Quinta-feira, 7 de Janeiro de 2010

A MÃE VIA TV


Walter Girotto

 

Mãe divorciada e filha única. Intensa a ligação que as unia. A jovem revelava personalidade conturbada. A mãe, atenta, nada deixou passar. Procurou mais saber. Aconselhou a filha já mulher, vinte e poucos, a tentar resolver o que o diálogo entre as duas não conseguia. Assim foi – anos de psicoterapia sem resultados nos primeiros. A custo, pela carestia das sessões e défice financeiro para o sustento, a Graça conseguiu que a vida da «sua menina» melhorasse. Razão diagnosticada e aceite, com amor mútuo, pelas duas.

 

Num serão, a mãe via TV. Reportagem sobre o tema que tantos danos havia causado, e causava, à pequena família. No ecrã, a imagem com nome e rosto: da filha. Acompanhada. Os telefones gritando pedidos de atendimento. Ignorados pela Graça – do que assistia não despegava o olhar enquanto as lágrimas corriam. Sem coragem para ouvir o escândalo vozeado de amigos e da família alargada.

 

Sabia da homossexualidade da mulher de quem sonhara ter, um dia, netos. Dos horrores passados até à assunção da preferência. Num instante, revelado o que era íntimo. Opção da filha e da namorada. Nada esconderam das dificuldades no percurso. Mas amavam-se. Finalmente, em paz e felizes.

 

Quando é tratado o casamento homossexual, referendo sim ou não, qual a designação adequada para o contrato civil celebrado entre seres do mesmo sexo que partilham afecto, economia e abrigo, espanta o ouvido. Desde doença a crime contra natura tudo é mencionado.

 

Porque qualquer opção honesta me parece legítima, porque não entendo a causa de tanto ruído, porque todas as gentes têm direitos iguais aos dos semelhantes, pasmo. Tanta balbúrdia pelo óbvio que espíritos livres aceitam sem pestanejo, confunde-me. Ou não – tolerância, utopias e os ideais merecem nomes pejorativos. “És crédula”, “ingénua”, “desadaptada ao tempo em que vives”. Talvez. Mas sou eu. Posso e quero crescer. Todavia, do essencial não abdico.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

publicado por Maria Brojo às 06:34
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15 comentários:
De -pirata-vermelho- a 7 de Janeiro de 2010
Pitonisa.
Bem sabe como sou anti-casamentices mas reconheço a sua proclamação -muitobem!
Quem quiser que se case e não chateie. O numero de casamentos entre pessoas do mesmo sexo não iria alterar o peso ou a força opressiva da játãoarreigada Instituição.

Agradeça à sua igreja a guerra e a alguns despadrados seguidores a 'guerra' desencadeada.
De -pirata-vermelho- a 7 de Janeiro de 2010
Apague-se a primeira 'a guerra', por favor
De zeka a 7 de Janeiro de 2010
Todas as guerras, PLEASE!

http://www.pleasestopwar.com/
De Maria Brojo a 7 de Janeiro de 2010
Pirata-Vermelho - juro que tentei suprimir a 'guerra'. O sistema, ou a minha ignorância no que dele sei fazer, não permite.
De zeka a 7 de Janeiro de 2010
Passados os Reis (sem reparo?) é caso para dizer 'Ano Novo - Vida NovA'.

Era interessante se conseguíssemos estabelecer uma lista de prioridades: pessoal, nacional, mundial.

Distinguindo o urgente e o importante.

Estamos no Ano Europeu da Luta Contra a Pobreza.
Portugal tem 2 milhões de Pobres...

Aparentemente, não nos concentramos em nada e tudo serve de 'distracção'. Haja pachorra.

Sempre alguém, por 'direitos' não consignados, quer alterar a 'ordem estabelecida'.

Então, exijamos alteração/liberalização dos horários de trabalho e obtenhamos assim pleno emprego, distribuindo o (pouco) que há por fazer por todos os candidatos.

Quando a maioria (?) dos 'jovens' já não se casa, ficando 'em casa' dos pais até... sempre (?), para que havemos de andar 'ralados' com 'meia dúzia' de casos de pares que se querem casar?
Ainda não resolvemos o problema do divórcio (não litigioso)?
Será que o Simplex e a Empresa-na-Hora não resolveriam tudo isso sem maçadas?

