Domingo, 14 de Setembro de 2008

OU O DENTISTA, OU O VAZIO


Andre Wek

Há risco de vida numa urgência hospitalar. Que o digam os utentes do Centro de Saúde de Odemira. Por falta de médicos que o ignoto lugar também justifica, um médico militar, idoso, reformado e dentista foi contratado para despachar filas de horas na urgência de Odemira. Os utentes estranharam a inabilidade do servidor nos cuidados prestados no suporte avançado de vida. Não bastam os vírus e bactérias perigosos que nas urgências contaminam o inocente cidadão que fez um rasgo na perna, ainda este corre o risco de um dentista lhe cozer a dita!

A Directora do Centro de Saúde de Odemira afirma não ter havido escolha – ou o dentista, ou o vazio. Aos concursos públicos para preenchimento de vagas nas urgências, concorrem médicos tarefeiros. Cada serviço de urgência é bem pago - nalguns casos 500 euros se por troca o serviço. Não faltam candidatos que rezam aos santinhos da respectiva devoção para serem aceites de Santarém a Évora. Isto se a residência fizer parte da Grande Alface. Para lá do raio de cento e poucos quilómetros em auto-estrada, abstêm-se. Odemira e outros lugares ficam excluídos por distância a mais, recursos a menos.

Parece haver défice de médicos. Ledo engano! Existem para abranger o país de lés-a-lés. O cerne do problema está na centralização dos hospitais onde é feita a designada “especialidade” – formação médica complementar. Fosse um candidato a pediatria colocado em Beja, estivesse esse núcleo hospitalar em condições de prestar formação digna, e, aos poucos, pela região fixar-se-iam profissionais competentes. Avanço fundamentos para a ilação anterior: (...)


CAFÉ DA MANHÃ


Mauro Castro
publicado por Maria Brojo às 17:01
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MADONA NA GRANDE ALFACE


Autor que não foi possível identificar

Do vazio que nos constitui não há dúvida. Protões e neutrões arrumam-se, através de forças várias, no núcleo dos átomos. Exemplo vulgar compara a enormidade da distância que separa o núcleo dos electrões mais próximos com o que se passaria no Estádio da Luz, fosse ele átomo de hélio. Núcleo como formiga no centro do relvado, as minúsculas cargas negativas girariam no limite superior das bancadas. Exemplo que diz muito para a mourama - o mesmo é dizer para aqueles que habitam a Grande Alface e dela para baixo.

A Grande Alface recebe hoje Madona. Dizem-na doce e pegajosa. Discordo. Mulher de cinquenta anos, determinada, profissional competente que faz jus ao talento que soube aproveitar. Faz plásticas, é conflituosa a relação conjugal, fanática da forma física? Que importa?!... Arrasta gerações consecutivas que pagam a peso de ouro a possibilidade de lhe sentir o respirar que o sofisticado equipamento amplificará. Significativo é o facto dos mais novos a idolatrarem. De igual modo adoptaram como ícones os Beatles, os Pink Floyd e o Mick Jagger dos Stones. Arrisco deduzir que as gerações de cantores, músicos e escritores que os precederam “trazem-nos pelo beicinho”. Como se nos próximos em idade não encontrassem equivalências motivadoras.

Estando envolvidos no concerto da Madona 550 agentes públicos de segurança e trânsito, hoje é o vazio policial que impera nas ruas e vielas da Grande Alface. Como se a cantora fosse a formiga no centro do relvado da Luz e o resto de Lisboa fosse electrão solitário no extremo superior das bancadas.

CAFÉ DA MANHÃ


Marta Botelho


Madonna - Give it 2 me


publicado por Maria Brojo às 13:37
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Sábado, 13 de Setembro de 2008

A BOCARRA DOS BURACOS NEGROS


Jessica Dougherty

Ele é um chico-esperto. Um traste. Usa e abusa daqueles que julgam constar do seu grupo de amigos. Afirma contar muitos. Mentira! Para ele amigo é conhecimento passível de ser traduzido em milhares de euros que, diligente, arrumará na conta bancária. Basicamente, um sovina. Tem charme e humor. À meia dúzia de vezes, farta o ouvinte – as piadas e as memórias que graceja não variam; sobre mulheres, fatalmente. As centenas que arrebanhou, algumas constantes nas revistas cor-de-rosa, e lhe escaparam como enguias da mão. Fizeram elas bem. Procura fêmea que o sustente e lhe ampare a idade terceira. O encanto de artista alarga a rede. Elas caem e fogem a igual ritmo. No último ano, apresentou aos conhecidos mais de meia dúzia de potenciais companheiras. Eles riem e olham com piedade a última. E o homem continua a dar razões de chacota ao círculo que alimenta para posterior abuso.

