Pierre-Narcisse Guerin O Hermitage deu o dito por não dito e desistiu do pólo permanente em Portugal. Lutámos com armas desiguais, foi o que foi. Empatámos milhão e meio de euros com o ensaio no Palácio da Ajuda, tentámos exibir rigor, usámos falinhas mansas, diplomacia de bastidores e cautelas que aos russos pareceram maçadas e sarilhos incompetentes. Ora, para eles burocracia é coisa séria. Vê-la aviltada às três pancadas, sem rublos, euros, dólares afinal, a Guerra Fria já lá vai há tanto tempo! enrolados na mão que apertam, é ofensa.
Consequências: o Museu Soares dos Reis, no Porto, fica a chuchar no dedo, e regresso da exposição a Lisboa nem vê-lo! O Piotroyski, mão-de-ferro do Hermitage, é duro e cortante como calhau de gelo solidificado com vodka.
Vantagens: a Galeria D. Luís I, na Ajuda, sofreu obras de requalificação no valor de 850 mil euros, ordenadas pela ex-ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, minha estimada parceira de ginásio.
O actual ministro da referida pasta remete a culpa para os russos. Eles devolvem-lha numa só tacada: "Normalmente cumprimos os nossos acordos. Se o Governo português quiser, fazemos a exposição. Estamos prontos. Mas, para fazer uma exposição, é preciso mais do que dizer coisas. Há procedimentos a tomar. [Neste momento] temos apenas um acordo geral. São precisos acordos específicos.
De duas, uma: ou os russos mudaram muito, ou teimamos em atavismos que deviam ter finado. Para mim, digo: em bicos-de-pés, somos os enrascados de sempre.
CAFÉ DA MANHÃ O Terror de «Quinar» Morremos por tudo e por nada. Morro de fome, de sede, de cansaço, de sono, de vontade, de tédio, de calor, de frio, de dor-de-cabeça e (...) Mauro Castro, às segundas, é o meu parceiro de escrita