Alberto Vargas De um conhecido ouvi dizer que ter um blogue é o mesmo que gemer em público. Mais dizia: para diário falta a privacidade, para soltar vagidos é de mau-gosto fazê-lo em público, como
copy/paste do que está a dar é inútil, para trampolim a mais altos voos carece de credibilidade e talento. Era o mesmo que afirmava que se lhe ofertassem a Fnac ficava com dez por cento e queimava o resto. Um pedante, em suma! Até fraseava bem, obedecendo em tudo à semântica e ao estilo próprio da escrita criativa. De tão enigmático, raramente o entendia. Textos para intelectos superiores ao desta humilde escriba.
O saboroso da blogosfera é vê-la partilhada por gentes públicas e notáveis, que, lado-a-lado convivem com dislates e registos avulsos de anónimos como eu. Um caldo sem eira-nem-beira que me atrai se na canja de galinha gosto de colocar na fervura uma cebola inteira, logo é visto que o género molde bem enformado não me satisfaz.
Estava o mundo dos blogues posto em sossego, quando ontem é aberto o
Blogue da Fundação José Saramago. O nosso Nobel, escrevendo de Lanzarote ou doutro sítio tão lunar como aquele entermeia dromedários com vinhedos que espreitam nas covas vulcânicas -, afirma que chegamos sempre aonde nos esperam. "Desculpas!" dirá o conhecido de outras eras. Uma carta de amor a Lisboa: «Mexendo nuns quantos papéis que já perderam a frescura da novidade, encontrei um artigo sobre Lisboa escrito há uns quantos anos, e, não me envergonho de confessá-lo, emocionei-me. Talvez porque não se trate realmente de um artigo, mas de uma carta de amor, de amor a Lisboa. Decidi então partilhá-la com os meus leitores e amigos tornando-a outra vez pública, agora na página infinita de internet e com ela inaugurar o meu espaço pessoal neste blog».
Isto sim, é suspiro com arte e engenho! Bem me apetecia ser o nitrato por detrás do espelho do antigo conhecimento!
CAFÉ DA MANHÃ Madalena Palma Rui Pelejão