Ela, outra que nada tem a ver com o ele anterior, é uma espertalhona. Astuta e consciente dos meios de que dispõe para levar água até ao moinho cuja mó sabe rodar. Enrabichou-se, online, por um e alguns mais. Disposta a sair das décadas conjugais com património imponente, pede o divórcio. Simula violência doméstica e leva a tribunal o ex-querido que a mimava com Prada. Acusa-o de violência doméstica, de alcoólico, de homem de múltiplas meninas e amigas. Amásias, em suma. Troca um hipotético pontapé, de facto uma tentativa frustrada, por vinte e cinco mil euros e a fatia maior do património que ele constituiu enquanto ela demandava griffes. Um primor de “esposa” que jamais se queixou das viagens de sonho conjugais até os engates online a terem transtornado.

Os deuses nos livrem destes buracos negros humanos – devoram os desprevenidos que lhes rasam a bocarra.

CAFÉ DA MANHÃ


Célia Bernardo


António Eça de Queiroz


DESDE ONTEM


"Ideias Perigosas" - "No blog “Geração de 60” – estranho, estranhíssimo blog, (...)
publicado por Maria Brojo às 00:34
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Sexta-feira, 12 de Setembro de 2008

GEME O VENTO E GEMO EU


Al Moore

Geme o vento nesta manhã de Setembro. Nos noticiários, a rádio debita conflitos institucionais em Portugal, picardias traduzidas por expulsões diplomáticas envolvendo a Bolívia, a Venezuela e os Estados Unidos, medalhas nacionais nos Paraolímpicos, correias de polícias perseguindo ladrões e críticas ao novo Código Penal.

Ontem, na entrevista com a Judite de Sousa, Maria José Morgado reconfirmou a condição de Mulher profissionalmente exemplar. Sabedora, arguta, prudente, ignora temores e o desassombro caracteriza-a. Suscita, em partes iguais, ódios e empatias. Bom sinal: deduzo que ser mulher está arredado da avaliação que dela é feita. É discutido o modo e a qualidade da obra como sempre deveria acontecer.

Curiosidade pobrezinha, é o facto da RTP e da SIC com Noronha do Nascimento, presidente do Supremo Tribunal de Justiça, terem coincidido no dia e no tema das designadas “Grandes Entrevistas”. No Portugal noticioso, o bom e o mau são servidos simultaneamente e em doses múltiplas. Ressalvando os acontecimentos que pela importância congregam atenções, que tal seguir a pérola noticiada ontem do jogador da Selecção Principal de Futebol? Rezava assim: “Bater mais no ceguinho é chover no molhado.” Mal comparado, recordou-me outra ouvida há uns dias num local “In”: “Comprei umas calças preto escuro.” Somos divinos no que à redundância concerne! E geme o vento e gemo eu…

CAFÉ DA MANHÃ


Carlos Amaral Dias


CORREIO


“Sr Porvedor
hoije escrevo-le pouco hà maneira, daquilo que se lê no jornal e os leitores que deveria proteger; e dou-le duas:
(mais a vínrgulas qu'aqui meto, tambem à maneira do jornal, claro... para que possa sentir se gosta de patetices).
UMA (é um enigma) O que significa o texto seguinte, ao referir uma variante genética que protege quem a tem
de ser infectado com HIV:
"Quem o defende é uma equipa de cientistas franceses que comparou que o padrão de prevalência
da variante CCR5-Delta32 com a forma como esta está presente na actual população europeia."
DUAS (é um conflito) O título "Abaixo-assinado contra estrada C.Verde-Mértola e obras na A16",
a fazer pensar que a população estaria contra uma estrada nova, ou contra um traçado indesejado ou contra
a perturbação do uso habitual ou contra outra coisa, precede o seguinte texto: "Quase 700 habitantes de
Castro Verde e Mértola e utentes da Estrada Nacional nº132 (EN132) que liga os dois concelhos,
reclamaram ontem a reparação imediata da via(...)"
Afinal o abaixo-assinado é uma exigência, a favor da reparação urgente da tal estrada e
o título significa o contrário da substância do texto!
(A questão da A16 é notícia também insignificante; porém, de outra natureza - devia estar separada).”


