Quinta-feira, 22 de Agosto de 2013

ESTRADA, BELEZA E OVÁRIOS

 

Rendo-me ao humor de Gil Elvgren e de Graham McKean.                                                                

 

Na comunidade científica, há quem defenda que quanto maior é o nível de estrogénio, a principal hormona sexual feminina produzida principalmente nos ovários, mais bonitas são as mulheres. Por outro lado, estudos criteriosos afirmam o estrogénio como uma das razões das mulheres terem menos acidentes que os homens. Sem sobrepor a minha dúvida metódica ao que os especialistas concluem, custa-me a crer que mistura de estrona, estradiol e estriol, também conhecidas como E1, E2 e E3 respetivamente, tenha o condão de nos poupar aos desconchavos automobilísticos. Mais credibilidade me merece outra razão apontada: a capacidade do cérebro feminino de se desdobrar em várias perceções simultâneas.

 

Não fico surpresa pelo reconhecimento dos benefícios vários da nossa atenção repartida. Displicentemente afirmada como dispersa, se não volúvel, a ela é devida a capacidade de gestão de uma multiplicidade de tarefas psíquicas num dado momento. Executar um gesto profissional rigoroso enquanto delineamos as faltas na despensa e pensamos na Inês que foi para o colégio com uma pontinha de febre. Como a qualquer virtude está associado um defeito, também aqui o mesmo sucede. Os homens são invejavelmente mais eficazes na separação dos compartimentos psíquicos, nomeadamente no modo como dos alhos arredam os bugalhos emocionais. Já para a mulher, lidar com as emoções é enredo como novela sem happy end à vista.

 

Das generalizações, conhecemos abusos redutores; todavia, denominadores comuns existem e nos sexos ajudam ao entendimento. Por isto distingo pela positiva a atitude diferente de alguns homens perante descarada infracção ao código da estrada. Ainda ontem, efetuei inversão da marcha em franco despropósito. Os espectadores da manobra arregalaram o olho, e adivinhei-lhes palavras mal-encaradas ao rematar o quadro com estacionamento em sítio proibidíssimo – garantida a cautela de a ninguém lesar com a manigância. Abandono o carro, piscando desvairado, e vou-me à compra rápida. Ao passar pelos expetantes olhares, em vez de tirada admoestadora ouço piropo. Assim vai a tolerância entre sexos.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

Em nada associado ao texto, porque gosto. Muito.

 

publicado por Maria Brojo às 09:12
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