Quarta-feira, 16 de Julho de 2008

NA FLORESTA DO FEMININO CANSADO


Jack Vettriano

Desmente a insofismável verdade da lista do MSN ser mais extensa do que rol de compras para o mês. Exclusivamente composta por mulheres. Com desgosto na voz, amiúde, refere ausência de amigos-homens. Por isso, se abastece de «amigas» nos mercados comuns. Estrangeiras, nacionais emigradas ou carregando a vida por cá. Insinua doçuras e concretização de fantasias. Elas caiem como moscas no mel. E ele leva até ao fim ménage a trois que tivesse segredado como possível e interrompa o tédio das queixosas. Arranja boçais que as tomem num motel; ele como caridoso voyeur. No após, degusta a sobremesa que a mulher serve nua.

Desflorado por uma prostituta a mais de meio da adolescência, fez carreira profissional brilhante a par doutra: mulherengo polido. Respeitoso. A nada obriga nenhuma. Justifica-se, reclamando o infinito amor pelos humanos que almeja entender. Concretiza-o por via das mulheres que manipula até atingirem a condição de bichos-fêmeas. Escapa-lhe a contradição entre o enamoramento que apregoa e reduzir mulheres a irracionais.

Quando desfia os picarescos das estórias, ri. Ouvinte mulher, que lhe conheça o profundo e são substracto, contém a revolta e permite-lhe verter o cálice. Pelas vítimas-protagonistas, nela remanesce tristeza e lágrimas cuja razão ele indaga e considera «não dar lé com cré». Acrescenta: “têm consciência do dito e feito. Apenas torno reais os sonhos de muitas vidas.” E torna. É um Robin dos Bosques na floresta do feminino cansado.

CAFÉ DA MANHÃ



A ler: Paula Capaz e António Costa Santos.
publicado por Maria Brojo às 07:46
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Terça-feira, 15 de Julho de 2008

ADORÁVEIS «PIROSEIRAS» JUVENIS


Baron Von Linden

Decorre amável competição de «piroseiras» juvenis. Alguns dos muitos colaboradores daquele sítio vão fundo nas memórias que também preenchem o meu baú. Quando a Sofia Galvão lembrou o David Cassidy, dei por mim embasbacada - até que enfim encontro quem partilha idêntica desfloração-amorosa-infanto-juvenil. Único acidente platónico que vivi. Mais tarde, já mulher, não fui indiferente ao fascínio aventureiro do Indy/Harrison Ford. Malgré o péssimo hábito de não de não ver televisão, seja informada dum spot publicitário em que ele publicite rábanos ou salsaparrilha e mantenho a «coisa» ligada até o dito cujo surgir. O mais provável, ainda assim, é não dar conta dele pelo enfado da programação.

O “Blade Runner”, o “Frantic”, o “Sabrina” do Ridley Scott, do Polasnski e do Sidney Pollack respectivamente, bem como o deslavado Han Solo, em “Star Wars”, são rostos diferentes do ex-carpinteiro. Ao tempo, fazia uns biscates e, por cunha de um freguês, o George Lucas prestou-lhe atenção. Bendito repente! Até um bonsai murcho ganha saúde quando o “divino” lhe pega e caminha para um automóvel cujas potencialidades é suposto vender!

Só não candidato este blogue à compita das «piroseiras» online pelo similar atavismo que, há muito, lhe está associado. As reproduções kitsch da pintura, a escrita e a selecção musical têm créditos que, facilmente, tornariam o “Sem Pénis Nem Inveja” ganhador.

CAFÉ DA MANHÃ


“Vida de turista” - “Nisto do viajar as pessoas distinguem-se como na vida: há os mais entusiastas e excitados (...)”

“A Primeira Vez Que Vi Paris” – “A primeira vez que vi Paris fiquei com os olhos rasos de água. Tinha acabado de tirar os olhos de Lisboa (...)”


