Terry Rodgers Os cabeleireiros ditos unissexo - termo impreciso por serem os homens intrusos e as mulheres rainhas têm vantagens: revistas masculinas à mão. Numa delas, datada de Maio, cronista que parecia competente declarava fácil distinguir mulherengo eficaz de imitação menor. Registei o que suspeitava: homem dado a espalhar sémen em múltiplas grutas, quando está com uma, desliga o exterior. Das outras, melhor seria dizer.
À fêmea do momento assim considera uma mulher - entrega-se de corpo e sobra de alma. Ilude-a com a disponibilidade, na aparência, total. Em presença, recusa chamadas, ou atende-as com aparente enfado. E elas, por ignorância do espécime, tomam os factos como indícios de afecto. Ledo engano... Mal dela se afaste, dá sequência aos arranjos. Uma de cada vez é o lema. Na ausência, é de ouro o silêncio - as outras merecem semelhante e iludida exclusividade. Rodando a tômbola, voltam à sequência.
O cronista ia além: mulherengo encartado reconhece provável a condição de «corno». Como prevenção, aparenta ciúmes que reverte em fantasias («pormaior» fundamental, garantia o artigo). Ali chegada, pasmei com a lista das minúcias e argúcias. Concluí: nós, mulheres, somos podres de boas em atributos e cérebros. Para alguns se darem a empreitadas tamanhas pela expectativa de partilha de funduras e proeminências, quando nós, postas em sossego, nem um passo damos, é inquestionável o tesouro que arrecadamos. Mais digo: o cérebro, que a gruta comanda, é a preciosidade maior.
CAFÉ DA MANHÃ A ler: Paula Capaz e António Costa Santos