"Já lhe tinha dito que a convivência de palavreados como aqueles com os textos ágeis do Dr. Júdice ou com a prosa elegante do Dr. Bénard da Costa, é contra-natura, não tinha?"
publicado por Maria Brojo às 10:48
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Quinta-feira, 11 de Setembro de 2008

11 DE SETEMBRO PORTUGUÊS


Autor que não foi possível identificar

No ano de 2008, o 11 de Setembro português fica associado à primeira distribuição de prémios e louvores aos melhores alunos do décimo segundo ano que, no corrente ano civil, terminaram o ensino secundário. O engenheiro José Sócrates encarregar-se-á da tarefa numa das escolas do país com maior nomeada – justificada, aliás.

Logo se levantaram vozes alegando o revivalismo da iniciativa que no regime salazarista, depois caetanista, se traduzia em quadros-de-honra e prémios nacionais – quando menina recebi um deles. Reclamo indulgência para a desenvergonhada informação como protagonista de um momento que a televisão e jornais retiveram e vem ao caso. Alunos como eu era, décadas depois, correm idêntico risco de modesta imortalização. Do momento pessoal, recordo estar com febre devida a incómoda infecção das amígdalas, ter muito calor e piscar os olhos sob o holofote e dois ou três flashes. Os pais guardaram o registo possível; o resto deve estar no enésimo duma de milhares de fitas que o pó cobre na defunta Tobis.

Trago à colação a memória por o acontecido não me ter feito algum mal – curei as amígdalas irritadas e do estímulo pecuniário não me queixo. Do outro, persistir no desafio comigo própria, também não. Integrei-o no modo de estar. Venha prova que me convença da malfeitoria infligida à psique dos estudantes por aos melhores serem reconhecidos méritos.

CAFÉ DA MANHÃ


Madalena Palma


Rui Pelejão


Conversas na Bulhosa…com Bernardo Pires de Lima*(18.30h)

"O 11 DE SETEMBRO DE 2001 E AS RELAÇÕES INTERNACIONAIS"




Convidados

Dr. José Lamego

(Professor e Antigo Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros)

General Loureiro dos Santos

(Especialista em Estratégia, Colunista do Público)

Conversas na Bulhosa… é um espaço, que acolhe escritores, poetas ou tradutores, figuras públicas ou grupos de opinião, à volta de livros e de temas culturais ou da actualidade. Os autores falarão da sua obra, os convidados partilharão com o público as suas leituras, especialistas discutirão e explicarão temas e questões que a todos dizem respeito.

* Autor do Livro "Blair a Moral e o Poder" – Editora Guerra e Paz
publicado por Maria Brojo às 00:14
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Quarta-feira, 10 de Setembro de 2008

A NOITE RIBEIRINHA DE ONTEM


Arkadiusz Walerczuk

Na mansa noite da Lisboa de ontem, frente ao espelho belíssimo que é o estuário do Tejo, a fala desaguou na globalização. Definida como fenómeno gerado pela necessidade capitalista de formar uma “aldeia global”, o objectivo último é alargar os mercados dos países ditos desenvolvidos. Repetidos os cafés, voz do mundo cuja experiência legitima considerações credíveis lembrou ser mais fácil interligar o mundo social e culturalmente do que política e financeiramente. E se a uniformização de padrões de consumo e hábitos está alargada a cada vez maior número de sociedades sem que a dignificação da «pessoa» seja um facto, cabe às artes esse papel. À ciência também, acrescento.

Em Genebra, para a construção do LCH, o acelerador de partículas mais potente do Mundo, e que a partir de hoje irá simular os primeiros milésimos de segundo do Universo, contribuíram 40 países. Seis mil cientistas de nacionalidades diversas, dos quais duzentos são portugueses, trabalharão em conjunto. No prazo de um ano, irão acontecer as primeiras colisões interpartículas e atingida a intensidade máxima da energia na colisão dos protões. Ficam assim criadas as condições para recriar os primeiros instantes depois do Big Bang. Encontrar o hipotético bosão de Higgs, entender porque a matéria é mais abundante do que a anti-matéria são algumas das possibilidades em aberto. Conhecimentos que respeitam a toda a humanidade. Vertente outra da globalização.