BLOGOSFERA



Ao Luis Carmelo, que hoje comemora cinco anos de blogger, endereço os parabéns. Magnífica a síntese à propos: “O primeiro ano foi de vício e compulsão sem fim. O segundo ano foi de intensíssima apropriação do meio. O terceiro ano foi o ano que culminou com a evidência do metabloguismo. O quarto ano foi de mini-entrevistas e de aceso debate sobre a dupla ficção-realidade. O quinto ano foi tempo de travagem, de mais inércia e, sobretudo, de contemplação menos deslumbrada.”
publicado por Maria Brojo às 07:55
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Segunda-feira, 14 de Julho de 2008

NUMA ROCHA DO TEJO-MAR


Michael and Inessa Garmash

Nunca coincidimos sentados numa das poucas rochas que amparam metros do estuário do Tejo. Acondicionados no ar e conforto do automóvel, jamais convergimos rotas. Multiplicados por um milhão, é escassa a probabilidade de num semáforo reparamos no outro, ainda que a pequenez da hipótese estivesse a favor. Na rocha, ainda menos. Pelo meio duma tarde da semana o meu refúgio à beira da água não é, certamente, teu. E, no entanto, excepto agora que escrevo, nunca me ocorreste quando ouço do rio-oceano o cicio. Talvez pelos quotidianos separados como os antípodas. Talvez pelo ramerrão (des)conhecido. Talvez porque o campo gravítico apenas atraia semelhantes, e nós, adivinho, mais diferentes não podemos ser. Porém há um elo. Quando e como foi estabelecido, não sei dizer. Nem tu, embora pelo arrepio da pele, esteja certa de que o experimentas mais vezes do que a razão ordena. E abanas a cabeça e avanças para a tarefa seguinte e só pela noite - quando a consciência desleixa a vigilância - ouves a interpelação do corpo.

Na distância próxima, vamos sendo felizes. Muito, sentimos. A falta do outro não é falta – um bolo sem cereja que o encime pode ser perfeito e saboroso. E adiamos a cereja por medo. Mas, não desmintas - não fosse o fantasma que represento e te agita o breu, há muito teríamos partilhado uma das poucas rochas que amparam as águas do nosso Tejo-mar.

CAFÉ DA MANHÃ


“Cretinos e Cabrões são Outros” – “Nada a fazer - reclamo a condição de felizarda e progressão na carreira. Optimista convicta, deliro com tiradas (...)”

“Apreciando o movimento” – “Dentro do táxi, encolhido de frio, mato o tempo observando as figuras que circulam pelo (...)”

Desde ontem:


“Esmerado Aceno” – “O Sr. Francisco é um homem robusto. Sentado ao portão, olha para dentro de todos os carros (...)”

“O Museu do Oriente” – “Esta semana, a “Time Magazine” fala de Portugal. E fala bem. Na pg. 60, com o título (..)”


publicado por Maria Brojo às 08:17
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Domingo, 13 de Julho de 2008

A UNHA DO PÉ


Autor que não foi possível identificar

Sentado no sofá, num interlúdio do durante, ele acariciava-lhe os pés. Um a um, nenhum dos dedos esquecia. Gostava deles papudos como soem na infância ou no tempo de Lolita. Não eram assim os dela – esguios e magros como os pés, o corpo e o pescoço. Pelo fetiche, desviava do rosto dela a atenção, olhava-os erguidos ao alto e abertos em leque quando as vagas de prazer sucediam. Sempre fora assim. Também por isso, somente tivera duas paixões. A última fora devida às formas opulentas e novas, o cheiro a sexo sem que o houvesse e, fatalmente, aos dedos dos pés. Dela contava às que ameaçavam a memória da paixão antiga. Actualizada quando o chamamento e a saudade o reclamavam. Das outras gostava assim-assim. Afectos mornos e infiéis. À maneira dele. Uma amava-o, outra era entretém longínquo, a terceira conhecera-o cinco anos atrás e, desde o último, tinha-o por mentiroso. Mais havia que não contavam - fogachos consumidos na adrenalina do momento. Fatuidades que serviam para lhe provarem a virilidade que temia, um dia, adormecer. E teimava na webcam e nos orgasmos virtuais. Dali aos reais era um passo que não hesitava em calcorrear.

