Terça-feira, 11 de Maio de 2010

BRAÇADA DE CAMPO NA CIDADE

 

Passou com braçada de rosmaninho silvestre. Ela perdurou nele o olhar. Qual o destino dos roxos cheirosos? Lembrou a alfazema colhida na quinta chegado Agosto. O isentar dos cachos floridos de caules e folhas esguias. Depois, enchimento das saquetas de linho bordado com iniciais dos ocupantes de cada quarto. Penduradas nos roupeiros, dentro dos gavetões onde lençóis e fronhas aguardam camas feitas para quem chega. Amores, todos, pelos enleios familiares ou afectos amigos dos amigos e da família que afectos são.

 

Levantou-se do assento. Perseguiu o rumo do aroma. Quis saber. Precisava de saber. A distância prudente, não invadisse ainda mais a privacidade do homem que na cidade passeava rosmaninho, viu-o entrar na agência bancária. A dela, também. Segundos depois, comandou a célula fotoeléctrica pela interposição do corpo entre ondas de luz, abracadabra costumado. Levantou dinheiro que não carecia. E viu _ o homem alquebrado depositou no balcão a braçada de campo na cidade; ofertou-a à funcionária que, presumiu a voyeur, o atendia e acarinhava e bem tratava há muito. Ela, surpresa. Ele, emocionado. Num ramo, ponte-quebra solidão e ternura.

 

Saiu antes dele. Não quis mais ver. Rejeitou, sem culpa, a intrusa _ o acontecido fora parte maior da beleza do dia porque condimento de amor na ráfia presa ao rosmaninho.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 06:43
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