Na noite ribeirinha de ontem, olhando a perfeita cúpula celeste de que somente são conhecidos 4%, a inquietação sobre o desconhecimento dos 96% restantes não sobreveio. Porém, esse mistério de energia escura, que de baixo olhamos embevecidos, encerra uma explicação que o homem, ao longo de milhares de anos, procurou pela via da ciência, da religião e dos mitos.

CAFÉ DA MANHÃ


Paula Capaz


António Costa Santos


Hoje, no Google




CORREIO

Quando um leitor dos nossos jornais é atento e decide intervir, surgem mimos como este que publico com prazer. É que o silêncio nem sempre é ouro.

“Porém, hoje,
(v/ Público, 9SET)

Oh Sr Provedor,
disse que lhe dava uma por dia e não tenho dado; desculpe!
É que não tenho andamento para tanta bacorada que, nesse jornal, aparece em alto contraste, lado a lado com tanta coisa muito boa, eventualmente na mesma página.

Oh Sr Provedor,
anedótico será um(a) jornalista daí ter escrito um dia, 'ilcóptero' e outros, todos os dias, 'islamista' e ninguém ver; outra coisa, muito mais gravosa e se não vir porquê peça a alguém que o ajude, é o título de primeira página de hoje - "PS mexe na Lei do Divórcio e dá a Cavaco novo poder de veto".
O lado coloquial do 'PS mexe na Lei' ainda se aceita, a puxar ao estiloso; o que não se pode admitir é a intenção de distorcer e deseducar quem ler - não é o PS que dá poderes ao PR nem o poder de vetar é novo ou velho, como deveriam aí saber os aprendizes de escriba e quem os vigia.
O jornal pago eu.”
publicado por Maria Brojo às 11:37
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Segunda-feira, 8 de Setembro de 2008

“SE NÃO MORRER ATÉ LÁ, QUE MORRO DE CERTEZA


Autor que não foi possível identificar

Era uma noite marítima. Sob a sacada, verdes emolduravam o terraço. O quadro favorecia a conversa fluida entre amigos. Talvez comessem figos e o champanhe aloirasse as flutes. Certos eram os risos e os nadas-muito que as almas e os rostos alegravam. Ao ser mencionada frase ouvida na ambiência natal de uma das presenças amigas – “se não morrer até lá, que morro de certeza” -, registei-a no telemóvel, o meu sucedâneo da moleskine. Dispensar caneta e peso acrescido na mochila da caminhada ou na mala, não é vantagem despicienda do objecto falante.

“La Fin Programee de la Democratie” (“O Fim Programado da Democracia”) - http://www.syti.net/Topics2.html - fundamenta a tese que serve de título. Como prova, Sylvain Timsit aponta números, factos e fornece informações avulsas. A mudança de mãos do poder e respectivos atributos, a ilusão democrática, o progressivo desaparecimento da informação, a verdadeira face do dinheiro constituem os primeiros passos do encadeado lógico. Nos seguintes, refere o ponto de não-retorno na ecologia, a destruição da natureza, as alternativas da última chance e, por último as quatro formas de poder político em dois mil anos de história.

Quando o autor afirma que o desaparecimento da natureza é inevitável por constituir uma das metas do novo poder económico, excedi a minha dose diária de especulação. Não que seja difícil subscrever a maioria dos argumentos esgrimidos; porém, o cenário de mais uma teoria da conspiração que pinta de negro o futuro da humanidade veio substituir a bondade que atribuíra ao raciocínio do autor. E lembrei a frase de voz amiga: “se não morrer até lá, que morro de certeza,” o planeta e quem o habita engendrarão dinâmicas que da Terra e dos homens garantam a sobrevivência.

CAFÉ DA MANHÃ


Leonor Barros


Manuel S.Fonseca
publicado por Maria Brojo às 23:26
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A PERNA DO ÍPSILON


Terry Rodgers

“Segundo uma equipa de investigadores suecos, foi descoberta a causa genética da propensão masculina para a infidelidade – um cromossoma (corrijo para um gene) em excesso. Que os homens tivessem qualquer coisa a mais do que as mulheres, ignorava. Pelo XY que os caracteriza, diria até que lhes faltava uma perna ao ípsilon. Mas não! Têm-na em qualquer lugar escuso que lhes justifica as traições. Assim fica perpetuada a tradição – quando eles traem têm desculpas que das mulheres estão arredadas.” </center>

É consensual a coabitação possível entre infidelidade e lealdade. É aceite que os itens do contrato conjugal ou equiparado sejam definidos a dois. É natural que atracções emocionais e(ou) físicas possam surgir durante a vigência de uma relação.

