Sexta-feira, 30 de Novembro de 2012

BRAVOS DO PELOTÃO

 

Frida Kahlo (Frida-Diego)                                                                                   Frida-Diego-marriage

 

Os bravos do pelotão. Não é lembrado Platoon do benquisto Oliver Stone. Nem Chris Taylor (Charlie Sheen), jovem e ingénuo americano, ao compreender que no Vietname a luta real era com o crescendo do medo, exaustão física e raiva. Antes são trazidos à colação homens e mulheres comuns que avançam de peito feito, sem temeridade insana, conscientes de que fuga ao passo em frente só a mando de cobardia. Recusar o desafio, o risco, negar atitude com receio de ferida ou morte dolorosa, não é com eles. E ao sinal de chamada avançam, gritando em silêncio: _ Seja o que a vida quiser.”

Num tempo em que amar alguém num mundo tão precário como este, significa ansiedades e temores, por medo alguns restringem afetos ao efémero. Como bivalves, higienizam o espaço contendo abertura ao ambiente exterior. Fecham-se ao pressentirem toque que ambicione atingir mais do que a pele. Partilhar o corpo, o riso, a fruição da dádiva que de outros advém, sim, não recusam - abrem-se como pétalas no pico da floração. Mas, quando a roda engrena marcha atrás, eles, de mansinho, como quem nada viu ou sabe, recuam pela cobardice que os amarra à concha protetora. Ou egoísmo. Ou opção, dizem.

No Discurso sobre a Felicidade, afirma Madame du Châtelet "A sabedoria deve ter sempre os trunfos à mão: pois quem diz sábio, diz feliz, pelo menos no meu dicionário; há que ter paixões para ser feliz; mas há que colocá-las ao serviço da nossa felicidade e existem algumas às quais devemos proibir qualquer acesso à nossa alma."

 

Que me desculpe a Madame, mas sábio quer dizer feliz apenas para eremita. E depois, por via da sapiência alcançar mestrado, doutoramento e demais graus académicos na arte de bem usar as paixões é conversa da treta que qualquer Maria reproduz. A paixão mobiliza, inteiros, corpo e espírito. Usa quem domina. Impensável enformá-la no molde da razão. Até um dia.

Árduo e sábio é não desistir quando o íntimo arrepia e gela. Arrebanhar lenha e caruma que mantenha acesa, por modesta que seja, a faúlha, talvez berço de lume duradouro. Havendo vontade e combustível, a doçura dos afetos ressurge. Ou não. Sapientes os que resistem à simplicidade da fuga. Nem sempre felizes, mas os bravos do pelotão.

 

Nota: texto publicado aqui, há breves istantes.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 08:05
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