John kacere Malgas e nalgas. Nos povoados do interior centro, malgas de sopa mataram fome a muita gente. Tigelas eram coisa fina. Muito mais finas não sei!, conquanto no presente ainda dêm arranjo - sopa fria e cereais odeio esparramá-los em pratos. Não aconchegam o que come primeiro: os olhos. Meus, no caso vertente.
As nalgas como palavra são malgas sem uma perna. Nádegas de facto. Curvas e cheias; calotes esféricas que se querem firmes. Mulher de nalgas apetecíveis que oscilem entaladas por saia fina, deixam muito homem escorrendo água pelos beiços. Idos houve em que os garotões fingiam desequilíbrios para tombarem contra os alqueires de oscilação gémea. E quando tocar nas nalgas era lubricidade (im)pensável, trocava-se o acto pela ameaça: do que ela está a precisar sei eu... de umas boas «nalgadas»!
Solteiros e mal-maridados muitas nalgas provaram nas malhadas espevitadas pela água dos lameiros. As saias subiam e as calças baixavam num entra-e-sai tão corrido que o restolhar da erva mal parecia ter acontecido. Não fora o escarlate das faces, ou as tremuras a bambarem as pernas, ninguém daria por nada. Mas dava. Meio-pequeno tem destas coisas passar despercebido é coisa que não existe. Cheirando a escândalo ou a prática devassa, o disse-que-disse é mais rápido que Pai-nosso. Para as malvas as reputações, nas nalgas o proveito.
CAFÉ DA MANHÃ A ler: Madalena Palma e Rui Pelejão