Autor quen não foi possível identificar Ser feliz por obrigação é infelicidade sazonal. Vem com os melões e as melancias, os abrunhos e os banhistas. Passar um ano às arrecuas com a vida, adiando projectos e apetites para as férias, é como fazer compota só com a fruta do quintal quando arrebanhada a bastante, ou a primícia apodrece ou é pequeno o panelão. Por mor deste empirismo culinário, tão certeiro como o de Hume, conservo a fruta apanhada e pelo ano fora faço o gosto à colher de pau. Com as demais gostosuras da vida, o mesmo parto e reparto, cuidando de gozar a maior parte. Esteja em férias ou não.
O meu espírito, ocasionalmente diletante, divaga num «quadrilema» antigo para opção de férias: segunda e própria casa, navio, dormida ou avião e dormida. Se o pessoal doméstico na urbe é raro, em tempo de férias vai-se, desaparece, dá às-de-vila-diogo. Sobra casarão para cuidar e amigos tão amigos que não param de chegar. Às tantas, são mais que as digníssimas mães e remédio só um: deixá-los felizes e juntos, optando os anfitriões pelo «trilema sobrante». Estando o físico de rastos, mais não aguento que
check-in directo a poiso apetecível e a distância conveniente. Espírito em tiras tão finas como as de chila esborrachada requer lonjura. Abalada, contudo erecta, opto pelo marítimo amanhecer de prata e avermelhado crepúsculo.
E se gosto de melão doce, melancia carnuda e abrunhos polposos, não salivo pelos sítios de "ir a banhos". Neste particular, reservo-lhes igual devoção à inspirada por imposições, festas
in, e feiras de verão distância.
CAFÉ DA MANHÃ A ler: Rititi e Carlos Amaral Dias