À terceira perguntou: “Que tenho de especial?” Ela, com a rapidez useira, respondeu: “Nada; tão pouco eu. O feitiço é o histórico comum.” Meia-verdade ou verdade inteira – o laço cúmplice não tinha, para qualquer dos dois, paralelo. Ela sabia que ele sempre a temera – mulher inteligente e intensa é perigo eminente. Agora, ele vinha e ela esperava-o, sabendo que havia três horas se despedira da que o amava e era a galinha dos ovos de ouro dele.

Quando disse “Tu és a tua unha do pé!”, ela riu. Soube que, muito tarde, começava a entendê-la. No reencontro seguinte, a unha do pé não estava igual.

CAFÉ DA MANHÃ


“Uma, duas, três fatias de bolo de chocolate” – “Mas afinal de contas, vais ou não vais acabar de comer essa fatia de bolo? – pergunto (...)”

“Vai um tirinho?” – “Isto, sim, indigna-me: a violência (ia chamar-lhe gratuita, mas até poderia parecer que (...)
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Sábado, 12 de Julho de 2008

ATÉ AS MOSCAS ANDAM MOLES!


Blake Flynn

Mudar de Verão para Primavera tente-não-caia adormece cada pedaço do corpo. Até os ossinhos, saudáveis diz o bendito João Semana que insiste em tomar conta do recheio que enformo, doem um a um. Vem daí a lentidão dos movimentos e a perplexidade da Cila ao deparar com uma pasmada que contrariava o comum. Balbuciei uma qualquer ausência de explicação. “Que não, que não pode ser, que alguma coisa aconteceu, sentiu-se mal?, está cansada?, dormiu bem?” Que sim, dormira como uma «anja», não estava exausta, doente e tão pouco nada de mau acontecera. Presenteou-me com o café-bomba da praxe e sossegou.

Interrompeu os cozinhados para espiar o meu estado. “Ah!, a “doutorinha” está melhor! Pois eu não! Continuo chocha, dói tudo o que há para doer; na cabeça carrego batatas que não param de aumentar. Sabe que mais? É do tempo! Se viesse uma chuvada lavava a terra, sumiam as batatas e as dores. E já reparou? Até moscas entraram em casa. Veja como andam moles!” A memória recolheu o dito da Lise, francesa que viveu anos em Portugal, quando a atmosfera teimava no cinzento: "oh la la!, putain de temps, oh la la!"

Tudo passou pela tarde. Duas horas com Amiga a quem muito quero recompuseram-me num ai. A parte sumarenta da conversa reservo para segunda no PNET Mulher.

CAFÉ DA MANHÃ



“O Regresso” – “Após 7 meses entre fraldas, arrotos, cocós, sestas, mamadas e diálogos de gugus-dadás, estou de regresso ao mundo real. (...)"

“PARECER ECUMÉNICO” - “Mecanismo fundamental das sociedades humanas – agora (muito mal) misturadas (...)”


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Sexta-feira, 11 de Julho de 2008

«LERDA» NÃO CONSTA DOS MEUS DICIONÁRIOS


Drudwyn

"Lerdo – 1. pouco activo; vagaroso; lento. 2. bruto; estúpido (do castelhano lerdo, «pesado»)."

Não-amigo afirma erro imperdoável o masculino de «lerda». Segundo ele, dicionários onde não constar apenas o feminino são edições de somenos que convirá banir do rol credível. Nem discuto o pressuposto. Machista, presumo, e, só por isso, o relego à indiferença. Lerdo consta dos meus dicionários e chega. Lerda não. Quero lá saber de voz masculina que atribui a lerdice às mulheres!...

