Sábado, 22 de Outubro de 2011

SENHORA/PUTA

Al Moore

 

Há muito tomou assento no lugares-comuns sociais a ideal combinação senhora/puta, respeitados que sejam os locais convencionados: a primeira à mesa, a segunda na cama. Ora, este é conceito tacanho, remetendo para o tempo das delicadas essências senhoris por oposição ao fedor encorpado na meretriz de rua. Hoje, olfacto e visão falham como juízes quando damas de aluguer adoptam postura de senhora. Ou o contrário para as misteriosas "belle de jour".

As putas genuínas, as que no trottoir têm lugar marcado ou andante, perderam algum do exotismo que lhes adivinha da boçalidade dos gestos e excentricidade do visual. Lêem, por ora, revistas cor-de-rosa, copiam as calças, cabelo, postura e maquilhagem da Cinha Jardim. Quem as vir tomará como certo que os lusos supermercados do sexo não descuram embalagens ou certificações. Problema: como no demais que é nosso, atamanca-se o fundamental por ausência de fundos ou pachorra ou incapacidade e apura-se a caiadela que o velho fará luzir como novo. Um despacho.

 

Desde há séculos, a moral hipócrita transmitida de geração em geração maldizia os apetites sensuais e o gozo do corpo. Mais grave na tabela dos pecados se feminino. Meninas educadas para a modéstia, castidade até ao casamento e, daí em diante, sempre com o objectivo da procriação. Importante: não esquecer Ave-Maria antes, Pai Nosso depois ou qualquer reza equivalente. Como fosse imolação.

Voltando às putas senhoras e às senhoras putas. Mulher que é mulher não confundiu educação e diploma académico com peça de enxoval. Ginasticou o intelecto, apurou polimento sem esquecer regar a lascívia no íntimo jardim dos prazeres. «Putices» ou não. E quando mulher assim caminha, inebriada pelos sensuais apelos dos canteiros onde frui delícias, não cuida de dissecar com pinça e bisturi a proveniência dos desvelos sexuais a que se entrega. Ondulando no desejo, os suspiros e a fala dura nos tais momentos de ascensão directa aos céus, serão, classicamente, impulsos de rameiras? Inerentes à mulher via herança da mãe natura? Degenerescência civilizacional? Aprendidos na feitura de delicados bordados em ‘ponto pé de flor’ é que não.

 

Nota: devo aos colaboradores Veneno C., Acuçar C. e Cão do Nilo os três vídeos sobre o assassinato de Muammar Abu Minyar al-Gaddafi publicados hoje no 'Café da Manhã' de ontem.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

Sugestão de Veneno C.

 

publicado por Maria Brojo às 07:12
link | Veneno ou Açúcar? | favorito
14 comentários:
De she a 23 de Outubro de 2011
Que se saiba, a putice devasta o território desde as ruas aos palacetes, desde o corpo à consciência tudo se vende, tudo rende, nada se perde, é um país muito lavoisieriano. E enquanto as do Cão do Nilo pagam impostos à Rainha, os/as de cá vergam o corpinho nos sofás e secretátrias de gabinetes, enquanto se empoeiram todas na rua como peruas de grande gabarito (são tão previudsíveis e detectáveis :)). Ora, num ou noutro lugar são tod(o)as o mesmo- pertencem a um mercado de compra e venda, tudo na mesma dimensão da nojeira nacional. Até tenho muito mais respeito pelas do Intendente e/ou pelas tristes que embarcam em redes de tráfico humano...
De c a 24 de Outubro de 2011
tentando pôr as pintas nos ii

«Na mitologia romana, de acordo com Arnóbio, Puta era uma deusa menor da agricultura, que presidia a poda das árvores.
De acordo com uma versão, a etimologia do seu nome viria do latim, e seu significado literal seria "poda". Os festivais em honra a esta deusa celebravam a poda das árvores e, durante estes dias, as suas sacerdotisas manifestavam-se exercendo um bacanal sagrado (durante o qual se prostituíam) honrando a deusa (o que explicaria o significado corrente do termo "puta" e suas variações em muitos dos países de fala latina).»

voltando às divinas origens, o país agradece que estas bacanas se entreguem de corpo e alma à agricultura nacional, colaborando em horário alargado com a deusa Cristas, podando tudo que se encontre em estado de abandono e passe então a dar fruto, havendo um único bacanal anual, sem férias nem feriados, a bem do défice e da competitividade.

este país (f. da P.) seria finalmente salvo pelas divindades menores que, em vez de modestamente acalmarem os entesoados, levantariam heroicamente o TesOuro Nacional

mas hélas os gregos que se anteciparam nestas artes... acabaram encalhados... culpa da
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tentando pôr as pintas nos ii

«Na mitologia romana, de acordo com Arnóbio, Puta era uma deusa menor da agricultura, que presidia a poda das árvores.
De acordo com uma versão, a etimologia do seu nome viria do latim, e seu significado literal seria "poda". Os festivais em honra a esta deusa celebravam a poda das árvores e, durante estes dias, as suas sacerdotisas manifestavam-se exercendo um bacanal sagrado (durante o qual se prostituíam) honrando a deusa (o que explicaria o significado corrente do termo "puta" e suas variações em muitos dos países de fala latina).»

voltando às divinas origens, o país agradece que estas bacanas se entreguem de corpo e alma à agricultura nacional, colaborando em horário alargado com a deusa Cristas, podando tudo que se encontre em estado de abandono e passe então a dar fruto, havendo um único bacanal anual, sem férias nem feriados, a bem do défice e da competitividade.

este país (f. da P.) seria finalmente salvo pelas divindades menores que, em vez de modestamente acalmarem os entesoados, levantariam heroicamente o TesOuro Nacional

mas <i>hélas</i> os gregos que se anteciparam nestas artes... acabaram encalhados... culpa da <mãe n'atura</i>?

«Uma passagem do Contra Neera, obra apócrifa atribuída a Demóstenes, coloca as seguintes palavras na boca do famoso orador ateniense: "Temos cortesãs para nos dar prazer; temos concubinas para com elas coabitarmos diariamente; temos esposas com o propósito de termos filhos legítimos e precisamos de termos uma guardiã fiel de tudo o que se refere à casa".»

assim foi (a)fundada a economia liberal-prostituinte ;-)

toca a trabalhar, meninas

http://www.youtube.com/watch?v=bWxRMXAq6Ao


De c a 24 de Outubro de 2011
lamentávelmente, entrou ali uma puta duma gralha e fuleu o texto... tentando prolongar o gozo de modo tão artificial... que esgotou logo ali o potencial supostamente duradOuro

então lá recoreremos às putas das taxas que não se usam só em Amsterdão

12 Jan 2011
The Dutch government is demanding prostitutes pay income tax for the first time.

Janneke Verheggen, of the country's Tax Service, said now was the right time to “increase compliance”. The Netherlands made prostitution legal in 2000.

Few supporters of legalised prostitution are protesting at the move — though many do not believe that tax law can be enforced in an all-cash industry.

Aug 30, 2011
The German city of Bonn has introduced parking meters for prostitutes in an attempt to tax the world's oldest profession.

Swedish prostitutes want to pay taxes
Published: 8 Sep 08

de graça, sem graça?, Belle de Jour

http://www.dailymail.co.uk/femail/article-1228424/I-introduced-Belle-Jour-Brooke-Magnanti-vice-girls-says-father.html



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