Desmente a insofismável verdade da lista do MSN ser mais extensa do que rol de compras para o mês. Exclusivamente composta por mulheres. Com desgosto na voz, amiúde, refere ausência de amigos-homens. Por isso, se abastece de «amigas» nos mercados comuns. Estrangeiras, nacionais emigradas ou carregando a vida por cá. Insinua doçuras e concretização de fantasias. Elas caiem como moscas no mel. E ele leva até ao fim ménage a trois que tivesse segredado como possível e interrompa o tédio das queixosas. Arranja boçais que as tomem num motel; ele como caridoso voyeur. No após, degusta a sobremesa que a mulher serve nua.
Desflorado por uma prostituta a mais de meio da adolescência, fez carreira profissional brilhante a par doutra: mulherengo polido. Respeitoso. A nada obriga nenhuma. Justifica-se, reclamando o infinito amor pelos humanos que almeja entender. Concretiza-o por via das mulheres que manipula até atingirem a condição de bichos-fêmeas. Escapa-lhe a contradição entre o enamoramento que apregoa e reduzir mulheres a irracionais.
Quando desfia os picarescos das estórias, ri. Ouvinte mulher, que lhe conheça o profundo e são substracto, contém a revolta e permite-lhe verter o cálice. Pelas vítimas-protagonistas, nela remanesce tristeza e lágrimas cuja razão ele indaga e considera «não dar lé com cré». Acrescenta: têm consciência do dito e feito. Apenas torno reais os sonhos de muitas vidas. E torna. É um Robin dos Bosques na floresta do feminino cansado.
Decorre amável competição de «piroseiras» juvenis. Alguns dos muitos colaboradores daquele sítio vão fundo nas memórias que também preenchem o meu baú. Quando a Sofia Galvão lembrou o David Cassidy, dei por mim embasbacada - até que enfim encontro quem partilha idêntica desfloração-amorosa-infanto-juvenil. Único acidente platónico que vivi. Mais tarde, já mulher, não fui indiferente ao fascínio aventureiro do Indy/Harrison Ford. Malgré o péssimo hábito de não de não ver televisão, seja informada dum spot publicitário em que ele publicite rábanos ou salsaparrilha e mantenho a «coisa» ligada até o dito cujo surgir. O mais provável, ainda assim, é não dar conta dele pelo enfado da programação.
O Blade Runner, o Frantic, o Sabrina do Ridley Scott, do Polasnski e do Sidney Pollack respectivamente, bem como o deslavado Han Solo, em Star Wars, são rostos diferentes do ex-carpinteiro. Ao tempo, fazia uns biscates e, por cunha de um freguês, o George Lucas prestou-lhe atenção. Bendito repente! Até um bonsai murcho ganha saúde quando o divino lhe pega e caminha para um automóvel cujas potencialidades é suposto vender!
Só não candidato este blogue à compita das «piroseiras» online pelo similar atavismo que, há muito, lhe está associado. As reproduções kitsch da pintura, a escrita e a selecção musical têm créditos que, facilmente, tornariam o Sem Pénis Nem Inveja ganhador.
Nunca coincidimos sentados numa das poucas rochas que amparam metros do estuário do Tejo. Acondicionados no ar e conforto do automóvel, jamais convergimos rotas. Multiplicados por um milhão, é escassa a probabilidade de num semáforo reparamos no outro, ainda que a pequenez da hipótese estivesse a favor. Na rocha, ainda menos. Pelo meio duma tarde da semana o meu refúgio à beira da água não é, certamente, teu. E, no entanto, excepto agora que escrevo, nunca me ocorreste quando ouço do rio-oceano o cicio. Talvez pelos quotidianos separados como os antípodas. Talvez pelo ramerrão (des)conhecido. Talvez porque o campo gravítico apenas atraia semelhantes, e nós, adivinho, mais diferentes não podemos ser. Porém há um elo. Quando e como foi estabelecido, não sei dizer. Nem tu, embora pelo arrepio da pele, esteja certa de que o experimentas mais vezes do que a razão ordena. E abanas a cabeça e avanças para a tarefa seguinte e só pela noite - quando a consciência desleixa a vigilância - ouves a interpelação do corpo.