Há gente mais lerda do que os homens no que concerne aos afectos? E no que respeita ao sexo? Trocam os «bês» pelos «vês». Não distinguem a urgência de um instante do querer genuíno duma mulher que corpo e alma faz tremer. Resta o silêncio que logre entender no outro a precariedade do corpo-cedência.

Lerda serei. Dou barato o termo omisso nos dicionários que possuo. Mas confundir apetites com "está caída por mim", não me ocorre sequer.

CAFÉ DA MANHÃ


“O Milagre da Multiplicação das Vagas no Ensino Superior” – “Quinhentas vagas para licenciaturas em Direito. Aumento substancial de candidatos admitidos em cursos como Medicina e Engenharia (...)"

“A Outra” – “As entrevistas dadas na semana passada por Manuela Ferreira Leite na TVI, no programa “Cartas na Mesa”, conduzida por Constança Cunha e Sá, e de José Sócrates, na RTP1, (...)”
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Quinta-feira, 10 de Julho de 2008

ANDARILHA DOS SETE COSTADOS


Greg Horn

Andarilha dos sete costados, calharam na rota bairros sociais. Sol no zénite, temperatura amena, dois quilómetros de peregrinação. Ao volante, pouco é semelhante ao que vi. A surpresa maior é o cumprimento dos desconhecidos que comigo cruzaram o caminho - um “Boa tarde” amistoso é raro na cidade grande. Ouvi vários. Correspondi, deliciada. Do mesmo lembrava nos arrabaldes de Vila do Conde e na Beira onde, enterradas, tenho raízes e floresce parte substancial dos meus verões.

Prédios comuns despojados de artifícios que denunciam statu quo. Há rostos idosos nas janelas escancaradas do rés-do-chão. Mulheres sentadas nas soleiras. Homens assentados à volta de mesas de pedra onde poisam as cervejas e ditam lances nas jogatinas para entreter ócios e fastios. Reformados os idosos, desempregados os mais novos, ou fruindo da simplicidade das férias.

Há jardins relvados entremeados por roseiras de folha graúda, improváveis nas cores e robustez. Saudável desprezo pelo desenho dos arquitectos paisagistas. Os moradores tratam dos espaços comuns com zelo, à semelhança do que fariam se o espaço verde fosse exclusivo de cada um. Um canteiro pode rodear o jacarandá original, ou um chorão que o vizinho plantou.

Pela roupa estendida nas fronteiras dos edifícios é feita a distinção dos condomínios vigiados por câmaras, seguranças em permanência e jardins privados. Impera como destrinça a afabilidade que abrange vizinhos ou não. E esta, sim!, é fundamental.

CAFÉ DA MANHÃ


"A falta que me faz escrever, é como a saudade do cheiro do mar para quem vive no interior.Um (...)"

Rui Pelejão


"Autêntico" - "Nós já desconfiávamos mas o Medina Carreira hoje disse-o de forma a não (...)"

publicado por Maria Brojo às 09:04
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Quarta-feira, 9 de Julho de 2008

TÃO LONGE E TÃO PERTO COMO A ILHA DA PÁSCOA


Annamaria Centola

Voo AF1624 de Paris, Charles de Gaulle. Hora de chegada: 14.35h. Viagem antecipada tranquila. Ainda os corpos se ajeitavam nos assentos, já disparavam flashes. Olhando para trás, onde o tumulto acontecia, apenas era visível um par de muletas. A indiferença reocupou o lugar. Entre o similar de alimento e o sol sobranceiro, a modorra instalou-se; somente o empinanço invertido da descida a ousou perturbar. Lembrados os flashes foi inevitável ceder à curiosidade. Que coxo congregaria tanta atenção mediática? Uma cabeça acima das demais, óculos escuros, cabelo (des)alinhado com gel acenderam a lerda candeia do raciocínio - o Cristiano Ronaldo, «elezinho», duas filas atrás.

Assumo: coxo ou não, o homem é uma torre de perfeição. Benditos genes que, feitos carne e osso, se ajuntaram naquela obra-prima .


