Quarta-feira, 24 de Setembro de 2008

CARA DE METE-NOJO


Michel Gourdon

Acordei com a cara de mete-nojo habitual, daquela agravada por escassas quatro horas destinadas ao dormir. A condição de bicho nocturno não vai comigo – prefiro a ancestral sabedoria do “deitar cedo e cedo erguer” que me satisfaz a exigência biológica de oito horas de sono. Programa matinal: ser testemunha num processo de divórcio litigioso.

Estacionei onde pude. Depositei dois euros no sarcófago do parquímetro – ante mais do que menos e à cautela, dada a eficiência dos reboques e o imprevisível regresso à lata viária. Antes, suportara fila de trânsito inaudita para quem, sobre rodas, soe estar a menos de dez minutos da Praça de Espanha. Tive tempo para ruminar na insana atitude que leva um adulto (homem, no caso) a rejeitar pedido de divórcio. Pior: permanecer dois anos e meio no domicílio conjugal, sujeitando mulher e filhos a um clima de violência física e psicológica. A ela partiu-lhe um osso, continua refastelado na cama ex-conjugal, frui do quarto “ensuite”. A candidata a «ex» dorme no sofá num recanto do salão. Ele vigia quem há vinte anos sustenta a família. Dos filhos faz marionetas. Invade a precária privacidade da mulher seja enquanto ela dorme, ou no veste-e-despe. Ambiente de terror que, sabiamente filmado, eriçaria os pêlos a qualquer.

A escrivã mandou-me às malvas hora e meia após a chegada. Em Novembro, lá estarei. Que por mim nem um dia mais continue o ambiente malsão naquela casa.

CAFÉ DA MANHÃ


Madalena Palma


Rui Pelejão


MEMORANDO VIRTUAL


1. “A propósito do caso da destruição dos painéis da Maria Keil, pelo Metropolitano de Lisboa, está no ar uma petição para pedir ao Conselho de Gerência desta empresa que procure obter os desenhos originais e mande executar de novo os painéis destruídos.

Se quiserem subscrever esta petição, está neste sítio. Pior que o crime cometido, será o silêncio...”

2. Agradeço aos leitores os mimos de ontem. Amanhã, enunciarei um a um. Arrecadei cada palavra com infinita estima.
publicado por Maria Brojo às 21:11
link do post | Veneno ou Açúcar? | favorito
2 comentários:
De Teresa C. a 27 de Setembro de 2008 às 12:17
Apenas um Gajo - A incompreensão é mútua. Aliás, duvido que haja explicação salvo a antiga máxima: "nos divórcios, gente do bairro da Lapa ou da lata é igual".
De apenas um gajo a 25 de Setembro de 2008 às 23:48
Não entendo mesmo que alguém faça porque uma relação chegue a esse nível doentio. Se o outro não quer nada connosco, para quê a violência, para quê a mágoa constante, que prazer doentio é esse? não entendo mesmo...

Um beijo

Comentar post

últ. comentários

Lembrai os filhos do FUHRER, QUE NASCIAM NOS COLEG...
Esta narrativa, de contornos reais ou ficionais, t...
Olá!Como vai?Já passaram uns meses... sem saber de...
continuo a espera de voltar a ler-te
decidi ontem voltar a ser blogger, decidi voltar a...
Autor que não foi possível identificar: Andrew Atr...
De férias , para sempre. Fechou a loja... :-(
Curta as férias querida...Beijos
ABANDONODAVID MOURÃO FERREIRAPor teu livre pensame...
Ainda?Isso aí no Inverno é gelado ;-)

Julho 2015

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

pesquisa

links

arquivos

tags

todas as tags

subscrever feeds