Autor que não foi possível identificar Era o tempo, julgado sem tempo, de todos os (re)começos numa alvorada macia de Verão. Nunca quisera fazer de Roma destino. Tenho lugares mitificados passo direito à desilusão, sei! que reclamam conjugar momento e companhia. Contigo juntei as condições. Acedeste, malgré tantos regressos que de Roma contavas. Também isso espevitou o apetite. Queria um teste. Assegurar a impossibilidade das tuas memórias emudecerem o nosso presente.
Sabia dos ocres, da patina que os esfarrapa, de Bernini e das fontes, da vivacidade das
piazzas e do trânsito. Do Tibre fantasiava o vaguear ondulante como anca de mulher desfilando na Via Del Corso. Ignorava o recorte doce dos pinheiros mansos na safira do céu. A moleza da tarde nos pátios das
villas. A nobreza do museu imenso e destelhado. O aroma de um
vero capuccino numa esplanada sombreada.
Vagabundeámos, perdidos, até à rendição na paz florida da
trattoria na Via Veneto. Ao atirar, com fé que não te contei, à fonte a moeda, a Piazza di Trevi não se ateve ao riso em que me abandonei. Entreteci propósitos e certezas. Incertas como todas. A predição cumpriu-se: amontoo regressos a Roma. Mas o tempo, rápido como pardal, fugidio como peixe, tudo mudou. É Veneza que hoje adio. Irei negá-la até um Big Bang emotivo a impor. Momento zero de um caldo de novas vidas.
CAFÉ DA MANHÃ A ler: Paula Capaz e António Costa Santos