Shinichi Noda

Dei com esta «coisa» numa respeitável galeria online. Não faço a mínima ideia para onde emigrara o juízo do pintor ao concretizá-la. Tão pouco sei da eficácia da obra na fervura do caldo hormonal masculino. O que afirmo é simples: uma mulher olha para «aquilo» e pasma à conta de estereótipos tão longe dela como a Ilha da Páscoa – malgré tout, destino que, não tarda, será meu.

Que faz ali uma banana? Logo um fruto que amassa e fica dengoso em menos de um fósforo.... A espada(?) que o sustenta aflige só de imaginá-la tão próxima do não-suposto. E o pesadelo dos airbags XXL derramados até á cintura? Mal empregue técnica do suporte ao serviço de tamanho disparate.


CAFÉ DA MANHÃ


“Irritantemente simples” – “Tem por hábito viver sem artifícios. Ao corpo dedica algum tempo. Nunca se esquece dos (...)”

“Era a Vida (4 e últ.) *” - Ora, em 1969, a minha compra da praxe na Feira do Livro, tinha sido um policial do Raymond Chandler, (...)



ANIVERSÁRIO


O MAC celebra o 14º aniversário com duas exposições que é fundamental visitar (mais detalhes aqui).

Ao Director Coordenador do MAC, Álvaro Lobato Faria e ao Director do Mac, Zeferino Silva, endereço os parabéns pelo rigor e qualidade do trabalho desenvolvido.


A obra da Pintora Manuel Pinheiro que acima figura consta da exposição. Para melhor conhecer o seu trajecto artístico recomendo a exposição virtual que contempla 107 obras e está patente no PNET ARTES.
publicado por Maria Brojo às 08:18
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Terça-feira, 8 de Julho de 2008

¼ SEMELHANTE A ADULTOS CASADOS


Michel Gourdon

Pela manhã, noticiava a TSF que um quarto dos jovens entre os 15 e os 25 anos agridem ou são vítimas de violência nas relações amorosas. “Índice semelhante aos dos adultos no casamento”, segundo a síntese divulgada dum estudo elaborado pala Universidade do Minho. Pendeu-me o queixo pela enormidade. Então o casamento é bitola de violência entre homens e mulheres? Que associação tenebrosa é esta? Sendo legítima, não fica desculpabilizada. O casamento é inocente. As pessoas envolvidas nos entendimentos amorosos é que podem ser patifes de meia-tigela ou de tigela-inteira. Não andará longe o dia em que o papel timbrado que legitima o ajuntamento de um par sirva de padrão para depressões, problemas cardíacos e maleitas várias. Triste fado capaz de transbordar em pranto a calçada!

Insatisfeita, espiolhei o estudo em causa. Li: “Carla Machado, coordenadora de um projecto nacional sobre este fenómeno, identificou níveis de violência física e psicológica no namoro muito próximos dos encontrados num outro estudo desenvolvido em 2003, no Norte do país, junto de 2900 adultos, mas em contexto conjugal. Dos 4730 jovens inquiridos pelas investigadoras, 30 por cento admitiram ter agredido o parceiro, sendo 23 por cento agressão física, 18 por cento emocional e três por cento física severa. Os rapazes são os que agridem com maior gravidade, com sovas, murros e pontapés, mas na pequena violência, não há diferença de género e vale tudo, desde insultos, bofetadas, empurrões, puxões de cabelos e até ameaças.”

Mais afirmam as investigadoras: “a violência é cada vez mais aceite como «natural» pelos próprios, incluindo o sexo forçado. A violência sexual é tolerada entre os jovens, porque para eles «relações sexuais forçadas não são o mesmo que violação, nem sequer são crime».”

Aqui chegada, perguntei-me: os pais dos anos oitenta e noventa sentir-se-ão interpelados? É que remeter a totalidade das culpas para a televisão, internet ou mudanças sociais não explica o explicável.

CAFÉ DA MANHÃ


"A animalada" - "Mário de Carvalho, um dos meus escritores contemporâneos preferidos, definiu-a na perfeição (...)"

