Segunda-feira, 31 de Maio de 2010

A FERRO E ÁGUA E IKA M.

Ian Faulkner

 

“Cartas escritas na minha alma. A ferro e água."

 

“_ (...) homem casado não deveria mesmo ter sexo e não tem para mim. Respeito pelo lar alheio é devido e não de vidro, que se parte. Por ter passado por um casamento pleno de traições em que as mais graves delas nem assentam nessas banalidades das saias alheias, que as houve de todos os géneros e feitios, por estar em pleno divórcio e já feito o devido luto nunca, jamais, me envolveria com alguém com esposa e/ou família (filhos) - questão de princípios, de que não abdico.

A dor que suportei nunca a infligiria a alguém, seria um ultraje ao meu carácter.


Quando um casamento está desfeito, a separação condigna confere liberdade e não é um mero papel ainda por assinar que impede que cada um refaça a sua vida, mesmo antes da oficialização da separação. Mas, convenhamos, ninguém é feliz à custa da destruição de um lar. Ou se o é algo está errado.

Maria L., admiro a sua coragem, mas por que não abandonar um casamento que já se desfez? Para lutar pela felicidade na companhia de quem ama? Os preconceitos não fazem parte do meu reportório simbólico, mas havendo filhos as questões ainda se tornam mais graves, a meu ver. (...) Não entendam o meu comentário como moralismo apócrifo (abomino beatices), até porque estes 2 anos de redescobrimento de mim, do mundo, dos outros, me faz, hoje, relativizar tantos comportamentos dos outros, meus, tantas verdades feitas que fui construindo e que implodiram (ainda bem) no meu trabalho pessoal de regeneração interior e de processamento de informação (...)”

 

Ika M.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 06:26
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19 comentários:
De -pirata-vermelho- a 31 de Maio de 2010
Não li estes textos. Só leio coisas suas...
mas
parece-me que continua a intromissão opinativa num contrato que é entre outros que não os autores.
Um 'homem casado' é outorgante de um contrato conjunto com uma mulher e com exclusão de quaisquer outros ( a paneleiragem não entra nesta figura jurídica ) por conseguinte 'o que é que você tem com isso' ?
De Maria Brojo a 2 de Junho de 2010
Pirata-Vermelho - não tenho nada a ver com o que não vejo ou sei. Mas odeio mentira, que quer? Manias!
De António a 1 de Junho de 2010
e é por essas e por outras que boa parte da nação arenga a mocinha mirandesa e as implostas que deu ao manifesto quando na verdade há por aí muita ocultação desesperada e vinte poemas de desamor

posto o que: pare o frenesim, cesse a hipocrisia, retroceda o puritanismo de (bilhar de) algibeira, e haja compreensão e ternura, já para não falar na verdadeira solução, posta ao serviço do mundo que insiste em n'a desperdiçar: l'amore, o amor criador, o autêntico Amor

e, sem nada contra o sexo, bem pelo contrário (aplaudindo até a noviparadigmática Lei 9/2010, d'ontem mesmo, contra todas as fobias, homofobias e pseudomachofobias) é na disrupção que está a salvação: casados ou não, homens e mulheres estão muito no seu direito à fruição de todas as prodigiosas aspirações, estados de consciência e sonhadoras utopias com que escreve a ilusão, que é real enquanto dura e muito menos perniciosa que a solidão, sobretudo na sua forma, atestada, consolidada e certificada pelas martirizadas epístolas postadas supra, de solidão em exercício na presença ausente de próximos cada vez mais estranhos - em vez de procurarmos e oferecermos alento e acalento junto de quem queremos e nos quer bem

ou seja, no mundo cheio de desavença, desencontro e desentendimento, salve quem trilha a ternura e o amor, por pedregoso que seja o caminho

e lembremos o Poeta (outro invocado dignificador do cérebro) que avisava mais ou menos assim: «não temo as pedras do caminho, colecciono-as, e um dia construirei um castelo!»

;_)))


De Ika M. a 1 de Junho de 2010

Muito obrigada, Teresa :)

Senhores, a minha opinião é pessoal (refere-se à minha postura de vida :), não a imponho aos demais, nem julgo quem detém formas díspares de viver a vida...ainda bem que as tem, só prova o carácter distintivo de cada qual! Dei o meu testemunho e assumi a minha forma de viver, mas múltiplas outras haverá e quem sou eu para as criticar? Tento evoluir como ser humano, tentando enriquecer-me com o contacto com a diferença...mas reconheço que há posturas que julgo nunca assumir como minhas....

E já dizia o provérbio "só quem está no convento é que sabe o que lá vai dentro"...

Reafirmo a minha total rejeição de hipocrisias, sempre perniciosas e fonte de frustrações, pois considero que só com autenticidade consigo ser feliz- Mesmo que isso implique ter de tomar decisões difíceis, que doem, mas nos fazem crescer...hipócrita seria se me tivesse acomodado e tivesse optado por um caminho mais fácil e cómodo...

Se os outros conseguem viver e ser felizes na mentira, melhor para eles...Apenas julgo que a mentira não beneficia alguém que seja...enfim...

