Segunda-feira, 26 de Setembro de 2011

MANUAL PREVENTIVO

Jan Bollaert

 

Quem se dispõe a restaurar casas antigas em que pesam décadas com portadas encerradas, vazias de humanos, recheada de bicharada de todos os tamanhos abaixo dalguns, poucos, centímetros, como decorre da medida isenta de rataria, depara-se com outras ratices e ratarias. Aprender a lidar com estas é mais difícil do que colocar, estrategicamente, ratoeiras com isco. Para mulher sem ardis à altura não é pêra doce. Vale que após um mês, sendo menos lerda do que eu dou-lhe uma semana, aprende a descodificar o dito pelos «artistas» imprescindíveis às reparações estabelecidas. Apanhando mulher que presumem e acertam como rudimentar nos saberes que dominam, é “um ver se te avias”. E já se aviaram dois até agora. A mais será árdua a tarefa de endrominarem porque perdida a inocência original; agora, pelo menos, sabe comparar a qualidade dos materiais nos orçamentos, opta por paga à hora em trabalhos determinados, empreitada em situações que a justificam. Escolhe a dedo os candidatos pelas referências fidedignas, pela conversa, pontualidade na entrevista e no dia aprazado para início da obra.

 

À custa dos erros cometidos, atingiu alguma competência. Deixou de se fiar em telefonemas/promessas, no “é para hoje e ligo à tarde” nunca concretizado, em orçamentos vagos e estapafúrdios, em especialistas que só armam tenda de empecilhos traduzidos em despesa exacerbada, que dão marretadas indevidas destruindo o são e engendrado novo motivo para intervir. Perante o estrago atribuído à velhice do material que não aguentou a pancada, têm resposta afiada pelo treino: _ “Não se preocupe que disto há muito; ficará melhor e mais fiável que antes.” Pois é, não fora nova linha na factura justificada pela astúcia que a proprietária adivinha. Daí, aquando da primeira visita, zelar pelo pertence ao ver ferramenta pesada e desnecessária próxima ou nas mãos artífices. Antecipa o gesto/perigo e frisa: apenas pretendo que avalie, pois da solidez estou informada (fotografar o antes dá arranjo) - o conhecimento buscou-o através de sabedores próximos com generosidade bastante para aturarem perguntas imbecis.

 

A mulher, eu, reuniu, finalmente, equipa de trabalho de quem gosta e a gosta. Paga justa, tratamento respeitoso e compreensivo. Por ora, voltou ao espírito naturalmente confiante que a caracteriza. O “pé atrás” em relação aos outros incomoda-a. Não é assim na matriz, violenta-a suspeição sistemática, quiçá injusta!, de alheios.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 08:52
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4 comentários:
De c a 26 de Setembro de 2011
no título (e no íntimo?) falta um termo fundamental: amador ;-)

o lidar demasiado com o o virtual e a ficção tem as suas desvantajens: a realidade é menos obediente e submissa

se registar todas as despesas e incómodos e riscos vai verificar, tardiamente, que o método de abordagem (no séc. xxi) já não é esse, mesmo que queira tirar partido da crise

incomoda a frase 'de quem gosta e a gosta': saberá o que é uma 'equipa de trabalho'? ou grupo disponível...

veja lá se precisa de seguro...

http://www.youtube.com/watch?v=XfEj3tIhT6A
De c a 27 de Setembro de 2011
volto para corrigir desvantagens pois estava para escrever desvantajoso...

aproveitando para considerar que as 'mãos artífices' parecem artificiais...

http://www.youtube.com/watch?v=pgLpktFtJTc
De Anónimo a 27 de Setembro de 2011
Comentário apagado.
De c a 27 de Setembro de 2011
então aí vai... desfazendo a duplicação ;-)

http://www.youtube.com/watch?v=LPTyqCk8nS0

http://www.youtube.com/watch?v=p4HACt_TqD4

e aproveitando a 'inspiração' ;-)

I once lived the life of a millionaire
Spending my money I didn't care
Always taking my friends out for a good time
Buying champagne, gin and wine
But just as soon as my dough got low
I couldn't find a friend, no place I go
If I ever get my hands on a dollar again
I'm gonna squeeze it, and squeeze it
Till the eagle grins

Nobody knows you when you're down and out
In your pocket, not one penny
And your friends, you haven't any
And as soon as you get on your feet again
Everybody is your long lost friend
[ Find more Lyrics at www.mp3lyrics.org/cGs ]
It's mighty strange, without a doubt, but
Nobody wants you when you're down and out

You know folks, I once had a mansion
Way up on the side of a hill
I'd give champagne and caviar parties
Just for fun and get a thrill
But you know things they just
can't stay like that forever
And now I can't muscle up enough money
To buy a shot of gin

But you know, if I ever get my
hands on a dollar again
I'm gonna squeeze it, and squeeze
it till the eagle grins
It's mighty strange, without a doubt
Nobody wants you
Nobody needs you
Nobody wants you when you're down and out

http://www.youtube.com/watch?v=MsrA2fMn0sk

e até a Carla alinhou...

http://www.youtube.com/watch?v=qkVkyeUbsKA
De EJSantos a 27 de Setembro de 2011
"Quem se dispõe a restaurar casas antigas em que pesam décadas com portadas encerradas..."
`
É preciso coragem! Boa sorte.

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