«Uma das medidas do Programa Simplex, a "Licença de Caça via Multibanco", foi hoje laureada com o Prémio Europeu de Administração Electrónica... 19/11/2009»
http://www.simplex.pt/index.asp

«Serviços Empresa Online
A AMA - Agência para a Modernização Administrativa e o Ministério da Justiça são as entidades promotoras desta iniciativa, que conta com a colaboração do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social e do Ministério das Finanças e Administração Pública e com o patrocínio do Gabinete da Secretária de Estado da Modernização Administrativa.»
http://www.portaldaempresa.pt/cve/pt/eol/

Também não per cebo (?) -nem os políticos- se se deve fazer um Refer endo -e se os de puta dos têm liber dade de voto.
Então, quando já 90.000 entregaram uma petição na AR (que pode não servir de 'nada') para quê 'bater no ceguinho'?

ANO NOVO => vIDA nOVA : aBAIXO o cASAMENTO!

(a Vida continuará serena mente, enquanto aLGUÉM não res sus citar os Touros de Barrancos ou tro peçar no cócó do cão)
http://www.vejaisso.com/2008/02/04/ensine-seu-cachorro-a-limpar-seu-proprio-coco-adestramento-gratuito/
De Maria Brojo a 7 de Janeiro de 2010
Zeka - existem outras prioridades, concordo. Este (des)caso, porque de mais fácil solução, levou a dianteira. Mas também acrescento: recuso desigualdades, mesmo se por esbatê-las pouco faço.

Gabo a paciência aos milhares que subscreveram a petição, quando desertaram de outras bem mais decisivas para os portugueses.
De zeka a 7 de Janeiro de 2010
Quais?

Não sei se serão os mesmos...
De Maria Brojo a 7 de Janeiro de 2010
Zeka - olhe que são, olhe que são... I presume!
De zeka a 7 de Janeiro de 2010
I'm not sure... I don't presume that!

Quais Desigualdades?
Quais Petições?
De Maria Brojo a 7 de Janeiro de 2010
Zeka - prioridades que referiu e as petições frívolas - tantas são! - que peregrinam por aí.

"Sites" existem que muito lucram com elas (as petições, entenda-me, 'please'!).
De zeka a 7 de Janeiro de 2010
Teresa C. - Quais Desigualdades?
Não estava a ver estes 90.000 ligados a site/s.
De marta a 7 de Janeiro de 2010
Completamente de acordo consigo, Teresa
Mas pegando no final do comentário do pirata-vermelho, a igreja já devia ter percebido que nada tem a ver com o casamento civil.
No fundo, o problema não é tanto o casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas antes a possibilidade de, estes mesmos casais, poderem adoptar crianças e isso é que é o 'sacrilégio'
Veja-se a proposta do PSD
De Maria Brojo a 7 de Janeiro de 2010
Marta - tal qual! E tanto já foi debatido sobre o 'sacrilégio! por «psis» e sociólogos...
De António a 7 de Janeiro de 2010
os sacrilégios vão mudando, aos poucos, e como se diz pelo menos desde há 500 anos, não tanto como soía

é óbvio que é bem lembrado que o casamento não foi instituído por resolução do conselho de ministros (sic, deputado centrista Ribeiro e Castro) mas nesse tempo ainda ninguém tinha reparado na ampla gama de efeitos do aquecimento global, que faz crescer desejos casamenteiros quando o agora almejado instituto está tão generalizadamente em desuso

isto por cá, ressalve-se - o presidente sul-africano, zulu, frui alegremente do direito (ilimitado?) de se ir casando

como se faz em todo o mundo, com Hollywood na dianteira, mas com o atributo particular da simultaneidade, em vez de sucessivamente e bem sabemos que há coisas que só se conseguem a prestações ou mais intervaladamente

mas o mundo é livre e se a maioria já não pensa em casar, muitos não pensaram nunca e bastantes estarão arrependidos, é deixar experimentar quem a tal aspira

outros entendidos desbocados são de facto os padres, oficialmente obrigados a celibato formal, nem sempre guardando a correspectiva aparência e inspirando profícuo anedotário mas também muita literatura, cinefilia e outras várias filias

e depois há os fanáticos do referendo que são a terreiro mal lhes convém ou cheire a evolução civilizacional quando mereciam bem estar nas mesmas cavernas onde ainda vive o senhor deputado centrista Ribeiro e Castro

ah man !

;_)))




De Maria Brojo a 7 de Janeiro de 2010
António - ora aqui está um "post" perfeito! Acordo pleno.

Acabei de arengar ali em cima sobre os dedicados a referendos ociosos, petições (des)moralizadoras e afins. Desço um pouco na página e mais não sei dizer do que "Bravo!".

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