
</i> Carlos Diez </i>
Nos mundos teocráticos de anteontens históricos, a transgressão da fé podia ser política ou sexual. Por isso os inquisidores puniam as mulheres, expurgando o mal nascido pela fatalidade do corpo sexuado. Rectidão e justiça eram qualidades fugidas do feminino, por via do nascimento de uma costela torta de Adão. Copulariam, não somente para perpetuar vida - comose esperaria de espírito mui recatado-, mas também por diabólico prazer. Pela fertilidade, a mulher era vaca sagrada, pela capacidade orgástica e pela malícia, viciosa. Feiticeira à conta da íntima relação com o demónio que lhe habitava as grutas do corpo.
Romperam-se dois tabus que "mataram" socialmente as feiticeiras: a inserção no mundo público e a procura do prazer sem repressão. De podres caíram dois pilares da opressão feminina: controle da sexualidade e reclusão ao privado. Advém que as bruxas são hoje legião. Bruxas, que não correm já o risco de serem queimadas vivas, integram o feminino da história.Resgatam o prazer, a solidariedade e a união com a natureza. Finalmente, vingadas as bruxas medievais.
CAFÉ DA MANHÃ "O Suave Milagre dos Livros de Auto-Ajuda" - "Mão inimiga, deduzi ao abrir o presente no último Natal, entregou-me embrulho vistoso. Inocente, (...)" Às segundas, Mauro Castro partilha o sentir do Brasil.