Autor que não foi possível identificar Até ontem, senti-me como se um imponente camião TIR me tivesse confundido com asfalto e rolado, com indiferença, por cima. Numa travagem súbita, derramou a mercadoria sobre o «eu» espalmado debaixo dos pneus. Arrasada por império de comoções motins que tomam de assalto o espírito e tentam (des)contruí-lo virando os alicerces para o ar. O corpo dorido como vívida memória do cerco guerreiro e da alegria entretecida com fios de saudade e afectos em chama.
Se dos momentos felizes somente forem vistos palmas e foguetes, é certo o engano. Porque palmas entusiastas encarniçam as mãos e da ascensão foguetória, ainda por alcançar o pico de altura, as canas, em hipérbole, vêm directas ao chão, é incerto o tempo do salve-se quem puder. Não raro, embatem nas cabeças deslumbradas pelo estralejar colorido.
Seja pelas horas do depois, ou porque o ser oculta capacidades notáveis de reconstrução, já as palavras correm fluidas e o pensar desliza sereno. É sempre assim. Por isto não temo excessos de emoções e me entrego indefesa. Pouco vale a pena além da intensidade no viver. E que venha a frota inteira de camiões. Que desbaratem o carrego em cima do que sou. Não os temo. Sei da força, sei do valor dos afectos familiares, sei do modo como o «eu» enriquece e sai fortalecido das hetacombes felizes. Venham mais!
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