Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2010

OSSOS COM SOBEJOS PODRES

Al Moore

 

Povo em causa. O nosso. Compassivo por mais haver para tratar, olha de soslaio os ecrãs. Cansado pela jornada e pela exiguidade da jorna. Entediado pelo mais do mesmo que lhe interrompe o caldo quente. Sem convite, entram no lar - suposto doce para quem preza ditos populares -  estafas além das contas sempre de subtrair. Porque os miúdos esgotam a esborrachada paciência, preferido olhar pasmo ou bovino. Raramente, crítico. Independente não é espera.

 

Osso por largar, a vergonhosa actuação de alguns jornalistas e lobbies. Vendem notícias na superlativa (directa seria lucro desinteressante) proporção da curiosidade grangeada. Como entretém ou fuga dos T2 e 3 onde os vizinhos são fantasmas e nem mexericos vazam das paredes, o povo compra. Boceja depois. Exaurido, excluído, extremado pela dureza do 'dia sim, dia sim'. Começa por rosnar “basta!” doméstico. No trabalho, prolonga-o em conversas de intervalo. Farto de lhe impingirem ossos com sobejos de carne podre que pouco mais oferecem para roer.

 

A má imprensa comporta-se como incompetente patroa de bordel: distribui «meninas» sem, num lance, avaliar o perfil do cliente; pelos brilhos de aluguer, esborrata pintura nas ofertas; diminui a variedade do stock; esquece a qualidade da «montra» que preserva o freguês.

 

No hoje e no horizonte curto, os que se julgam poderosos balançam em arame feito de esperanças equilibristas. Até um dia.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

publicado por Maria Brojo às 06:40
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De Tumbuctu a 25 de Fevereiro de 2010
De que má imprensa fala a Teresa? Ou só é má quando denuncia as cores que apreciamos?
De António a 26 de Fevereiro de 2010
má imprensa é a capa da Visão de hoje, 25/2/2010

a Visão nem costuma abusar de capas vergonhosas ou de mulheres nuas pois até é uma das revistas menos exploradoras do sensacionalismo a que a má imprensa recorre sem escrúpulos - também, diga-se, por ter clientela à altura, além de clientes que até consideram qualquer sabujice como boa imprensa

mas desta vez, nem a Visão resistiu ao mórbido, usando a exposição de um cadáver para aumentar audiências, vendas e lucros

ora, quer porque os responsáveis (?) da comunicação social perderam as referências ou foram mesmo recrutados por as não terem, quer porque o público e os consumidores se alienam perante o abjecto que se vai tornando normal de tão frequente, certo é que é à luz desta propensão para o escatológico, para a dejecção e sabujice que se tem que interpretar a "normalidade" com que tantos encaram a aberração indecorosa, o mau gotoso ostensivo e a violação repetida de todas as regras deontológicas ou a sua ausência contumaz

independentemente da instrumentalização a que se sujeita, a má imprensa não se enxerga e não tem vergonha nem se dá conta do anedótico ou da evidência dos interesses ocultos que prossegue - basta ver os jornalistas deputados, os comentadores advogados, os analistas candidatos, os colunistas sem qualquer competência ou especialização que lhes justifique o tempo de antena, os directores arregimentados e outros espécimes que fazem sucesso na má imprensa sem mérito, concurso público nem prestação de provas, nomeados por familiaridade, cor partidária ou participação em negócios

mas há pior que a má imprensa - é não querer vê-la ou, pior um pouco, não o saber...

uma tristeza


De Maria Brojo a 26 de Fevereiro de 2010
António - magnífico! Post de amanhã.
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