Drudwyn É tão fácil escrever sobre miudezas. Assinar indignações pelos juizes amassados no Quartel dos Bombeiros de Santa Maria da Feira. Apavorar, os já de si atemorizados trabalhadores, com a chegada das 65h por semana laboral, diminuindo o exíguo descanso nocturno dos médicos e outros profissionais. Bem contadas, asseguram atingirem as setenta. Novo motivo para rebelião. E falam do que me soa fútil e a tantos parece decisivo. Porque o «ser» é mudança, estranho anestesiados modos de vida. E pus de lado a menina da rádio costumada. A mulher ouve, agora, música digitalizada. Trabalha, escreve e lê. Reorganiza o espaço doméstico. Atravessa meia-Lisboa para emoldurar originais em acervo. Pede urgência, habituada que está a esse modo de estar. Alinha, por cima, as molduras coordenadas no tom. Persiste no verde-lima e no pérola. Descobre sacos marroquinos e sedas indianas que há muito esquecera nas caixas. Atende à harmonia dos sons que lhe acompanham os pés nus. A seda triangular que a envolve descai do ombro passo sim, passo não. Alinha velas multicolores na base de bétula. Ordena livros, memórias e presente. (Des)Alinha fotografias. Espera o perfume que, pela madrugada, ao dela irá misturar-se. Diluída em aromas e semi-luzes, quase esquece quem é.
CAFÉ DA MANHÃ No Ventre Cheio de uma Mulher Quando o ventre de uma mulher é lugar prenhe de vida e amor, desaba o mundo das pequenas coisas (...) A Areia Sueca O Parlamento sueco aprovou a dezoito de Junho de 2008 uma das mais controversas leis que, a pretexto da mais que justificada luta. (...)