Wolfgang Lettl
Teias, cabos de aço, grades, ditaduras, regras escritas em granito. E medos. Impingidos, induzidos por quem da manipulação das consciências tem o conhecimento - medo de «não-parecer-bem», medo de afirmação da identidade cultural, medo de viver. Como manto negro enlutando a consciência. Medo como limite ao pensamento, ao agir.
O maior dos medos, maior do que não ser amado, é o de não amar. No dia em que parte quem desde o nosso nascer muito nos amou, a solidão e o luto batem à porta. Entre lágrimas e silêncios, ficam memórias. O capital que mais conta - o amor e a sua lembrança.
Não amar é o vazio. A descrença. O nada onde existia o melhor de nós. Mas podemos amar os seres, a Terra, um Deus. Amar libertos de ansiedades e de interpelações ociosas. Gratuitamente. Abrir a porta, esquecer o breu, entrar na luz que sempre atende quem a procura. Como quando em crianças fugíamos da noite e nos aninhávamos no calor de quem nos dera à vida para, depois, adormecermos em paz.
CAFÉ DA MANHÃ
Adoçantes
Peregrinando
Brasileiros