Quarta-feira, 15 de Junho de 2011

À ESPERA DO UNUNÓCTIO

Autores que não foi possível identificar

 

Metais alcalinos - hidrogénio (falso membro salvo o único electão de valência), sódio, potássio, rubídio, césio, frâncio; halogéneos - flúor, cloro, bromo, iodo, astatínio; gases raros - hélio, néon, árgon, crípton, xénon, rádon. São estas as cantilenas mais desfiadas pelos alunos de Química. Bem pode o professor argumentar que melhor do que a memória é o entendimento das localizações dos elementos na Tabela Periódica, que das cantilenas os estudantes não desistem. Mas a tabela possui autor e história, longa de contar por aqui. O essencial tem resumo: na primeira metade do dezanove, nascia no frio da Sibéria o génio Dimitri Mendeleev, o primeiro a relacionar detalhadamente as propriedades dos elementos químicos com as respectivas massas atómicas. Posteriormente aperfeiçoada a tabela que congeminou, havia de tornar-se o mais precioso instrumento de trabalho de quem estuda Química.

 

A organização do quadro é simples: os elementos estão dispostos por ordem crescente do seu número atómico, o mesmo é dizer, pelo número de protões que existem nos núcleos dos átomos. Sendo igual, átomos da mesma espécie, ou seja, do mesmo elemento; da diferença é concluído pertencerem a elementos outros. A paridade entre o número de protões (cargas positivas) e de electrões (cargas negativas) nos átomos neutros é responsável pelas propriedades quimicamente distintas dos elementos, espécies fundamentais que, sós ou combinadas, fazem parte do planeta e da atmosfera.

 

Da investigação laboratorial resultaram elementos artificiais que têm vindo a preencher lugares vagos da T.P. sitos após o urânio (Ur), o elemento 92, com a maior massa entre os naturais. É agora sabido que a União Internacional de Química Pura e Aplicada (UIQPA) decidiu integrar mais dois elementos: o 114 e o 116 baptizados, provisoriamente, como ununquádio (Uuq) e ununhéxio (Uuh). Descobertos há cerca de dez anos teve de ser feita prova de se tratarem realmente de novas espécies elementares e não produtos instáveis frutos de decomposições (decaimentos) radioactivos. Aguardam integração os 113, 115 e 118. Admitidos, a cantilena dos gases raros muda e termina com nome difícil: ununóctio.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 10:03
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4 comentários:
De c a 18 de Junho de 2011
a aludida paridade deixa a humanidade química baralhada...
será mesmo ela que, em átomos neutos (?) é responsável pelas propriedades (químicas?) dos elementos?
não parece nada bem parida a questão... ;-)
De Maria Brojo a 19 de Junho de 2011
C. - tem razão quanto às dúvidas suscitadas pela frase. Simplicidade em ciência é, frequentemente, inimiga do rigor. Porém, a verdade obriga a realçar que a referida 'paridade' determina as propriedades de cada elemento químico. Não existindo, falamos de espécies iónicas declaradamente diferentes nas características químicas e respectivos comportamentos reactivos.
De c a 19 de Junho de 2011
às malvas a simplicidade se não traduz a verdade... o que seria da humanidade se todas as (complexas) verdades científicas fossem ludibriadas pela simplicidade... antes ignorante (assumido) que ignaro (convencido).
será que a tal paridade (em termos simplistas) equivale apenas ao estado normal de cada elemento livre?

a seu respeito veja-se a interessante crónica

http://super.abril.com.br/ciencia/teoria-une-energia-eletrica-magnetica-nuclear-charme-atomos-espelho-440096.shtml

«O charme dos átomos no espelho
A natureza faz curiosa distinção entre um fenômeno e sua imagem refletida - essa descoberta levou à teoria que soma, num só pacote de equações, a energia elétrica, magnética e nuclear.
por Flávio Dieguez

Este ano será lembrado por alguns dos maiores físicos vivos como um momento de satisfação pelo encerramento de um trabalho de gigantes. E não é para menos, pois em 1991 se obtiveram as provas de que é possível compreender, como um único fenômeno, duas formas aparentemente muito diversas de energia: a nuclear e a elétrica. Foi preciso meio século de trabalho e o esforço de quase uma centena de cientistas, entre os mais criativos da profissão, para que tal identidade viesse à tona. Em retrospectiva, é difícil decidir o que mais delicia e ilumina o espírito — se são as paisagens inéditas descortinadas no mundo físico, ou as próprias personagens que as desbravaram.
...»

A paridade vem a seguir e vale a pena ler o resto ;-)
De Maria Brojo a 19 de Junho de 2011
C. - lerei de seguida.

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