Não tenho por evidente que a instituição casal reprima a infidelidade meramente por razões morais, sociais ou religiosas. O meu conceito de relacionamento afectivo e sexual, unicamente estabelecido por via do sentir a que é comum chamar amor, obriga a confiança mútua, partilha e ternura. Para a condição primeira, a lealdade é basilar. Antes de mais, do próprio para com ele. Chegado o momento duma infidelidade, importa a clarificação íntima que o indivíduo autor do acto logre atingir. Consta do “acordo” assumido a dois? Foi acção isolada, conjuntural, sem perdas e danos para a vida do par, que o outro não pôs em causa ou lhe deu qualquer razão de sofrimento? No momento, o silêncio é ouro. Adiar para sempre ou para o momento certo a delação do acontecido dependerá da dinâmica característica do casal.

Sendo a infidelidade recorrência não estipulada mutuamente, é inevitável que o parceiro se sinta ludibriado. O sofrimento é directamente proporcional à confiança até aí depositada e à intensidade do afecto. Não raro, advém a dissolução do vínculo. Talvez por isto a cobardia, a trafulhice relacional, as comédias de enganos, o entrar em casa somente depois de limpar no capacho os pés, as sms e os números marcados no telemóvel. Atitude com nome: mentira. A mais insidiosa forma que um(a) rival pode revestir.

Por mim, concluo: o alelo 334 (a tal perna que falta ao ípsilon) não baila se o mandador não quiser bailar.

Nota: Transcrição da resposta da Teresa C. à belíssima ponderação da Marta Botelho.

CAFÉ DA MANHÃ


Teresa C.


Mauro Castro
publicado por Maria Brojo às 10:42
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PNET LITERATURA



Coordenado pelo Professor Luís Carmelo, abriu hoje uma das jóias da Rede PNET: o Literatura .

“A literatura é um rio que se reconhece, hoje em dia, através de uma identidade multifacetada: um vastíssimo esteio de afluentes que disputa os limites de uma fronteira sempre impossível de traçar. É neste limbo dinâmico, ponteado por marés imprevistas, que o site PNETliteratura se situa. Sem dizer que não à turbulência ou à contingência. Interrogando, enquanto publica; dando a ver, enquanto relativa.” LC

Ao Professor Luís Carmelo e a toda a notável equipa que dá vida ao PNET Literatura desejo o maior sucesso.

publicado por Maria Brojo às 10:23
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Domingo, 7 de Setembro de 2008

MEMÓRIAS LÍQUIDAS


Eric Christensen

Uma mulher olha para a adega repleta de teias de aranha, pipos e garrafas deitadas e fica naquela: “deito tudo fora e peço à Leonor que lave e encere os pipos, ou tento destrinçar brancos, tintos e aguardentes? Que faço das garrafas vazias esperando suco vinícola que não mais jorrará da torneira ali ao canto?”

Lagar tapado, alinhei densímetros e artefactos vários sem de muitos fazer a mínima ideia da serventia. Rolhas novas em caixas. Funis, torniquetes e garrafões. Se na família não há memória de bêbados, para quê tanto utensílio? E depois lembro o vinho da quinta maior, mistura de videiras americanas e outras da região, que era inaugurado pelo Natal. O tom rosé. A facilidade da digestão. O sabor único que o meu palato retém.

Separei centenas de garrafas vazias. Depositei-as no ecoponto. Da ráfia e das rolhas em cortiça nova, deixei menos de metade. Ficaram aguardentes e vinhos datados – de compra ou de oferta, outros caseiros com rótulo escrito à máquina pelo pai. Nem me atrevo a servi-los. Apesar da frescura e escuridão, presumo-os azedos. Inquieta-me o será que sim, será que não. Deixei-os na horizontalidade do cacife onde jaziam. Os vindouros que decidam. Fiz o que pude com as memórias a bailarem, líquidas, nos meus olhos.

