Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010

NO TEMPO DE ‘SÃO TALVEZ’

Fred Fields


Nesta sociedade que privilegia o conhecimento e contrai o Viver, Bolonha impôs-se. Objectivos primórdios: aumento da competitividade, da mobilidade e empregabilidade dos diplomados pelo ensino superior no espaço europeu.

 

Realidade do sistema:
- graus académicos facilmente legíveis e comparáveis;
- na essência,composto por dois ciclos - o primeiro, que em Portugal conduz ao grau de licenciado com duração compreendida entre seis e oito semestres, e o segundo traduzido no grau de mestre, com uma duração compreendida entre três e quatro semestres.
- generaliza créditos académicos (ECTS), transferíveis, acumuláveis, independentes da Instituição de Ensino frequentada e do país.
Na aparência, a bondade do sistema parece irrefutável.

 

Os mestrados são negócio lucrativo. As universidades fazem deles receitas extraordinárias - pagos, superlativamente, à cabeça, ou em dolorosas prestações. 14400 euros pelo grau é facto não raro. Os licenciados saem como pães dos fornos. No ano passado, dez mil a mais do que em 2008.

 

Se a licenciatura de cinco anos quase equivalia, socialmente, à quarta classe de décadas atrasadas no tempo, a «zipada» em três é análoga à segunda onde eram juntadas letras, mas não fazia coro a tabuada. Raciocínio falacioso, reconheço. Mais do que ensinamentos, a universidade deve fornecer competências. Adiadas do básico para o secundário e deste para a faculdade. Bolonha adia para o mestrado. O doutoramento, pelas bolsas remuneradas, virou emprego que difere a entrada no mercado laboral (in)existente.

 

Mais que sociedade do conhecimento, tempo de Viver adiado para ‘São Talvez’.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 06:23
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6 comentários:
De António a 20 de Janeiro de 2010
o adiamento e o talvez poderão ser virtuosos

no atrasado tempo da 4ª classe, a entrada no "mercado" de trabalho de "homens feitos" com 10 anos (hoje inconcebível até para irem ao WC sozinhos...) e já com famílias a cargo (voltemos ao Sr. Ventura e ao indoutorado Dr. Miguel Torga) seria mais perpetuador do atraso que propiciador de progresso

depois, a espécie humana (como dizia Fernando Pessoa, outro português também sem grau de mestre, o ser humano é o que à nascença sabe menos de todos os animais, por isso precisa de aprender!) tem-se especializado (lá está, perdoai a tautologia...) em aprender, para o que precisa de a) mais tempo; b) ainda mais tempo; e c) cada vez mais tempo, o que se relaciona com o prolongado tempo de gestação, o ainda mais prolongado tempo de amamentação, de educação, e por aí diante (a Clarinha ou alguém que corrija estes dislates, sff, ou faça alguma luz no tema) que nos vai levanto o ponto de maturidade cada vez mais lá para diante, até um dia alcançarmos a perfeição de um crânio de 5.000 cm3 para tanto cérebro e finalmente sermos... eternas crianças!

curiosamente, ontem, na Fundação Gulbenkian, Tara Ghandi, numa interessantíssima conferência, assinalava que o seu avô Mahatma se manteve sempre jovem!!

e perguntada sobre as ideias programáticas de Ghandi para a juventude afirmou que o avô ensinava que o essencial aos jovens era alimentarem-se bem, descansar, aprender, brincar, crescer em harmonia...

simples, não é?

objectivos programáticos? jametinhadito!!!

;_)))



De Maria Brojo a 20 de Janeiro de 2010
António - foi metáfora, como sei ter entendido, a tirada da 'segunda e quarta classe'.

Nada tendo de saudosista, ouço e vejo, torcida, notícias que dão conta do progressivo degradar do ensino universitário. Taxas de insucesso elevadas. Prometidas reformas que as diminuam. Maior o susto! Vem aí o facilitismo? No básico e no secundário, deu no que deu: jovens adultos quase iletrados. Documento que redijam carece de revisões palavra a palavra, mesmo com o inefável auxílio dos correctores ortográficos e de semântica. Entender desenvoltamente um texto é coisa do outro mundo. Redigir um e-mail, segundo regras comuns, missão difícil inexistindo normativo à vista.

O «saber» procurar informação, criar, ágil raciocínio lógico, fazer análise crítica do lido e produzido são competências decisivas que os «ensinos» supostamente incrementam. A minha experiência?
_ Nem por isso!
Talvez sorte a menos na amostragem que me rodeia (curiosamente provinda de suposta elite).

Mas sim, é importante não atafulhar os neurónios com conhecimentos ociosos e programáticos se comparados com o benefício da autonomia e criativade desenvolvida no «brincar».

De zeka a 21 de Janeiro de 2010
Aqui, o nível mantém-se elevado, com neurónios sim, ocioso$ talvez ;-)

http://noticias.portugalmail.pt/artigo/20100120/bastonario-contra-aumento-do-numero-de-vagas-para-medicina

E aqui também: são mais 200 milhões...
http://noticias.portugalmail.pt/artigo/20100111/ensino-superior-com-financiamento-alargado

Lá como cá? Veja!

http://www.youtube.com/watch?v=FS9fAvj5aMg&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=inwvpbujiWY&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=mOe5Q60vLQU
http://www.youtube.com/watch?v=SOSRpLd3IXQ&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=aoEaww9Oqrw&feature=related
De Maria Brojo a 22 de Janeiro de 2010
Zeka - sobre o primeiro tema proposto já perorei por aqui. O Bastonário está com a manta da razão. Voltarei ao assunto pelo merecimento e importância próprias.
De Ariadne a 20 de Janeiro de 2010
É bem verdade, as licenciaturas zipadas agora não dão para absolutamente nada. Mas para isso é que vem depois o mestrado. No fundo, licenciatura + mestrado acaba por ser o mesmo que uma licenciatura de 5 anos. Só que mais cara.
De Maria Brojo a 20 de Janeiro de 2010
Ariadne - exactamente! A economia de mercado no seu melhor: ganham alguns, perdem outros. Como sempre. Darwin, fosse vivo, merecia Nobel da Economia.
Ainda se as bolsas para continuação de estudos dos economicamente débeis funcionasse!

Visitei o seu «lugar». Gostei e volto.

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