Segunda-feira, 6 de Maio de 2013

A PACIENTE INGLESA

 

Jan Bollaert

 

À beira dos sessenta, por entre brumas e smog, ela entretinha o vazio e a falta de hormonas vivazes na rede virtual que o longe aproxima. Visitava salas de chat ignorando(?) fundos lodosos. No silêncio doméstico, amparava-lhe o desamparo o romantismo do chintz esparramando das rosas a paralisia, repetido nos reposteiros da sala, na cabeceira da cama, na «senhorinha» capitonné que a melhores tempos assistira. Da ligação ótica à fantasia de mundos venturosos, não tardou a dependência somente igualada pelos litros de chá bebericados. Não, não se resignaria às compras de bairro, à reforma coroada por festa e ramalhete florido e mais canecas e bules e inutilidades cheirosas! Queria mais. Mistério e aventura. Afagos. Sexo que não arrotasse pubs. Bombons. Um homem.

À beira dos cinquenta, dúvidas tenebrosas. Ele omitia-as vazando encanto ao lançar redes da sedução onde calhava. Aconteceu pescar, entre brasileiras, portugueses, africanas and so on, a inglesa. Por facilidades próprias, foi à ilha da rainha conhecê-la. Entre chá e «sandochas» de pepino, a adrenalina piou baixinho. Manteve o polimento e, no regresso, deu folga ao laço. Sendo a fortuna marota, um exemplar de pescado antigo abriu - milagre! - as guelras e revelou escamas luminosas. Veio o romance, o «amor» aqui e ali sacudido por fanecas ocasionais.

Corria a vida assim-assim, quando a inglesa decide corresponder ao amável convite - chutado para canto no passar dos muitos dias - de vir a Portugal fruir do sol e do bombom lusitano. Caiu-lhe o mundo em cima. E agora? Inglesa com portuguesa finória, refinada trinitroglicerina. À namorada conta um conto: colega de trabalho à beira da reforma, convida-a por gentileza e não é que ela teve a insensatez de aceitar? Teria de a receber, fazer o sacrifício de ser escort por quinze dias. Mais nada. Mera cortesia e honra à palavra dada. Ouvindo mais que o relatado, a namorada viu feliz oportunidade de dissecar breus ocultos. Esperou, feita lagarta ao sol, o desenrolar da trama.

 

A trama

 

Laura

A inglesa diz chegar num sábado. Combinado previamente fim-de-semana com a namorada. Adia a vinda da inglesa por oito dias. Semana seguinte. Inicia na quinta, outro final de semana a dois. No sábado, abala para receber a «colega» no domingo. À chegada, o infortúnio prega dolorosa partida: ainda no aeroporto, a senhora cai e fica uma amálgama de nódoas negras e luxações. Ele relata o infortúnio à namorada. Põe a inglesa no hotel (disse). Na manhã seguinte, o estado clínico piora. Centro de Saúde com ela. Nada partido. Um analgésico que a dor não alivia. Trá-la para casa e para a única cama. Ele cozinha, cuida da doente e dorme com ela. A coisa piora. (...)

 

Nota: o texto continua aqui.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 10:41
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