CAFÉ DA MANHÃ


Marta Botelho
publicado por Maria Brojo às 10:22
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Sábado, 6 de Setembro de 2008

“A VIDA SÃO DOIS DIAS”


Mati Klarwein

Porque hoje é dia de ouvir o excelente magazine “A Vida São Dois Dias” do Rádio Clube Português - no ar entre as oito e as doze horas dos sábados e domingos e conduzido pela jornalista Célia Bernardo -, transcrevo a crónica do Nuno Costa Santos transmitida na 1ª edição do programa.

“Façamos o exercício lúdico de acrescentar uma frase a "a vida são dois dias" para subverter um bocadinho o seu sentido.

Há a clássica:

A vida são dois dias. E o Carnaval são três.

A pessimista:

A vida são dois dias. E um deles é segunda-feira.

A quotidiana:

A vida são dois dias. Passados na repartição a tratar de burocracias.

A militante:

A vida são dois dias. E o aborto é permitido até às dez semanas.

A conformada:

A vida são dois dias. E a justiça, em Portugal, demora séculos.

A megalómana.

A vida são dois dias. Que são grandes como o caraças.

A aldrabona:

A vida são dois dias. E por isso é que vou meter baixa.

A socrática:

A vida são dois dias. E, mesmo assim, vai haver uma greve de professores.

Mas a melhor é mesmo, mesmo esta: a vida são dois dias. Com Célia Bernardo, aqui no Rádio Clube.”

CAFÉ DA MANHÃ


Célia Bernardo


António Eça de Queiroz
publicado por Maria Brojo às 09:30
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Sexta-feira, 5 de Setembro de 2008

POBRE MENINA GRÁVIDA!


Blake Flynn

Media “mainstream”. Segundo eles – o quer que isso signifique para lá do óbvio –, o filho de Sarah Palin, candidata republicana à vice-presidência que foi mãe em Maio de um bebé com síndroma de Down, é seu neto. Estória de novela venezuelana tão improvável como os guiões que constroem e exportam para o mundo ibero-americano. Uma pepineira!

Impressivo é o facto da filha da ultra-conservadora Sarah Palin, de seu nome Bristol e com dezassete anos, estar grávida de cinco meses de um rapazote mais velho do que ela um ano. Irá casar com o pai da criança de acordo com os padrões hipócrita-tradicionais. A mãe, bebé ao colo, família e candidato(?) a genro, partilharam os holofotes mediáticos com John McCain numa sessão da campanha eleitoral à presidência dos USA. Compostinhos e subservientes aos canônes tradicionais. Todos muito bem no retrato.

Pobre menina-rica-filha-de-mãe-conservadora-candidata-a-número-dois-dos-Estados-Unidos! É obrigada a pagar com o casamento a sexualidade debutante e fértil. O futuro marido será parceiro no pagamento da culpa que a ortodoxia social e política impõem. A liberdade de optar é ficção na alta política dos candidatos a senhores do mundo.


Nota - Sobre a crónica de ontem – “Até que a Morte nos Separe” – recebi do estimado Pirata-Vermelho o primor que transcrevo:

“Macho activo. Experiente.
Mato gajos que batem em gajas.
C'as mãos ou com instrumental apropriado, artesanal ou sofisticado, limpo-lhes o sebo.
Contratos a prazo, regulares ou eventuais. Trabalho por gosto. Faço pescates de voluntariado ocasional.
Só faço homens - acerto murros nos cornos de quem acha que os tem.
Gosto das mulheres.”


CAFÉ DA MANHÃ


“ Divórcio: o veto presidencial” - “Não nos surpreendeu de sobremaneira o veto que Cavaco Silva lançou sobre a lei do divórcio aprovada a 4 de Julho na Assembleia da República com os votos favoráveis do PS, PCP, BE e Verdes e votos contra do CDS-PP e da maioria da bancada do PSD. (...)”
publicado por Maria Brojo às 08:44
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Quinta-feira, 4 de Setembro de 2008

ATÉ QUE A MORTE NOS SEPARE


Andreas Raufeisen

Assassinam-nas quando a relação está moribunda. Maridos, companheiros, namorados estão incluídos nos 71% dos agressores. «Ex» são, dentre eles, 19%. Somando as duas parcelas no quadro da violência doméstica, temos que em cada dez assassinos, nove estiveram afectiva e/ou emocionalmente envolvidos com as vítimas.

