Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2011

DO PORTO A VIANA

Anne Bascove

 

Recebi, muito agradeço, texto anotado: “_ É breve, simples e bem escrito, deixando o assunto descrito, comentado e criticado.” Concordo; daí a publicação.

 

“Sexta-Feira passada fui a Viana do Castelo e utilizei a A28 do Porto a Viana. Pelo caminho atravessei uns quantos pontos anunciados como portagem electrónica/electronic toll e umas luzes laranja intermitentes anunciavam que eu estava a ser devidamente registado como utilizador pagador. Sem saber bem como aquilo funcionava, continuei o meu caminho, accionando as tais luzes à medida que prosseguia a viagem.

À chegada à cidade perguntei a um amigo com quem almocei como é que aquilo funcionava, qual seria o procedimento, se a via verde era o suficiente, se era necessário fazer um pagamento diferenciado, confessei a minha ignorância. O meu amigo perguntou-me se eu me estava a referir aos «caganissos»... à minha pergunta «cagaquê»? Ele repetiu: «Caganissos, aquelas luzes que piscam à nossa passagem». Acontece que nesta parte do diálogo entrou uma terceira personagem e a conversa ficou por ali. Uns minutos mais tarde e porque se proporcionou, voltei à carga e tentei perceber o funcionamento das tais portagens electrónicas. A personagem recém-chegada perguntou: «Estão a falar dos caganissos?» Aí não resisti e perguntei que diabo de nome era aquele. Ao que ambos me responderam, com a maior naturalidade que «são os caganissos, ou seja, caga nisso, não te chateies que ninguém liga e eles estão entupidos com milhares de cobranças a enviar para os endereços dos donos das viaturas pelo que o melhor era mesmo cagar naquilo».

Percebi duas coisas. A facilidade com que pomos o nosso reconhecido humor ao serviço do nosso reconhecido défice de cidadania e a competência dos nossos responsáveis em adoptarem caminhos e procedimentos conducentes a essa mesma falta de cidadania. Sistemas complexos, confusos, luzinhas que piscam, falta de informação conveniente, pagamento a posteriore em pay shop, maquinetas que podem ser compradas nos correios, carregamentos com quantias mínimas quase sempre superiores à despesa da viagem de um dia e consequente notificação para a residência na falta de pagamento ao quinto dia após a viagem. Percebi ainda, ou tentei perceber, como é que um galego que lhe apetece ir ao Porto via Viana vai a um pay shop pagar uma dívida de cerca de €9, aos correios comprar uma maquineta ou como é que ele é notificado na falta de pagamento ao quinto dia.

Percebi, assim, com propriedade, a razão dos «caganissos» se chamarem «caganissos». Porque realmente parece que toda a gente se caga naquilo.”

 

in

http://copiaperfeita.blogs.sapo.pt/1673310.html 

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 08:23
link | Veneno ou Açúcar? | favorito
3 comentários:
De Pirata Verdadeiro a 28 de Dezembro de 2011
A mesma dose de ontem.....
Isto está a ficar muito repetitivo....


http://youtu.be/l8lRRUV50d4
De jgg a 29 de Dezembro de 2011
A luz laranja ou amarelo intermitente (consoante o gradiente de daltonismo) indica uma qualquer anomalia; as mais comuns são: alteração do cartão de débito indexado ao identificador ou pedido de substituição da fonte de alimentação do mesmo. O idiossincrático caganisso acaba por dar amargos de boca quando a conta finalmente aparece, certa como a morte, ou num grande caganisso, quando o valor da coima ultrapassa o valor do carro e do próprio condutor - aí, o melhor é mesmo perdoar metade da coima e esperar que a Via Verde perdoe a outra metade por força dos milhares de milhões que, ao jeito de conta calada, esta última já tem a entupir os tribunais. No fim de contas, as bestas pagantes suportarão aquilo a que os espertos se furtaram e gabam. Nada de novo a Oeste portanto. Inédito e muito giro, foi trazer o tema à baila com um belo neologismo. Gostei.
De c a 29 de Dezembro de 2011
apareça mais vezes a pôr as pintas nos i's ... pois nem sempre as fantasias (larachas?) são o melhor remédio ;-)

http://www.youtube.com/watch?v=iMvbEZMzuNA

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