Só considero que civismo é respeito pelo próximo, acima de tudo- por que não considerar civismo alguém deter respeito pelo lar (ainda que com base contratual) de outrem? Ou valerá tudo e os meios justificam os fins? Ou lá porque os senhores advogam o amor livre terá de ser hipócrita e frustrado quem age de acordo com a sua consciência e sentimentos?

Eu nunca traí e tenho muito orgulho nisso, apesar de ter sido fiel a um infiel, pois mais do que ser fiel a alguém fui-o aos meus sentimentos e nunca os desvirtuei...Essa é a minha matriz...

Ainda se as pessoas vivessem grandes amores, mas não, a maior parte vive banalidades e destrói fortes laços afectivos pelo culto do vazio...Dá-lhes felicidade? Hum...não me parece...

Um Grande Amor é digno em qualquer circunstância, o contrário aplica-se a qualquer banalidade...
De -pirata-vermelho- a 2 de Junho de 2010
Cara Ika,
sem dúvida; qualquer leal afecto é digno de reconhecimento porém! o aforismo em causa é 'homem casado não tem sexo' e não a questão dos afectos sobre a qual divaga.
De Veneno C. a 1 de Junho de 2010
Pois eu creio que a lei (as leis) tem mesmo a ver com a hipocrisia legalizada.

Não há lei que nos valha em termos de Amor. E o Amor não precisa de leis que o defenda ou condidicione.

O problema (que é hipocrisia) é querer salvar todas as hipóteses de consumismo emocional (hedonista) e depois querer que o legislador acautele todas as ressacas e prepare novas alternativas.

E podemos rebobinar o filme até aos primórdios da Humanidade para concluir que nem o feminismo veio acrescentar valor intrínseco na relação (que se quer)amorosa.
De Maria Brojo a 2 de Junho de 2010
António - já viu o risco de comentar aqui? Arquivo e num belo amanhecer surgem-lhe aqui palavras suas publicadas em contexto outro. Ainda não reclamou _ vou com sorte! A infracção tenta-me, é verdade. Hoje é o segundo texto seu que copio. Sorry!
De Ika M. a 1 de Junho de 2010
Mesmo que essa banalidade esteja lavrada de forma contratual...O que é mais grave- um casamento não é ou pelo menos não deveria ser um mero papel assinado...Mas mesmo que o seja, em qualquer sociedade os sócios afirmam o seu carácter quando respeitam as cláusulas do contrato...Se vêem que não o conseguem fazer desfaçam-no...
De Ika M. a 1 de Junho de 2010
Queiram desculpar-me voltar à carga :) , mas esqueci-me de clarificar um ponto :) nas infidelidades creio ser algo extemporâneo responsabilizar-se a terceira parte- quem deve ser responsabilizado é quem de direito- quem, de facto, não respeitou as tais cláusulas de um contrato que firmou, para manter a linguagem contratual, que não aprecio, pois antes de mais, para mim o Amor jamais será contratualizável, enfim, mas já que num plano mais jurídico e pragmático o é...

E como disse acima, essas traições mundanas até são de somenos, a maior deslealdade que alguém pode cometer com quem diz que ama ou amava é trair a Amizade que julgo estar inerente ao Amor (ao grafado com maiúscula, pelo menos :)
De Maria Brojo a 2 de Junho de 2010
Marta - nem mais!
De António a 2 de Junho de 2010
Ika M. - os depoimentos acima são magníficos - com raízes numa realidade que vai aflorando quando em vez mas que bem sabemos ser frequentemente recalcada, porventura nocivamente - e em boa hora foram eleitos para a primeira página do SPNI, tanto mais que, conforme se reconheceu, tratavam tema diverso do proposto na crónica - "homem casado não tem sexo", referenciando antes (como o guarda redes antes do penalti, eh eh ...) aquela situação em que alguém se inibe em função do estado civil do interlocutor

o tema é relativamente comum na sociedade actual - e provavelmente desde sempre... - em que as relações se sucedem e multiplicam, devido ao primado da liberdade individual e à moderna democratização da busca da felicidade, longe que estamos dos "destinos para a vida" em que os nubentes eram arregimentados em conselho de família e restava apenas a sujeição vitalícia

no tema em apreço, lembro uma entrevista da actriz Ana Bola (talvez não seja o nome verdadeiro, é o que retive dos programas do Herman José vão uma eternidades...) em que relatava a sua determinação de se relacionar amorosamente com o músico Zé Nabo, era ela miúda e ele homem feito e ... casado

este é o ponto: claro que a cada um o seu modo de agir, pensar e, soberanamente, sentir, mas eis o dilema de vida a quem entende que não tem que se resignar e parte para a alegria insuperável de trazer a luz ao fim do túnel, certamente percorrendo terreno complicado e tumultuoso - e vá lá uma alma saber se vale ou não a pena o esforço mas a alternativa de a pessoa se anular, se condicionar e deixar esfumar os sonhos ou mesmo impedir-se de sonhar é, aos olhos da consciência geral actual, um padecimento enfadonho e inglório, provado que está ninguém verdadeiramente beneficiar com o obscurecimento da alegria única da ilusão amorosa

o que daí se constrói ou não, em permanente formigar, é outra história

já quanto à dignidade: sim!