"Só Vi Uma Vez O Fogo" - "O que assusta mais é o ronco. Eu só vi uma vez o fogo, poderoso, pletórico (...)"



INAUGURAÇÃO


Está aberto o PNET Petições. Dele constam as cinco que seguem:

- Círculos uninominais

- Petição sobre horários e publicidade nas televisões

- Petição para a reorganização administrativa de Portugal

- Petição contra a cobrança de dívidas da EDP

- Petição para limitação pecuniária das reformas em Portugal



BLOGOSFERA


A seguir atentamente: “VIDA DE PRIMÍPARA”
publicado por Maria Brojo às 11:12
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Segunda-feira, 7 de Julho de 2008

CONTABILIDADES PELUDAS


Lia Lu

Descreve o James Stuart os benefícios de ter nascido homem. Presumo-os, em número, idênticos ao de ter sido brindada com um pipi. Não irei desfiá-los, tantos são. Além do mais, o texto do James explora-os quase todos porque comuns a homens e mulheres.

Desenganem-se aqueles que ainda julgam ser muito o que nas pessoas distingue os géneros. Basicamente, e uma vez desacreditados – Deo gratias! - os clichés, excluindo as partes pudendas é a semelhança que impera. Há homens assim e assado como há mulheres fritas e cozidas – o inverso é verdadeiro.

Permito-me desbravar o que une os sexos, além do próprio sexo como é por demais evidente: querem ser felizes, ter ao lado companhia cúmplice e amante, partilhar dores, sonhos e alegrias, florir os amigos com afecto e dedicação, embelezar o quotidiano com as dádivas que as artes oferecem, olhar o mundo e sentir eloquente vontade de o melhorar, desdobrarem-se em amores felizes que a família beneficie primeiro, trabalhar com gosto, se possível com paixão, fruir dos lazeres e, last but not least, experimentar a serena doçura dos dias.

Diferenças? Pêlos a mais ou a menos? Que importam quando o relevante dispensa contabilidades peludas?


CAFÉ DA MANHÃ


“A Divina Brontë” – “Há défice de romancistas como as inglesas. Não temos uma Charlotte Brontë, uma Jane Austen ou uma Daphné Du Marier. (...)"

Às segundas, o Mauro Castro faz-me companhia.



BLOGOSFERA


"Acho piada à expressão desonestidade intelectual. É que tal como esta, deveria haver uma desonestidade emocional ou uma outra desonestidade sensorial. Porque qualquer que seja a sua tipologia, não deixa de haver um sujeito desonesto cuja carga paliativa de indecência pura e dura, almeja, quando muito, ser analgésica e de curta duração.” – O João, acutilante como é seu apanágio. Subscrevo, caríssimo.
publicado por Maria Brojo às 08:17
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Domingo, 6 de Julho de 2008

DA CIMEIRA DO G8 AOS MATA-MELGAS


Don Maitz

É prometedor acordar com a notícia de que Mister Bush, na Cimeira do G8, se manifestou preocupado com a fome em África e se propõe aventar medidas para redução de emissões poluentes que, finalmente!, os States irão cumprir. Coerente com a hipocrisia que neste domínio lhe é conhecida, pede à China e à Índia que subscrevam e concretizem as resoluções que saírem da reunião dos reis da indústria mundial. Passa uma esponja na indiferença com que tem acolhido semelhantes decisões e do boicote que mais do que uma vez levou a cabo. Um querido arrependido!

A GNR pretendeu, sem usar multa como arma, ser eficaz na segurança rodoviária. É refrescante! Não fosse a falta de pontaria dos tiros – em vez de atingirem os pneus, acertaram no condutor de um veículo em fuga –, tudo teria corrido bem. Mas não. O homem está em coma e a equipa médica luta para o salvar. Uma coisa é falta de pontaria ao matar uma melga, outra é enviar de charola para o hospital os desobedientes às ordens policiais. A estas recomendo treinarem a localização dos alvos. Podem começar com melgas. Não faltam por aí.

