Sábado, 23 de Junho de 2012

DESENTERRADA A ‘CAIXA DE PANDORA’

William Bouguereau

 

Às mães que os acasos deixam sem companheiros e pais dos filhos que engendraram em ventre fértil, é comum conselho não denigrirem imagens paternas que mais do que tarde recaem sobre elas na disfunção das personalidades infantes ou juvenis. Mãe seguiu o conselho. Estabeleceu relações harmoniosas entre pai e filhos no pós-divórcio, sonegando violências físicas e psicológicas que a humilharam na vida conjugal. Há vinte e muitos anos, quase trinta, a agressão doméstica perante a lei tinha contornos jurídicos afastados por milhas dos de hoje. A mulher agredida era temerosa das consequências privadas se denunciasse os crimes perpetrados. Como hoje. Como ontem.

 

A inexistência de instituições de apoio às vítimas, o pensar comum e socialmente aceite sobre o domínio masculino perante a mulher, congelavam crimes. Filhos adultos, crescença pacífica, bem-sucedidos na vida, foi chegado o momento de pai vigarista gerar conflito e, por lentilhas, opô-los à mãe.

 

Paternidade angelical, maternidade tonta foi o pensar das crias - pela característica generosa, assinaria cegamente papéis mentirosos. Mas não: a mulher abriu a ‘caixa de Pandora’ que julgava enterrada após anos de psicoterapia e cuja chave deitara fora. O pesadelo voltou. Imagens/memórias mais vívidas do que nunca. E culpou-se pelo silêncio que os valores lhe impuseram e aos quais obedeceu como ovelha balindo atrás do pastor. E assumiu o feito e por fazer. Hoje, tem como fito ser mulher e mãe verdadeira doa a quem doer.

 

CAFÉ DA TARDE

 

publicado por Maria Brojo às 15:14
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1 comentário:
De Acuçar C. a 24 de Junho de 2012
Que raio faz aqui a dita caixa?

"Epimeteu tinha em seu poder uma caixa que outrora lhe haviam dado os deuses, que continha todos os males. Avisou a mulher que não a abrisse.
Pandora não resistiu à curiosidade. Abriu-a e os males escaparam. Por mais depressa que providenciasse fechá-la, somente conservou um único bem, a esperança.
E dali em diante, foram os homens afligidos por todos os males."

Quanto à Pandora, o costume:

"Dela vem a raça das mulheres e do gênero feminino:
dela vem a corrida mortal das mulheres que trazem problemas aos homens mortais entre os quais vivem,
nunca companheiras na pobreza odiosa, mas apenas na riqueza."

http://pt.wikipedia.org/wiki/Pandora


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