de pouco adianta arrombar portas abertas, a dignidade é exigência de sempre e em qualquer circunstância, aliás também pode ser outro debate, se para isso houver ensejo e ânimo

e quanto aos relatos de vidas desencontradas, amores e desamores, a desilusão está por aí semeada em grande escala, pior que erva daninha, de nada serve alimentá-la

mais do que recalcitrar e exacerbar culpas, próprias ou alheias ou esgravatar alíneas de contratos, cuidado com a esterilidade do exercício, a partir de certo ponto atrasa mais do que adianta, complica mais que simplifica, precisamente quando a hora é de rumar a outras águas, caso em que é importante ver claro, assinalar a marcha porque não viajamos sós no planeta, e evitar turvar a vista com lágrimas sobre o passado

e venha de lá o primeiro passo, que o caminho, invocando o machado poético de mais um António, este galego, faz-se caminhando ;_)))

coragem!


De Veneno C. a 2 de Junho de 2010
Como a minha 'tinta' venenosa não serviria muito para encorajar ninguém (muito menos nas circunstâncias expostas), aproveito para dar música ao texto - que bem a merece! - acrescentando que o Machado do António é castelhano (sevilhano) e fica bem aqui exposto e cantado (http://www.youtube.com/watch?v=CUMrJWvRKn8&feature=player_embedded)

Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace el camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante no hay camino
sino estelas en la mar.


De Maria Brojo a 2 de Junho de 2010
Veneno C. - sugestão recebida com agrado muito. Copiei, «roubona» como sou.
De António a 2 de Junho de 2010
Veneno C. - touchée! obrigado pela atenção, correcção e complementação!!


De Ika M. a 2 de Junho de 2010
Obrigada, António e Veneno C, gostei de os ler, aliás gosto sempre, mesmo que me contrariem- é quando gosto mais, confesso...:)

Mas gostava de esclarecer que eu sempre caminho com um sorriso autêntico nos lábios, apenas relatei momentos já bem passados e digeridos- para fazer o luto tive de os digerir e para os digerir tive de ir buscar os arquivos, para me limpar totalmente, para, um dia, poder abraçar o futuro :) ...A não efectivação desse luto das duas uma : (a) ou enuncia uma total inexistência de sentimentos profundos ou (b) uma fuga para a frente (nunca frutífera, porque implica um eterno transporte do passado connosco :)))

Rancores e despeito não fazem parte da minha natureza, sujam e indignificam, minorizam-nos, encarquilham-nos a pele e a alma :) Amar é libertar :) Amar é desejar o melhor ao outro, mesmo que esse outro nos magoe :) A liberdade interior para mim é vital- fez-me e faz-me sobreviver a tanto- sobretudo nessa faceta- desejar o melhor (adoro, confesso :)!

Mas liberdade, a meu ver, não é libertinagem, é responsabilização individual...Ser feliz...., quem não quer ser feliz? Mas eu, simplesmente, não o posso ser a todo o custo, iria contra a minha natureza e isso seria uma hecatombe :) Até porque acredito que os encontros cruciais das nossas vidas dão-se por acaso fatídico :))) e quem muito procura pouco acha...
Depois de um Grande Amor só um Grande Amor, o resto é mera paisagem :))) Abraços
De Ika M. a 2 de Junho de 2010
Uma chega :) desviei-me do tema "homem casado não tem sexo" ou se o tem é mulher e não sou lésbica :))) não me desviando, pois, no fundo, o que quis realçar: (a) respeitar o lar próprio/alheio é um acto cívico- uma pessoa de carácter quando tem consciência de que o não consegue fazer ou não o assume ou assume a sua natureza e dele abdica, desfazendo o laço que o cauciona, nem que para isso tenha de sofrer horrores; (b) pelo facto de o nosso lar se ter desfeito isso não implica que punhamos a hipótese de o fazermos ao outro (isso sim, isso seria um acto de vingança, mesmo que inconsciente, minorizante...:); e muito menos que andemos por aí numa busca desenfreada para o substituir- daí a importãncia do luto e da digestão...Esta é a minha fórmula, agora, que há muitas outras há e ainda bem- a vitalidade da existência está na disparidade de vivências...
De Ana a 2 de Junho de 2010
Ika, por favor ... deixe o desejo de querer controlar a sua Vida. Vai ver que o melhor "lar" pode estar para lhe acontecer e se ele vier, dê-lhe as boas vindas, se ele for embora, não vá atrás.
De marta a 2 de Junho de 2010
A pena que tenho de só ter chegado hoje
"homem casado não tem sexo", não há inibição como o António diz, é automático, não se pensa é assim mesmo.

e depois existem todos aqueles casados que infelicíssimos com a mulher mas que nunca se querem separar...porque ela coitada....

Estou completamente de acordo com a Ika M, mas tão de tal maneira de acordo
De Maria Brojo a 2 de Junho de 2010
Marta - como acima disse, entendo a Ana Rosa, conquanto a minha posição seja mais radical e coincida com a da Ika M.

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