CAFÉ DA MANHÃ


“A crise económica, as prioridades e o meu subconsciente avarento” – “Nos últimos tempos tenho sido inúmeras vezes contactada pela Portugal Telecom com o (...)"

“Exames com sucesso” – “Conhecidos os resultados dos exames nacionais, o meu coração palpitou com o sucesso na (...)”

BLOGOSFERA


“Uma mulher inteligente que nunca chora” - “PLATÓNOV: Por quem se apaixonaria ela aqui? Por si mesma? Não acredites no riso dela. Não se pode acreditar no riso de uma mulher inteligente que nunca chora: ela ri-se quando tem vontade de chorar.”
publicado por Maria Brojo às 13:43
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Sábado, 5 de Julho de 2008

DA EU-OUTRA NÃO QUERO SABER


Ken Martin

Saiu de Braga em Outubro do ano passado. Percorreu oito mil e quinhentos quilómetros em busca de si próprio. Pelas lágrimas que o empresário bracarense declarou ter derramado ao entrar em Jerusálem, o ignoto «eu» e o peregrino coincidiram na chegada à meta.

No presente, que os velhos no Restelo postados dizem diminuído em valores e espiritualidade, muitos, eu entre eles, idealizam percorrer fracção dos Caminhos de Santiago. Dissemelhantes da peregrinação deste português pela lonjura e prolongado rompimento com o quotidiano. Reunisse coragem para dar largas ao meu temperamento andarilho, e partiria.

Esventrar a eu-outra que o corpo abriga não seria o objectivo - se a que conheço e sou me dá tantos (des)gostos, de mais uma não preciso; além do mais, a existir, dela não quero saber. Mas, caminhando, celebrar liturgia íntima sem tempo contado seria o bem maior que, num mês de pausa no trabalho, poderia conquistar.

CAFÉ DA MANHÃ


“A Preto e Branco” – “Com o fim das aulas e dos exames, a única equação que parece ocupar a cabeça dos mais novos é (...)”

“A importância das coisas” - “Esta anódina semana que passou não teve um único momento que suscitasse verdade (...)”
publicado por Maria Brojo às 10:53
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Sexta-feira, 4 de Julho de 2008

PORQUE NÃO FAZ QUARENTA ANOS


Ivan

A Vieira do Mar não completa hoje quarenta anos. Fosse de aniversário a data e tanto haveria para dizer!... Porque odeio bajulações, limito-me a afirmar que é uma mulher fabulosa com beleza a condizer; que escreve divinamente; que a impetuosidade é prova visível duma ponta do incêndio que sabe gerir; que é amiga querida. “Bora lᔠalmoçar! A ver se é desta que ludibriamos as preenchidas agendas. Mandamos as ditas às malvas ou para aqueles sítios que nas nossas cavaqueiras têm nomes (abusivos por aqui).


Diego Rivera

O João perfaz hoje idade maior que a família celebra. Porque é dele o tempo das certezas, à Fernanda R. pertence o orgulho e a alegria de uma mãe cuja infinita generosidade transborda e usa para amar também os amigos. Muitos parabéns, minha querida!
publicado por Maria Brojo às 18:38
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ENTRE FILHAS DE EVA


M. L. Garmash

Quando mulheres e amigas acontecem num serão, há risos e boutades deliciosas de que estão arredadas temáticas menores: homens e maledicência. Nada mais interessa quando uma Ana Marta, linda como só ela, preambula: “Uma boa alma a caminho do céu pede ao santo da devoção que lhe seja concedido o desejo de no Além encontrar nus e com vinte anos de idade os finados. Ao entrar no Paraíso, constata satisfeito o pedido. Reencontra amigos e (des)conhecidos joviais e em pelota. Procura, depois, Adão e Eva. Mas, desconhecendo rosto, tamanho e forma dos atributos que os poderiam distinguir, inquieta-se. Como reconhecer os pais da humanidade?” Ficámos duas sem resposta. Aventámos disparates. Monguices de mulheres em risota. Que não, que ignorávamos a resposta, que nos fosse também concedido o pedido – pararmos as tristes figuras. E a Ana Marta, candidamente, elucidou: “Ora, é fácil! Como não foram paridos, há «nada» no lugar do umbigo.”

