Terça-feira, 5 de Julho de 2011

DE SUPETÃO, VIOLÊNCIA

Autores que não foi possível identificar

 

Onda meditabunda. Quando o Presidente alerta para repartição de sacrifícios por todas as camadas sociais, é conveniente prestar atenção porque inusitado o apelo da convencionada direita poderosa. No substrato do discurso, consta pavor das revoltas porque, via cortes nos miseráveis rendimentos, tragicamente atingidos os mexilhões do costume. Que estes incendeiem a amorfia usual. Que os remendos na bancarrota sublevem bivalves/pessoas, até agora pacificamente alojadas em rochas banhadas por marés tranquilas que, de supetão, cresceram para violentas.

 

Nos alicerces dos temores, considero sensato quem não julga despiciendo prezar a consciência do ser - menos que o desejado pelo atávico «deixa-andar» de mais de meio século para cá. Todavia, convém manter presente que o âmago das pessoas aspira a momentos felizes essencialmente vividos entre afectos no colo das famílias. Quando a penúria desespera pai e mãe, os filhos por acréscimo, quando impossíveis alienações pontuais como no tempo do ‘toma lá cartão, dá-nos férias na República Dominicana, a dívida será tratada depois’, quando o dia-a-dia é medíocre e o amor que uniu o casal é memória vaga, o presente feito de desilusão entope com ruído a melodia dos afectos e torna penoso o viver. A semente da revolta tem por motivo próximo a instabilidade económica; por razão profunda o bicho da solidão afectiva experimentada na família.

 

Mesmo quando, semanalmente, as revistas cor-de-rosa iludiam mágoas, o Euromilhões fornecia esperança precária, as férias/dívidas sublinhavam vinte e quatro sobre vinte e quatro horas a degradação amorosa, os 'bens do parecer' comprados a prestações disfarçavam a porca miséria emocional. Agora, nem isso. Sem adoptar a condição de Velho do Restelo, julgo provável a revolta dos indivíduos que, somada à de milhares, abale a estrutura podre do país/pulmão sem remédio nem xarope que sare a tuberculose mortal de que padece.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

Cortesia do Cão do Nilo.

 

publicado por Maria Brojo às 09:39
link | Veneno ou Açúcar? | favorito
5 comentários:
De Perseu a 5 de Julho de 2011
Claro que não existe nesta sua reflexão nenhum indicio do pensamento so homem do Restelo.
Existe sim a constatação de de um povo com quasi mil anos de história e que vislumbrou,ilusóriamente,o fim dessa pobreza.
Alguem disse que estão reunidas as condições para uma convulsão social sem paralelo na história da Europa.
Pois que assim seja! A europa,tal como a conhecemos hoje,está em fase terminal.
Mil olhos oblíquos espreitam.
O império do Ocidente empobreceu,os amerindios aguardam.
De Maria Brojo a 6 de Julho de 2011
Perseu - visão profunda e pragmática. É dela que precisa o povo e o país.
De Do Tejo e do Nilo a 5 de Julho de 2011
Tereza C:
não lhe conhecia a" veia" da Ciência Política...
Gostei e muito...
Parabéns pela forma e pelo conteúdo.

O link abaixo tem subtítulos em castelhano mas não se pôde melhor arranjar...

http://youtu.be/KX82sXKwaMg
De Cao a 5 de Julho de 2011
Ou com subtítulos em Inglês...

http://youtu.be/qKpxPo-lInk
De Maria Brojo a 6 de Julho de 2011
Do Tejo e do Nilo - nada sei da Ciência Política. Com quem sabe aprendi o básico. No resto, é o meu pensar simples.

Vi atentamente. A propósito. Obrigada

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