Na distância próxima, vamos sendo felizes. Muito, sentimos. A falta do outro não é falta um bolo sem cereja que o encime pode ser perfeito e saboroso. E adiamos a cereja por medo. Mas, não desmintas - não fosse o fantasma que represento e te agita o breu, há muito teríamos partilhado uma das poucas rochas que amparam as águas do nosso Tejo-mar.
Sentado no sofá, num interlúdio do durante, ele acariciava-lhe os pés. Um a um, nenhum dos dedos esquecia. Gostava deles papudos como soem na infância ou no tempo de Lolita. Não eram assim os dela esguios e magros como os pés, o corpo e o pescoço. Pelo fetiche, desviava do rosto dela a atenção, olhava-os erguidos ao alto e abertos em leque quando as vagas de prazer sucediam. Sempre fora assim. Também por isso, somente tivera duas paixões. A última fora devida às formas opulentas e novas, o cheiro a sexo sem que o houvesse e, fatalmente, aos dedos dos pés. Dela contava às que ameaçavam a memória da paixão antiga. Actualizada quando o chamamento e a saudade o reclamavam. Das outras gostava assim-assim. Afectos mornos e infiéis. À maneira dele. Uma amava-o, outra era entretém longínquo, a terceira conhecera-o cinco anos atrás e, desde o último, tinha-o por mentiroso. Mais havia que não contavam - fogachos consumidos na adrenalina do momento. Fatuidades que serviam para lhe provarem a virilidade que temia, um dia, adormecer. E teimava na webcam e nos orgasmos virtuais. Dali aos reais era um passo que não hesitava em calcorrear.
À terceira perguntou: Que tenho de especial? Ela, com a rapidez useira, respondeu: Nada; tão pouco eu. O feitiço é o histórico comum. Meia-verdade ou verdade inteira o laço cúmplice não tinha, para qualquer dos dois, paralelo. Ela sabia que ele sempre a temera mulher inteligente e intensa é perigo eminente. Agora, ele vinha e ela esperava-o, sabendo que havia três horas se despedira da que o amava e era a galinha dos ovos de ouro dele.
Quando disse Tu és a tua unha do pé!, ela riu. Soube que, muito tarde, começava a entendê-la. No reencontro seguinte, a unha do pé não estava igual.
Mudar de Verão para Primavera tente-não-caia adormece cada pedaço do corpo. Até os ossinhos, saudáveis diz o bendito João Semana que insiste em tomar conta do recheio que enformo, doem um a um. Vem daí a lentidão dos movimentos e a perplexidade da Cila ao deparar com uma pasmada que contrariava o comum. Balbuciei uma qualquer ausência de explicação. Que não, que não pode ser, que alguma coisa aconteceu, sentiu-se mal?, está cansada?, dormiu bem? Que sim, dormira como uma «anja», não estava exausta, doente e tão pouco nada de mau acontecera. Presenteou-me com o café-bomba da praxe e sossegou.
Interrompeu os cozinhados para espiar o meu estado. Ah!, a doutorinha está melhor! Pois eu não! Continuo chocha, dói tudo o que há para doer; na cabeça carrego batatas que não param de aumentar. Sabe que mais? É do tempo! Se viesse uma chuvada lavava a terra, sumiam as batatas e as dores. E já reparou? Até moscas entraram em casa. Veja como andam moles! A memória recolheu o dito da Lise, francesa que viveu anos em Portugal, quando a atmosfera teimava no cinzento: "oh la la!, putain de temps, oh la la!"
Tudo passou pela tarde. Duas horas com Amiga a quem muito quero recompuseram-me num ai. A parte sumarenta da conversa reservo para segunda no PNET Mulher.
"Lerdo 1. pouco activo; vagaroso; lento. 2. bruto; estúpido (do castelhano lerdo, «pesado»)."
Não-amigo afirma erro imperdoável o masculino de «lerda». Segundo ele, dicionários onde não constar apenas o feminino são edições de somenos que convirá banir do rol credível. Nem discuto o pressuposto. Machista, presumo, e, só por isso, o relego à indiferença. Lerdo consta dos meus dicionários e chega. Lerda não. Quero lá saber de voz masculina que atribui a lerdice às mulheres!...
