Yvonne Gilbert O dia aprestava-se a terminar com fora iniciado: pejado de compromissos e tarefas menores, porém imprescindíveis. Pela ansiedade que Lisboa vestiu desde o acordar que o Portugal-Alemanha dominava, troquei as teses e esperanças dos doutorados em futebol que as rádios propagandeavam pela voz rouca do Rod Stewart enquanto conduzia. Da nostálgica sopa de êxitos do século passado faço contraponto a ociosas convulsões nacionais.
Mal foram pousados sacos, mala, pasta, porta-fatos merecedor de cuidado, a música que identifica número amigo tocou. Escarafunchei a mala em busca do som abafado. A voz chegou pesada de angustia e lágrimas. Afligi-me - jamais a sentira assim. Quis saber o porquê. Silêncio a custo interrompido pelo que entendi como pudor. Pela garantia da intimidade das partilhas, intuí o fio a puxar. Do tudo sentido, ouvi o quase. Chegou. A crueldade que a tantas mulheres descasadas é infligida, era a razão. Sozinhas, os pais dos filhos esquecem a obrigação paternal de contribuir com justiça para o crescimento daqueles que lhes fizeram luzir a alma, vigorando o contrato nupcial. Divorciados, o abandono das responsabilidades pelos ex-cônjuges, para sempre pais, é praga comum. E são elas, as mães, que esticam o ordenado, abdicam de necessidades pessoais e contam os cêntimos diários. Engolem sacrifícios e tentam, aos filhos, assegurar o essencial.
Qual o vazio do Universo onde se esvaem amores e responsabilidades de tantos homens-pais separados? Alegremente, continuam a desbaratar o sémen. Das prioridades omitem as crianças entregues (abandonadas?) à ex-mulher e mãe.
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