Quarta-feira, 24 de Agosto de 2011

"LA PIEL DEL TAMBOR"

Jack Beal

 

Não apetece largar a cantoria dos grilos nem o Outono anunciado de subtis maneiras. Os primeiros indícios surgem no cobre das videiras, nas folhas que caem pelo tempo de vida cumprido, nos entardeceres a pedirem malha leve que proteja as costas, no corado dos pêssegos, nas nozes cuja carapaça, antes verde e lisa, engelha agora.

 

Por fechar a totalidade das portadas, breve passeio ao Café Arcadas, quase à despedida de Gouveia para quem sobe a Estrada da Serra. Esplanada e interior silenciosos que o Tó Zé e a mulher, Maria Helena, atendem. Ambos licenciados em Inglês, ele em Inglaterra, ela em Viseu, após terem decidido, já casal e pensando em filhos, não ser Londres cidade adequada para a serenidade que requer aumento da família. Regressaram a Gouveia, construíram moradia e, por circunstâncias várias, abriram no espaço inferior lugar tranquilo.

 

Nos dias serranos, pelas cinco horas, ocupava ali, a mesa mais recôndita, após duche e banho de sol num terraço escondido de olhares. Continuava leituras, a última do Arturo Pérez-Reverte, La Piel del Tambor, que não interrompe fascínio pelo talento, semântica e léxico. O castelhano bem servido encanta, como qualquer língua cuja ligação das palavras escritas seja genial.

 

Na despedida, ainda que por semanas curtas, das encostas da Estrela, a ruptura deve ser lenta. Pneus em movimento, para trás a Dona Ventura estendendo turcos e lençóis usados em último, janelas abertas para que a ventilação condicionada não abafasse dos pinhais e dos eucaliptos os aromas. Marcha lenta, dedicada ao entreter da memória com sítios e alturas conhecidas. Somente na A1 os 140/160 foram precisos, nuvens prometendo chuva copiosa. Seguindo à frente delas, enxuta a chegada.

 

Lisboa, cidade triste, sem oferta de distâncias onde o olhar se recreie até centena de quilómetros. O apartamento/gaiola postado em sossego e negrume – gelosias cerradas, verdes implorando luz e presença que chegou sem vontade ou graça. La Piel del Tambor e a mulher foram continuidade.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 12:47
link | Veneno ou Açúcar? | favorito
3 comentários:
De António a 24 de Agosto de 2011
para a boa ligação, a boa dimensão, que tal mais uma boa leitura - "A tábua de Flandres", et pour cause! - Reverteana?




ps - e sim, Lisboa tem também os seus infinitos, no azul infindo ao olhar o céu nos mais altos moinhos, noutros e movediços azuis a olhar o horizonte a poente da memória, partida e descoberta, ou nos olhares derramados, surpreendidos e absortos de quem olha a Graça e sobre ela vê ilimitadas histórias e amores
De Veneno C. a 24 de Agosto de 2011
Rápida viragem, viva a reconversão!

O que parece contar mais terá a ver com solidão sombria, rotina desgraçada, vida esvaziada, chuva enxuta.

Poderá ser uma espécie de "alma vendida ao diabo"?

http://www.youtube.com/watch?v=CHAYV4M3dwo
De Cao do Guadalqivir a 26 de Agosto de 2011
Hoje pela Piel del Tambor sou cao de rios outros
Ainda do Arturo no olvidar de leer:
1- Con ganas de ofender
2- Territorio Comanche
3-El Asedio
4- La reina del Sur
etc. etc...

Musca baseada na "La reina del sur


http://youtu.be/-rztU3nZVtQ

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