Quinta-feira, 10 de Junho de 2010

ADEUS BURROS DE MONTADA!

Elvgren e Earl Moran 

 

Tendo por berço a Lisboa republicana, nasceu o Dia de Camões. Na inauguração do Estádio Nacional no Jamor, corria a metade dos anos quarenta e ditava o Estado Novo, Dia de Portugal, de Camões e da Raça. Par de décadas depois, a guerra nas colónias ia matando gentes de cá e de lá obrigadas à bandeira portuguesa até cravos encarnados substituírem balas. Foi-se a Raça do feriado - Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Cavaco Silva recuperou-a ao ser questionado sobre a paragem dos camionistas. Escandalizou porque “terminologia racista e segregadora do Estado Novo”.

 

Existe raça? À época, entendida como “grupo de indivíduos cujas características biológicas são constantes e preservada pela geração: raça branca, amarela, negra, vermelha.” Progredindo a ciência, coube à genética desmentir qualquer tentativa de classificação racial. Mas se a raça for pensada como conjunto de ascendentes e descendentes de uma família, de um povo? Tem cabimento porque vocábulo isento.

 

Atrevo julgar que o dizer presidencial remeteu para o segundo contexto. Não o configuro saudosista dum tempo e saberes ultrapassados. As exaltações bacocas dos ânimos por caso que o não é revelam burras as palas em cada lado dos olhos. Porém, convenho: estando os quadrúpedes da espécie asinina em extinção, é refrescante saber humanos prontos a retomarem-lhes tradições. Irrecuperável a docilidade que na parte de férias, as rurais, me permitiam montar os genuínos e gargalhar.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 10:22
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4 comentários:
De -pirata-vermelho- a 10 de Junho de 2010
O mundo é sem raças mas com diferenças a reconhecer sem mistificação nem a falsa solidário-bondade do costume, não é?

A definição moderna de raça, por favor?
De Maria Brojo a 15 de Junho de 2010
Pirata-Vermelho - caríssimo subversor - assim o gosto, assim o admiro: o meu paupérrimo entendimento está inserido na «croniqueta».
De Ana Rosa a 11 de Junho de 2010
Pois, também subscrevo o uso "inocente" de expressão "dia da raça" por parte do PR. Nesse sentido de comunidade "maior", de cultura e auto-identificação que em muito transcende grupos étnicos.
Mas, de certa forma, compreendo o sobressalto de alguns, já que a palavra "raça" funcionou como um dos ícones essenciais de alguns dos momentos mais tenebrosos da História.
Quanto aos "burricos" propriamente ditos, devo dizer que lastimo imenso o seu quase desaparecimento. Aquele olhar, geralmente, terno, era-me estranhamente repousante. E claro que os associarei sempre a tempos de férias, também.
De Maria Brojo a 15 de Junho de 2010
Ana Rosa - pensar que faço meu. Quanto aos «burricos» e respectivas delícias estamos conversadas.

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