Sábado, 15 de Outubro de 2011

CARAPELHOS E MUITO MAIS

Richard Baxter

 

Nascida em localidade prosaica, fascinam-me nomes extraordinários dos sítios. Ainda pequenota, engraçava com a designação dos respectivos habitantes. Cabra, por exemplo, situada numa das margens cimeiras do Mondego; chamar «cabrões» aos que ali foram nados ou viviam não me parecia sensato. Mudança ajuizada, e a terra passou a Ribamondego, entrando tudo nos eixos.

De casos semelhantes está o país cheio. Cabrão e Cabrões resistem em Ponte de Lima e Santo Tirso, respectivamente. Ah valentes! «Vendas» há quatro: dos Pretos, das Raparigas, da Porca e das Pulgas. Vaginha, Vale da Rata e Vale de Mortos não desmerecem em originalidade. Punhete, para os lados de Valongo, Picha em Pedrógão e Purgatório são embaraço bastante paro os nativos que têm de o fazer constar. Cabeçudos, Bicha, Às Dez e Aliviada são decentes terras nortenhas. Decentes, mas um estorvo: Nascimento? Às Dez. Ou Aliviada. Ou Bicha. Configure-se, nestes casos, o fácies do burocrata de serviço e a reacção da fila que atrás aguarda, senha na mão e desespero no rosto - um pavor!

 

Teclas amigas informaram:” Bustos, Ancas e Mamarosa, formam o triângulo amoroso de Aveiro. Um pouco mais a Norte, a terra com menos letras de Portugal: um "U" e um "l" apenas: Ul, a escassos km de Oliveira de Azeméis. À entrada de uma bonita vila Alentejana, lia-se a placa "Manço". A população insurgiu-se por faltar o "s" no final - é que ali, não era só um, eram todos mansos, ou melhor, de Manços.” “Na EN 109, direcção Aveiro/Figueira da Foz, Carapellhos) é localidade.” E mais haveria para anotar, fosse profundo o conhecimento do país.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

Centenário do nascimento de Manuel da Fonseca.

 

publicado por Maria Brojo às 07:51
link do post | Veneno ou Açúcar? | favorito
12 comentários:
De c a 15 de Outubro de 2011 às 10:48
não é missal mas ajuda... ;-)

http://aeiou.visao.pt/as-terras-com-nomes-mais-estranhos-de-portugal=f558110
De Maria Brojo a 17 de Outubro de 2011 às 16:53
C. - ajudou sim.
De c a 15 de Outubro de 2011 às 11:13
nem cartilha... mas faz pensar

http://www.youtube.com/watch?v=AaH0OWICezE&feature=related

amanhã

http://www.youtube.com/watch?v=ms5nZFIXUwY
De she a 15 de Outubro de 2011 às 21:18
Teresa, as suas imagens são sempre certeiras, tirando outras de tempos de Babel :)
De Maria Brojo a 17 de Outubro de 2011 às 16:36
She - cheinha de razão ;)
De Silvério Manata a 16 de Outubro de 2011 às 23:11
Cara Senhora:
O meu nome é Silvério Manata e aproveito para lhe dar os parabéns pelo seu excelente blogue que tenho na minha lista de favoritos.
Sou natural e residente na localidade que refere como Carapalhos. Para que conste, cumpre-me informá-la que a citada aldeia se chama Carapelhos. A não ser a exactidão do nome, nada acrescenta ao mérito, ou falta dele, que o sítio possa ter. Para dele tomar conhecimento, apelo à sua salutar curiosidade pelas coisas da ruralidade. Vai ver que há-de valer a pena.
Com a maior consideração.
Silvério Manata.
De Maria Brojo a 17 de Outubro de 2011 às 16:39
Silvério Manata - grata pelos encómios e pela correcção.
De she a 17 de Outubro de 2011 às 01:26
ahahahahahaha! Este país é de ir às lágrimas- ainda gozavam alguns Africanos por se chamarem João Sabonete :)))
De Maria Brojo a 17 de Outubro de 2011 às 16:39
She - Bem visto!
De c a 17 de Outubro de 2011 às 03:33
há males que acabam bem ;-)