Há gente mais lerda do que os homens no que concerne aos afectos? E no que respeita ao sexo? Trocam os «bês» pelos «vês». Não distinguem a urgência de um instante do querer genuíno duma mulher que corpo e alma faz tremer. Resta o silêncio que logre entender no outro a precariedade do corpo-cedência.
Lerda serei. Dou barato o termo omisso nos dicionários que possuo. Mas confundir apetites com "está caída por mim", não me ocorre sequer.
Andarilha dos sete costados, calharam na rota bairros sociais. Sol no zénite, temperatura amena, dois quilómetros de peregrinação. Ao volante, pouco é semelhante ao que vi. A surpresa maior é o cumprimento dos desconhecidos que comigo cruzaram o caminho - um Boa tarde amistoso é raro na cidade grande. Ouvi vários. Correspondi, deliciada. Do mesmo lembrava nos arrabaldes de Vila do Conde e na Beira onde, enterradas, tenho raízes e floresce parte substancial dos meus verões.
Prédios comuns despojados de artifícios que denunciam statu quo. Há rostos idosos nas janelas escancaradas do rés-do-chão. Mulheres sentadas nas soleiras. Homens assentados à volta de mesas de pedra onde poisam as cervejas e ditam lances nas jogatinas para entreter ócios e fastios. Reformados os idosos, desempregados os mais novos, ou fruindo da simplicidade das férias.
Há jardins relvados entremeados por roseiras de folha graúda, improváveis nas cores e robustez. Saudável desprezo pelo desenho dos arquitectos paisagistas. Os moradores tratam dos espaços comuns com zelo, à semelhança do que fariam se o espaço verde fosse exclusivo de cada um. Um canteiro pode rodear o jacarandá original, ou um chorão que o vizinho plantou.
Pela roupa estendida nas fronteiras dos edifícios é feita a distinção dos condomínios vigiados por câmaras, seguranças em permanência e jardins privados. Impera como destrinça a afabilidade que abrange vizinhos ou não. E esta, sim!, é fundamental.
Voo AF1624 de Paris, Charles de Gaulle. Hora de chegada: 14.35h. Viagem antecipada tranquila. Ainda os corpos se ajeitavam nos assentos, já disparavam flashes. Olhando para trás, onde o tumulto acontecia, apenas era visível um par de muletas. A indiferença reocupou o lugar. Entre o similar de alimento e o sol sobranceiro, a modorra instalou-se; somente o empinanço invertido da descida a ousou perturbar. Lembrados os flashes foi inevitável ceder à curiosidade. Que coxo congregaria tanta atenção mediática? Uma cabeça acima das demais, óculos escuros, cabelo (des)alinhado com gel acenderam a lerda candeia do raciocínio - o Cristiano Ronaldo, «elezinho», duas filas atrás.
Assumo: coxo ou não, o homem é uma torre de perfeição. Benditos genes que, feitos carne e osso, se ajuntaram naquela obra-prima .
Ao Director Coordenador do MAC, Álvaro Lobato Faria e ao Director do Mac, Zeferino Silva, endereço os parabéns pelo rigor e qualidade do trabalho desenvolvido.
Pela manhã, noticiava a TSF que um quarto dos jovens entre os 15 e os 25 anos agridem ou são vítimas de violência nas relações amorosas. Índice semelhante aos dos adultos no casamento, segundo a síntese divulgada dum estudo elaborado pala Universidade do Minho. Pendeu-me o queixo pela enormidade. Então o casamento é bitola de violência entre homens e mulheres? Que associação tenebrosa é esta? Sendo legítima, não fica desculpabilizada. O casamento é inocente. As pessoas envolvidas nos entendimentos amorosos é que podem ser patifes de meia-tigela ou de tigela-inteira. Não andará longe o dia em que o papel timbrado que legitima o ajuntamento de um par sirva de padrão para depressões, problemas cardíacos e maleitas várias. Triste fado capaz de transbordar em pranto a calçada!
