Segunda-feira, 4 de Julho de 2011

SOBRE ESPINHAS CURVADAS

 

Judith Forrest, Lisa Fittipaldi – Lisbon

 

Semana que começo na ignorância dos realces informativos dos últimos dias. Vai sendo hábito quando situações importantes se agigantam. Há que vivê-las, resolvê-las ou, no mínimo atendê-las. No tempo de fruição que resta, escasso, entre os prazeres comuns observar quem passa ao redor, os gestos anódinos de gente anónima. Ler o visível, fantasiar o invisível. Tomar consciência dum povo cujos ancestrais foram pobres, transmitiram em herança pobreza suavizada nalguns casos, noutros a mesma que os afligiu. A conformação, a capacidade de sofrimento, a desesperança. E dói que gente boa viva com o fito único de trabalhar, de levar alimento para casa, sem que alguma largueza alivie quotidiano sofrido.

 

Ideio que tudo está ao contrário: _ trabalhar para viver com dignidade, sim, não o inverso. Mas é neste último paradigma que por cá e noutros mui desventurados cantos pobres do mundo as pessoas desfazem os dias. Interiormente, desmoronam-se pela injustiça de estruturas desmioladas que as têm governado, distraídas da equidade social como decisivo factor de paz. E olhares embaciados mereciam reflectir luz, erectas as espinhas curvadas pelos desmandos dos mandadores.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

publicado por Maria Brojo às 09:27
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10 comentários:
De jotaeme a 4 de Julho de 2011 às 13:01
OLá Teresa! Brilhante descrição do que é o Portugal de hoje! Sensibilidade para poder(mos) ver o quanto sofre este povo, com os seus sonhos a serem constantemente adiados pela má governação dos nossos politicos e não só! Os da Europa Liberal mercantilista tb. Para onde vamos?
Um bom dia pata Ti!
Jorge
De Maria Brojo a 4 de Julho de 2011 às 14:11
Jotaeme - obrigada pela compreensão amiga. Saudades de lhe sentir a leitura íntima do que rabisco.
De Do Nilo e do Tejo a 4 de Julho de 2011 às 13:10
Pois é Tereza C...

http://youtu.be/DeU1V69FXTQ
De Maria Brojo a 4 de Julho de 2011 às 14:16
Do Nilo e do Tejo - já ficou como tesouro. Uma qualquer manhã é CAFÉ não de máquina, mas honesto café de saco em chávena grande.
De Perseu a 4 de Julho de 2011 às 17:54

Será maldição,usando uma linguagem metalo/mecânica,de um povo fabrticado com um aço de má tempera que o obriga a vergar a mola?

Desculpe a frase fora dos canoes da intelectualidade.
De Perseu a 4 de Julho de 2011 às 22:10
Quiz escrever FABRICADO e CANONES.

Fará o favor de me desculpar.



De Maria Brojo a 6 de Julho de 2011 às 14:15
Perseu - não existem intelectualidades, mas pensares vários. O seu valeu. Obrigada.
De She a 5 de Julho de 2011 às 11:52
A coluna nunca se curva quando o trabalho é digno, ainda que os outros o vejam como desprestigiante, muito pelo contrário...
De Perseu a 5 de Julho de 2011 às 16:46

O Homem deve estar sempre de pé diante dos outros Homens,em todas as circunstâncias,curvado só perante Deus!
De Maria Brojo a 6 de Julho de 2011 às 14:16
She - acordo pleno.

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