juro que há Carapalhos em Portugal (pelo menos numa acta de reunião de Câmara Municipal)

e que o gosto pelo rigor nos brindou com algo de grande sabor: em Carapelhos há bons nabos e apetitosos grelos

http://www.independentedecantanhede.com/jornal/index.php?option=com_content&task=view&id=579&Itemid=45

outra bela descoberta é que o ciclo das estações interfere com o ciclo das aparições e que talvez o cair das folhas faça lembrar os despidos Carapalhos e as peludas Ratas

http://sempenisneminveja.blogs.sapo.pt/871109.html

que tal a moenga, hein?

Moe mai e hine Sleep girl
i te moenga roa the long sleep
Raro i te rata beneath the rata tree
mokemoke a. alone.

Ma te Atua May God
koe e tiaki mai e. keep you.
Moe mai e hine Sleep girl
i te moenga roa. the long sleep.

http://www.youtube.com/watch?NR=1&v=ILK4DAU5f00

só é pena que a grande popularidade do SPNI tenha infetado a teia de Carapalhos e muito mais

para tentar limpar

E to matou Matua i te rangi
Kia tapu tou Ingoa
Kia tae mai tou rangatira-tanga.

Kia meatia tau e pai ai
ki runga ki te whenua,
kia rite ano ki to te rangi.

Our Parent in the spirit world
Sacred is your Name
Bring us Your Chiefly rule;

May it happen in the way that is to You, good;
may it happen on earth
in the same way as in spirit world.


Homai ki a matou aianei
he taro ma matou mo tenei ra.
Murua o matou hara
Me matou hoki e muru nei
i o te hunga8 e hara ana ki a matou.
Aua hoki matou e kawea kia whaka-waia;

Give us now
the food we need this day.
Strip us of our sins;
Give us back what we have lost;
so that we, the slaves of sin, may be with you again.
Do not lead us into temptation;


Engari whaka-orangia matou, i te kino:
Nou hoki te rangatira-tanga,
te kaha,
me te kororia,
Ake, ake, ake.
Amine.

May we be whole, away from things evil;
Through your chiefly position,
is the power
and the glory.

Forever and ever
Amen


http://www.youtube.com/watch?v=hwxVgeUD5l4

http://folksong.org.nz/e_to_matou_Matua/index.html
De Cão do Nilo a 17 de Outubro de 2011 às 08:27
E dizia o Manuel da Fonseca(há muitos quilos atrás) comendo a sua sopita num tasco ao cimo das escadinhas do Duque. A verdade meus amigos, a verdade.... é um prato de sopa...


Dona Abastança «A caridade é amor»
Proclama dona Abastança
Esposa do comendador
Senhor da alta finança.

Família necessitada
A boa senhora acode
Pouco a uns a outros nada
«Dar a todos não se pode.»

Já se deixa ver
Que não pode ser
Quem
O que tem
Dá a pedir vem.

O bem da bolsa lhes sai
E sai caro fazer o bem
Ela dá ele subtrai
Fazem como lhes convém
Ela aos pobres dá uns cobres
Ele incansável lá vai
Com o que tira a quem não tem
Fazendo mais e mais pobres.

Já se deixa ver
Que não pode ser
Dar
Sem ter
E ter sem tirar.

Todo o que milhões furtou
Sempre ao bem-fazer foi dado
Pouco custa a quem roubou
Dar pouco a quem foi roubado.

Oh engano sempre novo
De tão estranha caridade
Feita com dinheiro do povo
Ao povo desta cidade.

Manuel da Fonseca, in "Poemas para Adriano"
De Maria Brojo a 17 de Outubro de 2011 às 16:32
Cão do Nilo - adorei!

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