Pronta na resposta, a Paula não se ficou: “Espertinha! Mas garanto não fazeres a mínima ideia como sei que Eva era loira? Ninguém arrisca resposta? Não? Simples, minhas queridas. Brincando no paraíso, vai por de trás do Adão, tapa-lhe os olhos e pergunta: quem sou eu, quem sou?”

Esqueçam as danadinhas do “Sexo e a Cidade”. São dispensáveis luxos, copos, relatórios de «quecas», artimanhas para as ter ou evitar. As mulheres que não desfilam nos ecrãs são mais económicas e muito melhores que elas.

CAFÉ DA MANHÃ


“A Casa Está em Ordem” – “Garantia do poder entronado na governação. E uma mulher sai de casa para abastecer o ddespenseiro (...)”

“Berlim, 60 anos depois” - “Fez, no passado dia 24 de Junho, 60 anos sobre o início da ponte aérea para Berlim; na prática e na teoria, (...)”
publicado por Maria Brojo às 08:20
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Quinta-feira, 3 de Julho de 2008

DE SEU NOME, JOSÉ


Autor que não foi possível identificar

De seu nome José. Filho de mãe índia da tribo Tupi Guarini e pai de Minas Gerais. Conheceram-se em Timóteo e tiveram dez filhos. José é o do meio. A mãe, Maria Pereira Soares cuja origem no Sudeste Brasileiro não contradiz o nome bem português, morreu, aos trinta anos, vítima de um derrame cerebral. Deixou dez filhos. O pai, passadas duas semanas de luto, casou com a Custódia Maria de quinze apenas. A adolescente viria a ser generosa e compreensiva madrasta da dezena de crianças a que o ventre acrescentou mais três. Hoje, tem quarenta e dois anos e o marido setenta.

O José, criança “levada”, deu que fazer. Frequentou o segundo ano do “colegial”. Desistiu, mandriou e foi cobrador de “omnibus”. Aos vinte e quatro casou. Ela com um filho anterior, ele desejando o primeiro. Que chegou. Fez onze anos há pouco, os pais divorciados desde os sete. No ano passado, o pai veio ao casamento de uma amiga em Carcavelos. Os noivos arrufaram, a boda foi ao ar, mas o José ficou. Mora em Campo de Ourique, frente ao Jardim da Parada, e diz que lugar mais lindo do que Lisboa não há. Amou o Porto. Mas a moura encantada fascina-o. Para sempre, segundo o falar convicto.

Encontrei-o ao entrar na garagem, quando se aprestava a encerrar o portão que, para os regressos escancarado, vigia das seis às oito. Por ter comprado um nico de serradura com ar de móvel, perguntei-lhe se o poderia montar – em casa, a tanto não chega a paciência. Que sim, após colocar no passeio os contentores. E veio. Decifrado o puzzle, ele aparafusou. Perfeita combinação completada pela voz da Diana Krall.

CAFÉ DA MANHÃ


A ler: Madalena Palma e o Rui Pelejão </b>
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últ. comentários

Lembrai os filhos do FUHRER, QUE NASCIAM NOS COLEG...
Esta narrativa, de contornos reais ou ficionais, t...
Olá!Como vai?Já passaram uns meses... sem saber de...
continuo a espera de voltar a ler-te
decidi ontem voltar a ser blogger, decidi voltar a...
Autor que não foi possível identificar: Andrew Atr...
De férias , para sempre. Fechou a loja... :-(
Curta as férias querida...Beijos
ABANDONODAVID MOURÃO FERREIRAPor teu livre pensame...
Ainda?Isso aí no Inverno é gelado ;-)

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