Insatisfeita, espiolhei o estudo em causa. Li: Carla Machado, coordenadora de um projecto nacional sobre este fenómeno, identificou níveis de violência física e psicológica no namoro muito próximos dos encontrados num outro estudo desenvolvido em 2003, no Norte do país, junto de 2900 adultos, mas em contexto conjugal. Dos 4730 jovens inquiridos pelas investigadoras, 30 por cento admitiram ter agredido o parceiro, sendo 23 por cento agressão física, 18 por cento emocional e três por cento física severa. Os rapazes são os que agridem com maior gravidade, com sovas, murros e pontapés, mas na pequena violência, não há diferença de género e vale tudo, desde insultos, bofetadas, empurrões, puxões de cabelos e até ameaças.
Mais afirmam as investigadoras: a violência é cada vez mais aceite como «natural» pelos próprios, incluindo o sexo forçado. A violência sexual é tolerada entre os jovens, porque para eles «relações sexuais forçadas não são o mesmo que violação, nem sequer são crime».
Aqui chegada, perguntei-me: os pais dos anos oitenta e noventa sentir-se-ão interpelados? É que remeter a totalidade das culpas para a televisão, internet ou mudanças sociais não explica o explicável.
Descreve o James Stuart os benefícios de ter nascido homem. Presumo-os, em número, idênticos ao de ter sido brindada com um pipi. Não irei desfiá-los, tantos são. Além do mais, o texto do James explora-os quase todos porque comuns a homens e mulheres.
Desenganem-se aqueles que ainda julgam ser muito o que nas pessoas distingue os géneros. Basicamente, e uma vez desacreditados Deo gratias! - os clichés, excluindo as partes pudendas é a semelhança que impera. Há homens assim e assado como há mulheres fritas e cozidas o inverso é verdadeiro.
Permito-me desbravar o que une os sexos, além do próprio sexo como é por demais evidente: querem ser felizes, ter ao lado companhia cúmplice e amante, partilhar dores, sonhos e alegrias, florir os amigos com afecto e dedicação, embelezar o quotidiano com as dádivas que as artes oferecem, olhar o mundo e sentir eloquente vontade de o melhorar, desdobrarem-se em amores felizes que a família beneficie primeiro, trabalhar com gosto, se possível com paixão, fruir dos lazeres e, last but not least, experimentar a serena doçura dos dias.
Diferenças? Pêlos a mais ou a menos? Que importam quando o relevante dispensa contabilidades peludas?
É prometedor acordar com a notícia de que Mister Bush, na Cimeira do G8, se manifestou preocupado com a fome em África e se propõe aventar medidas para redução de emissões poluentes que, finalmente!, os States irão cumprir. Coerente com a hipocrisia que neste domínio lhe é conhecida, pede à China e à Índia que subscrevam e concretizem as resoluções que saírem da reunião dos reis da indústria mundial. Passa uma esponja na indiferença com que tem acolhido semelhantes decisões e do boicote que mais do que uma vez levou a cabo. Um querido arrependido!
A GNR pretendeu, sem usar multa como arma, ser eficaz na segurança rodoviária. É refrescante! Não fosse a falta de pontaria dos tiros em vez de atingirem os pneus, acertaram no condutor de um veículo em fuga , tudo teria corrido bem. Mas não. O homem está em coma e a equipa médica luta para o salvar. Uma coisa é falta de pontaria ao matar uma melga, outra é enviar de charola para o hospital os desobedientes às ordens policiais. A estas recomendo treinarem a localização dos alvos. Podem começar com melgas. Não faltam por aí.
Saiu de Braga em Outubro do ano passado. Percorreu oito mil e quinhentos quilómetros em busca de si próprio. Pelas lágrimas que o empresário bracarense declarou ter derramado ao entrar em Jerusálem, o ignoto «eu» e o peregrino coincidiram na chegada à meta.
No presente, que os velhos no Restelo postados dizem diminuído em valores e espiritualidade, muitos, eu entre eles, idealizam percorrer fracção dos Caminhos de Santiago. Dissemelhantes da peregrinação deste português pela lonjura e prolongado rompimento com o quotidiano. Reunisse coragem para dar largas ao meu temperamento andarilho, e partiria.
