Domingo, 12 de Junho de 2011

OURO SOBRE AZUL

 

 

Ao chegar, riso fundo do sentir - o exterior sem graça nada augurava de bom. Entrando no abrigo por alguns dias, desfez-se riso mau e surgiu ambiente com gosto, simples, sem «vacalhices» de topo a fingir. Pousada a tralha, o terraço e a vista dele tomada foram apelo irresistível. Gostei. O mar próximo, exterior oscilando entre o “está a dar para bifes e espanholada”, portugueses raros. O mar ali tão cerca, dez minutos num carreiro selvagem que bem iam com o meu querer. O terraço dourado e azul permitiam olhares de mais e mais azuis. Sedução imediata. Estio fora, Primavera dentro das paredes.

 

 

No seguinte amanhecer, eram de ouro os verdes, a brancura arquitectada, turquesa o mar. Perdi-me na citadina ruralidade que não conhecia; o Portugal diverso no seu esplendor. E quem tiver por «bimbo» este achar que venha puro e limpo de achares preconceituosos. Que invente olhar de criança. Que absorva sem morder.

 

 

No resguardo, ambiente de marinheiro, de viajante tornado de viagem longa por muitos mares. Os panos de algodão riscado, a cadeira de realizador repetindo o tecido, os candeeiros de navio, o apoio e seus latões. Branca a colcha de puro algodão.

 

 

Parecem escotilhas de camarotes de terceira que, ainda assim, já vislumbram águas e luar nelas traçando estrada. Mas não: litografias de caravelas e espelho meando extremos. Cabeceira de madeira lisa, lacada em azul, cavilhas douradas. A serigrafia que nós marinheiros reproduz, o baú dos mapas onde «X» aponta o tesouro das pepitas e jóias mil.

 

 

O carreiro sinuoso deu volta a palmeira encanecida, desembocou em escadaria onde dois não cabem, até abrir o pano do cenário esperado. Falésias impetuosas arriscando o mar. Arenito simulando rocha, vegetação que na secura sobrevive. Já os degraus iam a meio, surgem os amarelos e brancos, as espreguiçadeiras costumadas, os para-vento copiando tons – respeitam privacidade e brisas desencaminhadas, fortes. 

 

 

Passado o Forte, metros além, na praia dos pescadores, a faina e um sorriso. As redes. Homens do mar desfiam artefactos, discutem como dar, a preceito, a «salvação». Pelo sol, imagens tremidas de embarcações não constam da homenagem aos valentes com rosto curtido que desafiam o Atlântico e dele fazem modo de vida. Até um dia, até sempre se a fortuna o quiser.

 

 

Na véspera do Santo padroeiro de Lisboa, sardinhas pequenas, iguaria sem defeito. Batatas à algarvia cuja receita intuí e irei repetir, pimentos encarnados pré-cozidos, depois, assados. Fáceis de digerir, informou, entre o piar das gaivotas, a excelente anfitriã dona do lugar. Música no ar. Felicidade com nome e sítio no mapa.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 08:45
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