Delia Brown Ele abeira os sessenta. Casado há trinta e cinco anos. Ela mimada com
griffes, viagens, condomínio a preceito, automóvel, cartão de crédito
à laise da consumidora compulsiva. Sócia da empresa engendrada por ele. De há pouco a esta parte, decidiu pedir o divórcio enrabichada, via net, por GNR musculado que julgo competente em iludir mulheres à cata de auto-estima e de lifting romântico. Ela caiu como pata em águas-sujas que tomou como frescas. Assim seja!
Começou por separar quartos. Ela. Após o dia que nunca lhe foi pesado banho de lojas e disse-que-disse com amigas seguia o duche matinal -, remetia-se à clausura do quarto. O computador, com ela. Pela manhã, renovava o ritual e seguia, máquina a tiracolo, no automóvel comprado pelo marido. Não fosse Belzebu tecê-las, a prova do delito ia colada. Ele atentava e percebia o não-contado. Deixou andar, não fosse resquício da menopausa ou da cirurgia limpa-útero que ele pagou e seguiu, tolerante, na qualidade de marido atencioso que jamais descurara.
Decidida a tomar rédea na empresa, diariamente apresenta-se, agora, ao serviço. Aos mundos-e-fundos que exigiu basicamente, ele ficava com a cama e ela levava para a segunda casa o que bem lhe apetecia , resolveu acrescentar provocações públicas. Ele caiu ensaiou um pontapé que não logrou atingir o alvo. Ela apresentou queixa-crime uma semana depois presumo ter sido quando lhe doeu. Por testemunhas, empregadas. Com a testemunha maior, a má consciência, pode bem.
Entretanto, vai com o GNR às compras -
lady de Max Mara, Burberrys e Lanvin, adquiriu, no El Corte Inglés, halteres que ao guarda fortalecessem os bíceps. O marido e o filho são pormenores de somenos.
CAFÉ DA MANHÃ "Longe" - "A tecnologia informática permite parágrafos publicados em dia e hora previamente definidos. Longe dos lugares (...)" António Costa Santos