Pela primeira vez, duas vezes por semana, sei o que é o Nine to Five. Não me parece mal: faltava-me a experiência comum a tantas mulheres submetidas a horário comum. Não que seja secretária numa grande empresa como eram a Jane Fonda, a Lily Tomlin e a Dolly Paton. Felizmente, estou longe de servir um chefe com mau carácter, machista, hipócrita e aproveitador que me infernize a vida. Arredada está a hipótese de me perseguir sexualmente perderia o tempo e o engenho. Nem preciso de humilhar, em parceria, quem me dirige como acontecia no Nine To Five, hilariante comédia de 1980 dirigida por Colin Higgins. Uma Mulher fantástica é a minha superiora hierárquica. Seria absurda qualquer retaliação, ainda por cima acumulando o cargo com o de amiga. Não que me abstivesse de comportamento assertivo se um(a) filho(a) da mãezinha se atrevesse a assédios para o conhaque. Juro que da vez primeira não passava, ou não me assine Teresa C. Se há coisa que me irrite é miscelânea de papéis e pesporrências de meia-tigela venham deles ou delas. Não sou fácil de domar, está visto!
Voltando ao que me traz aqui, o horário de mulher trabalhadora comum é dose a que não estava habituada. Ainda mal! Não tendo que ir à ama buscar o benjamim, passar pelo supermercado e comprar pernas de frango para a janta, recolher no colégio o mais velho, chegar a casa e trocar os saltos pelo avental, os ensinamentos obtidos são condizentes com o imaginado. Grandes Mulheres que o nosso povo engendra! Enquanto me fico no bem-bom alheado das tarefas domésticas e, mesmo assim, as horas cavalgam até a deita chegar, que dizer das minhas congéneres cujo final de dia obriga à multiplicação das horas como as Escrituras contam dos peixes? Presto homenagem à gestão que fazem do quotidiano. Ao amor que depõem nos afazeres. Ao sorriso e à conversa que anima o serão. À ternura que distribuem até o sono chegar.