Esventrar a eu-outra que o corpo abriga não seria o objectivo - se a que conheço e sou me dá tantos (des)gostos, de mais uma não preciso; além do mais, a existir, dela não quero saber. Mas, caminhando, celebrar liturgia íntima sem tempo contado seria o bem maior que, num mês de pausa no trabalho, poderia conquistar.
O João perfaz hoje idade maior que a família celebra. Porque é dele o tempo das certezas, à Fernanda R. pertence o orgulho e a alegria de uma mãe cuja infinita generosidade transborda e usa para amar também os amigos. Muitos parabéns, minha querida!
Quando mulheres e amigas acontecem num serão, há risos e boutades deliciosas de que estão arredadas temáticas menores: homens e maledicência. Nada mais interessa quando uma Ana Marta, linda como só ela, preambula: Uma boa alma a caminho do céu pede ao santo da devoção que lhe seja concedido o desejo de no Além encontrar nus e com vinte anos de idade os finados. Ao entrar no Paraíso, constata satisfeito o pedido. Reencontra amigos e (des)conhecidos joviais e em pelota. Procura, depois, Adão e Eva. Mas, desconhecendo rosto, tamanho e forma dos atributos que os poderiam distinguir, inquieta-se. Como reconhecer os pais da humanidade? Ficámos duas sem resposta. Aventámos disparates. Monguices de mulheres em risota. Que não, que ignorávamos a resposta, que nos fosse também concedido o pedido pararmos as tristes figuras. E a Ana Marta, candidamente, elucidou: Ora, é fácil! Como não foram paridos, há «nada» no lugar do umbigo.
Pronta na resposta, a Paula não se ficou: Espertinha! Mas garanto não fazeres a mínima ideia como sei que Eva era loira? Ninguém arrisca resposta? Não? Simples, minhas queridas. Brincando no paraíso, vai por de trás do Adão, tapa-lhe os olhos e pergunta: quem sou eu, quem sou?
Esqueçam as danadinhas do Sexo e a Cidade. São dispensáveis luxos, copos, relatórios de «quecas», artimanhas para as ter ou evitar. As mulheres que não desfilam nos ecrãs são mais económicas e muito melhores que elas.
De seu nome José. Filho de mãe índia da tribo Tupi Guarini e pai de Minas Gerais. Conheceram-se em Timóteo e tiveram dez filhos. José é o do meio. A mãe, Maria Pereira Soares cuja origem no Sudeste Brasileiro não contradiz o nome bem português, morreu, aos trinta anos, vítima de um derrame cerebral. Deixou dez filhos. O pai, passadas duas semanas de luto, casou com a Custódia Maria de quinze apenas. A adolescente viria a ser generosa e compreensiva madrasta da dezena de crianças a que o ventre acrescentou mais três. Hoje, tem quarenta e dois anos e o marido setenta.
O José, criança levada, deu que fazer. Frequentou o segundo ano do colegial. Desistiu, mandriou e foi cobrador de omnibus. Aos vinte e quatro casou. Ela com um filho anterior, ele desejando o primeiro. Que chegou. Fez onze anos há pouco, os pais divorciados desde os sete. No ano passado, o pai veio ao casamento de uma amiga em Carcavelos. Os noivos arrufaram, a boda foi ao ar, mas o José ficou. Mora em Campo de Ourique, frente ao Jardim da Parada, e diz que lugar mais lindo do que Lisboa não há. Amou o Porto. Mas a moura encantada fascina-o. Para sempre, segundo o falar convicto.
Encontrei-o ao entrar na garagem, quando se aprestava a encerrar o portão que, para os regressos escancarado, vigia das seis às oito. Por ter comprado um nico de serradura com ar de móvel, perguntei-lhe se o poderia montar em casa, a tanto não chega a paciência. Que sim, após colocar no passeio os contentores. E veio. Decifrado o puzzle, ele aparafusou. Perfeita combinação completada pela voz da Diana Krall.