O síndroma da rejeição de que padecem alguns homens pode ser letal para a mulher que nega continuar um relacionamento moribundo. A UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta – divulgou dados inquietantes obtidos apenas a partir da comunicação social. A violência doméstica mata mais mulheres que o cancro da mama. Nos oito meses deste ano, 35 foram assassinadas e 142 estiveram à beira do mesmo fim ao decidirem retomar a vida sem aqueles com quem partilharam um amor.

Para alguns homens, “até que a morte nos separe” é literal. Fundamentalistas mais rigorosos do que a Igreja Católica que o mesmo faz jurar aos nubentes no ritual do casamento. O perigo social destes machos violentos advém das crianças, familiares e vizinhos serem vítimas potenciais. Bombas-relógio que atingem, preponderantemente, mulheres na faixa etária dos 36 aos 50 anos, seguida pelas maiores de 51 anos. Quase todas sujeitas a décadas de maus tratos. Nestas situações, é leviandade afirmar “quem está mal, muda-se”, como se num estalar de dedos a tragédia se evaporasse.

CAFÉ DA MANHÃ


A ler: Madalena Palma e Rui Pelejão


Desde Ontem



“A Perna do Ípsilon” - Onde se fala da mutação genética que pode explicar(?) alguma da infidelidade masculina

Presente que mui agradeço



Pirata-Vermelho
publicado por Maria Brojo às 08:37
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Quarta-feira, 3 de Setembro de 2008

VIVER É PASSEIO NUM PARQUE?


Anton Losenko

Ainda o tempo é de ameixas e amadurecem os “pêssegos das vinhas”, ainda os figos de Outubro estão verdes e miúdos, e já as manifestações de professores são notícia. Pelo visto no domingo, no regresso do sul onde Portugal acaba, ainda muitos para o mesmo sítio carregam toalhas e cadeiras de praia, pele virgem de UVs que por lá tencionam transformar em melanina.

“Sou do tempo” – adoro lugares-comuns que os publicitários aproveitam! – em que as «manifs» chegavam ao mesmo tempo que as primeiras castanhas e chuvas de Outubro. Começavam pela Carris, fatalmente. Antes, houvera o anúncio das lides com o capote dos partidos nas romarias do Pontal ou doutro lugarejo. O touro da oposição era o de sempre: o Governo. Faena à portuguesa com toureiros incompetentes.

Agora, foi quebrado o conforto das primícias tradicionais. A Carris aquieta-se e saem à rua milhares de professores sem colocação. Porque pasmar de surpresa é valor que preservo – a incapacidade de ser surpreendido revela desilusão crónica ou cinismo convicto – pendi o queixo pela carga de espanto. Então é suposto o Estado empregar todos aqueles que na Educação decidiram fazer vida? E os advogados? E os engenheiros? E os arquitectos? Virão também para a rua envoltos em faixas negras? Cobri-los-ia o ridículo!

Em tempo de emprego incerto, escolher profissão atascada de candidatos é risco que o próprio deve calcular. Uma licenciatura há muito deixou de ser passaporte para carreira garantida. Fazer pela vida, ser criativo, escolher vaga empreendedora é o caminho. Alguém disse aos humanos que viver é passeio num parque? E se tal foi sequer imaginado recomendo mezinha eficaz: mergulho no real frio. No início, a pele arrepia; depois, habitua-se e nadar é desafio.

CAFÉ DA MANHÃ


A ler: Paula Capaz



Desde Ontem


“O Tubarão” – “Um desgraçado é vítima de erro judiciário e do tribunal. “Vai dentro”. Fica com a vida e a reputação de rastos. Com sorte, talvez (...)”
publicado por Maria Brojo às 09:06
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Terça-feira, 2 de Setembro de 2008

ATÉ À SEÑORA DO ROCIO






















CAFÉ DA MANHÃ


A ler: Leonor Barros e Manuel S. Fonseca
publicado por Maria Brojo às 08:48
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Lembrai os filhos do FUHRER, QUE NASCIAM NOS COLEG...
Esta narrativa, de contornos reais ou ficionais, t...
Olá!Como vai?Já passaram uns meses... sem saber de...
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Autor que não foi possível identificar: Andrew Atr...
De férias , para sempre. Fechou a loja... :-(
Curta as férias querida...Beijos
ABANDONODAVID MOURÃO FERREIRAPor teu livre pensame...
Ainda?Isso aí no Inverno é gelado ;-)

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