Jim Warren Calor, férias, praia, amigos, ondas, corpos, areia, frutos do mar. Ilusões, afectos, desejo, sonhos, mudança, risos, noites de luar. Não apetece seriedade, é legítimo ser ocioso, estar dispensado de normas e interditos, ser frívolo sem chibatadas alheias ou do próprio. Que este seja o tempo de correr atrás do nada, imprimir frágeis pegadas na areia molhada, olhar à volta e omitir o que não é belo ou afável ou gracioso. Esquecer que no resto do ano muito é feito por obrigação, outro tanto porque sim, raramente porque não. Deixar que o pó se deposite em paz. Esquecer pontualidade e disciplina e método. Acordar se a espertina vier e fruir do prazer de caminhar quando a noite respira suavemente.
Fazer o apetecido legítima aspiração neste recorte do ano. Adiando o que apetece, pelo final do interlúdio nem os frutos do mar saboreámos mexilhões, surfistas, harmonias andantes, búzios, nadadores-salvadores calados e o
bartender bem falado, ostras, as benção dos deuses na forma de gente humorada, risonha, desejável e desejando. Quem garante haver mais para o ano?
CAFÉ DA MANHÃ A ler: Teresa C. e Mauro Castro