Perguntou Lou Reed: Mas porque raios nos convidaram para a mesma noite? Boa questão! Juntar Reed e Cohen só lembra a portugueses com a azia de quem oscila entre o papo vazio e o cheio. A pelintrice armada ao fino é no que dá. Não bastando o bastante, os motards faltam aos concertos por terem corrido para Faro. Entre jargões, tatuagens, borrachas, cabedais ao sol e excentricidades montadas em duas rodas, prevejo ocasião para compita rara no género: a minha é melhor que a tua! A noite das strippers foi ontem mas é suposto renovarem o stock hoje.
Em Lisboa, a escolha não é fácil, conquanto as entidades promotoras dos concertos afirmem diferentes os amantes do folk rock poético de Cohen dos seguidores do rockn roll tirado às entranhas. Peculiar é fazerem da coincidência guerra de números como é uso nas greves e nos comícios eleitorais. Para cúmulo, hoje, a Adriana Calcanhoto é cabeça de cartaz no Alto da Ajuda nas noites quentes do Delta Tejo. E se estão apetecíveis para mínimos de roupa, liberdade, mão na mão, no pescoço ou na cintura...
Pela overdose musical, lembro o nonagésimo aniversário de Mandela. Da esquerda á direita, o apreço é geral. O legado de uma África do Sul pacífica e multicolorida não existe - xenofobia, crime, HIV, pobreza, divisões no ANC provam-no. Bonito de ver, foi Amy Winehouse sair, sob precária, do hospital onde tenta reabilitar-se para actuar sóbria, em Londes, no concerto de homenagem a Mandela.