras outras são peças de roupa esvoaçando quando brisa ou vento se levanta. A “União” continuará bondosa e sócia dos habitantes? Mas permanece a intenção na placa marmoreada. Portas cerradas na manhã de ócio dominical.

 

 

Já o Tejo estava à beira, e muda a arquitectura. Com arrojo, o Pombalino fadou a cidade – amplitude nas praças e avenidas, monumentalidade possível que a anterior - existia, coerente com os séculos ricos das descobertas? - à tragédia substituísse.  

 

 

E o azul e o lioz e outras pedras esculpidas e as águas-furtadas sob telha de canudos anunciam do coração baixio da cidade o palpitar.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 11:14
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