Paulo Toledo País trôpego, gentes julgadas mancas. Mãe bastarda e briga familiar fizeram nascer Portugal. Do burgo de Portucale ao reino tomado por conta e risco de Afonso Henriques, não se esticaram os anos. Terra com pouco a contar se, de ouvido rente ao chão, ignorarmos os ecos da evolução incerta entre dois mundos políticos diferentes: fronteiras oscilando entre os reinos cristãos e a influência muçulmana e islâmica.
Território acanhado, pobre, de pedregulhos agrestes entrecortados por leiras de solo castanho e húmido aventurando-se ao mar. O do interior dado ao centeio e à oliveira, o do litoral propício ao milho e verduras. A pastorícia e a pesca espreitavam amenidades atmosféricas para trazer à mesa o pão que as invernias negavam.
Do «ontem», assim resumido, há diferenças no presente. Continuamos, porém, leira acanhada, pobres como antes, desencantados por vocação. Penhorámos ilusões, mas é nosso o espírito vadio que nos elevou a cumes onde outros não chegaram, sem recuarmos a séculos em que os genes por nós acartados eram pedaço de junco de ribeira.
Dêem ânimo a esta gente antes que as cãs sejam todo o cabelo. Não acenem com benfeitorias, idas ao bufete e folguedos, subestimando a lusa inteligência. Sabemos quem somos e o que queremos. Do gato e da lebre enumeramos as diferenças. Exigimos pouco como alimento da energia derramada em suor para empurrar o país: verdade, hombridade e carácter.
CAFÉ DA MANHÃ A ler: Marta Botelho