Domingo, 29 de Junho de 2008

NÃO-AMIGA DORMIDA


Alexandra

Raramente falavam pelo meio que a distância impunha: o telemóvel. Anunciava hoje que a queria amanhã. Havendo incompatibilidade de agenda, “daqui a duas horas e meia estou aí”, dizia. Ela assentia, ou não. E ele chegava duas horas depois. Ligava ao estacionar – “custou a espera?” Serena, ela respondia: “Já abri”. Após o abraço e antes do beijo, ele pedia como favor exclusivo: “calça, por favor.” E ela, vestida de transparência mínima violeta encimada por triângulos de renda enlaçados no pescoço, surgia num vou-ali-volto-já acrescentando aos noventa e cinco centímetros de perna os stilettos prateados. Descalçava-os entre dois goles de Moët et Chandon – a loja Gourmet falhara a entrega do Cristal Brut Louis Roederer.

Enquanto a noite de sono deslizava, ele nela procurou a feminina curva da barriga. Na volta concâva onde era suposto encontrá-la, quedou o gesto. Não acordasse a não-amiga dormida, pousou na anca a mão. Mal ele sabia que setenta e duas horas atrás, outro ficara tão perplexo quanto ele. Semelhança que ela calou.

CAFÉ DA MANHÃ


A ler: Marta Botelho e Paulo Simões Mendes
publicado por Maria Brojo às 11:03
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