Sexta-feira, 7 de Abril de 2006

RALAÇÕES SENTIMENTAIS


Deborah Poynton

Homens e mulheres, heterossexuais, no momento V (de viragem). O momento em que eles se fartaram de limpar a casa uma vez por cada nova namorada e no resto do tempo se entretêm a dar pontapés nas bolas de cotão. Em que, sentindo as vertigens do abismo - leia-se compromisso quotidiano -, regridem às one-night stands, negam os rituais higiénicos e ouvem o Bob Marley, “No woman, no cry.” Aquele preciso momento em que elas começam a odiar jantares solitários e cuecas a secar nas maçanetas das portas. Delas, claro. Aos collants sem a menor das graças. Aos pijamas de ursinhos. Às pantufas-elefante que arrastam pela casa com o donaire e a leveza de... elefantes. Eis que uns e outros apresentam sinais infalíveis de virem a tropeçar numa típica paixão romântica.

Chegadas as coisas a este ponto, sem quererem aceitar o óbvio, dilatam no tempo a tomada de consciência. Ele dirá que se deu por si a cozinhar foi pelo mais formal pragmatismo – demora mais comprar um congelado e torná-lo comestível, do que cozinhado simples e uma salada. Que se, em plena crise de ansiedade, optou trocar por um banho quente uns copos valentes ou umas gramas de qualquer coisa inominável, foi mero acaso. Ela jamais aceitará que o saco atafulhado de lingerie desirmanada e pingona, mais os pijamas de ursos e os elefantes dos pés que arrasta a caminho da arrecadação, tem qualquer relação causa-efeito com o arrepio induzido pelo homem podre de bom que nela demorou “Aquele olhar!” Até, suprema humilhação!, virou a cabeça para trás e para o lado não interrompesse ela a corrente de ar que levasse a outra a quentura “daquele olhar...”

Quem vê sabe-os maduros. Prontos a cair da árvore independente em que julgaram permanecer até durarem os dentes e a lucidez. E caem. Primeiro eles, depois os dentes. E coabitam. Casam até. Mais depressa apanhados pelo momento V do que eles apanharam o ponto G. Que, de resto, descobrem mais tarde, não tem a menor importância comparado com o momento G (de gugu-dadá).
publicado por Maria Brojo às 16:25
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De JG a 8 de Abril de 2006
Pois é...os homens...como há dias ouvi da boca de uma atriz numa série americana:
"Os homens...não podemos matá-los, nem viver sem eles".
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