Sábado, 3 de Julho de 2010

FANTASIA AO ESPELHO

 

John-Vistaunet

 

Consideram alguns que sem criação a partir do nada fica anulado o mérito de quem escreve. Traduzo: ficcionar sem qualquer sustento real. Congeminar de raiz personagens e respectivas estórias. Inventar mundos alternativos à feição de Tolkien no “Senhor dos Anéis”. Ou como Rowling no “Harry Potter”. Supõem, julgo, que nestes engenhos, noutros mais recuadas e recentes, a realidade que emoldura o autor não contaminou a obra. Pranto discordância. Mais – não configuro escritor imune às emoções, acontecimentos, pessoas e sentimentos experimentados. Mesmo quando a ficção surge como irrealidade fantástica, as personagens foram retocadas à custa da tia-avó intrometida, do amigo «bom-garfo» ou da porteira com língua viperina.

 

Não sei escrever isenta de elo ao que me constitui. Ao vivido. Ao idealizado. À encenada projecção de dúvidas, gostos e desgostos. O discurso escrito tem ardis e mistérios cativantes - bastas vezes me enrolo no encantamento das palavras e curvo o conteúdo pela fruição de vocábulos súbitos vindos do «antigo». Retomo o curso, é certo, mas o gozo das artimanhas que as letras sugerem é tentador. Não seja retido considerar despiciente a substância dos textos. Nem um pouco! Pura fantasia o que escrevo? Vezes umas, sim, outras não. Sublinho: em qualquer circunstância, a verdade da mulher. Por lealdade/necessidade – sempre a lealdade que amargos de boca traz e devia(?) ter aprendido a rodear –, surgiu esta reflexão.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

Vídeo fabuloso da “Dobra do Grito”

 

publicado por Maria Brojo às 10:54
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22 comentários:
De Veneno C. a 3 de Julho de 2010 às 11:34
Mixórdia - Anda aqui muita coisa reflectida. Os títulos. As intenções são verdades/ficções. As palavras/palavrões e os padrões. Patrões. Vilões. Servilões. Lealdade. Verdade mulher? Cada cabeça/corpo tem a sua/agora. Narcisicamente?

Será? (http://www.youtube.com/watch?v=bk-CihXGNRA)
De Acúçar C. a 3 de Julho de 2010 às 11:42
E qual é o problema? Nem só de escrita se alimenta o ego (http://www.youtube.com/watch?v=--5iE502uao&feature=related) mas de todas as coisas bem que o rodeiam...
De Veneno C. a 3 de Julho de 2010 às 12:39
Amargo de boca - Sócrates leva (-te) à eudaimonia (http://www.youtube.com/watch?v=JPtpK3ecjwU&feature=related)
De Acúçar C. a 3 de Julho de 2010 às 12:56
Bochecho - Sócrates sabia que nada sabia? talvez... (http://www.youtube.com/watch?v=FVZhuZ2pw2Q&feature=related)
De Veneno C. a 3 de Julho de 2010 às 14:24
O boi pelos cornos - Fantasias há muitas... nem sempre despidas (http://www.imotion.com.br/imagens/details.php?image_id=3609)

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(www.chiadoeditora.com)
De Acúçar C. a 3 de Julho de 2010 às 14:28
Pois... essa editora fica na 'minha' rua (http://chiadoeditora.com/index.php?option=com_content&view=article&id=59&Itemid=222)
De Veneno C. a 3 de Julho de 2010 às 15:05
Incurável - «Retomo o curso, é certo, mas o gozo das artimanhas que as letras sugerem é tentador. Não seja retido considerar despiciente a substância dos textos. Nem um pouco! Pura fantasia o que escrevo? Vezes umas, sim, outras não.»

Expõe-me com quem deambulas e a tua idiossincrasia augurarei.
(Diz-me com quem andas e te direi quem és)

Espécime avícola na cavidade metacárpica, supera os congéneres revolteando em duplicado.
(Mais vale um pássaro na mão, que dois a voar)

Ausência de percepção ocular, insensibiliza órgão cardial.
(Olhos que não vêem, coração que não sente)

Equídeo objecto de dádiva, não é passível de observação odontológica.
(A cavalo dado não se olham os dentes)

O globo ocular do proprietário torna obesos os bovinos.
(O olho do amo engorda o gado)

Idêntico ascendente, idêntico descendente.
(Tal pai, tal filho)

Descendente de espécime piscícola sabe locomover-se em líquido inorgânico.
(Filho de peixe sabe nadar)

Pequena leguminosa seca após pequena leguminosa seca atesta a capacidadede ingestão de espécie avícola.
(Grão a grão enche a galinha o papo)

Tem o monarca no baixo ventre
(Tem o rei na barriga)

Quem movimenta os músculos supra faciais mais longe do primeiro,movimenta-os substancialmente em condições excepcionais.
(Quem ri por último ri melhor)

Quem aguarda longamente, atinge o estado de exaustão.
(Quem espera desespera)

NR- a receita é viciante, masturbante e (quase) orgásmica (http://www.youtube.com/watch?v=oY07jWFH4rE);-)
De Maria Brojo a 5 de Julho de 2010 às 10:52
Açúcar e Veneno C. - apostaram na minha rendição pelo vosso bom gosto e escrita pronta? Conseguiram. Aqui me declaro paupérrima nas vossas demonstradas competências.
De -pirata-vermelho- a 3 de Julho de 2010 às 16:15
O problema é, em contrapartida, a pergunta 'qual é o problema', pelo oportunismo dialéctico que denota e pela pseudo irreverência em que se esconde o autor.
De Acúçar C. a 3 de Julho de 2010 às 19:45
Irreverência autêntica qb. Como o sabor. Não tanto como o saber. O esconder é ficcional, regra do jogo.

vamos a isso... (http://www.youtube.com/watch?v=cCfOTHN3Qyc)
De Maria Brojo a 5 de Julho de 2010 às 10:54
Açúcar C. - esta foi a cereja que encima o bolo. Pequena mas suculenta.
De Maria Brojo a 5 de Julho de 2010 às 10:14
Açúcar C. - outra sugestão imperdível. Dela farei coisa outra e a mesma. Obrigada.
De Acúçar C. a 4 de Julho de 2010 às 10:54
Reflexões

1- Traduziu? Nem por isso.
2- Pranta discordância? Traduza.
3- Na irrealidade fantástica, onde cabe a tia-avó, o bom-garfo, a língua viperina? Era o que faltava.
4- Não sabe escever (sem isso) mas diz que ficciona. Mistura? Disfarça? Tira partido? Desabafa? Baralha?
5- Encenada projecção de dúvidas? Traduza.
6- Ardis e mistérios cativantes. Como assim? Só mesmo para enrolar.
7- Curva o conteúdo pela fruição de vocábulos súbitos vindos do «antigo». Freudianos? Bordas? Falo? Ocioso?
8- O gozo... é tentador. Nome? Charada. Autismo.
9- Não seja retido. Traduza.
10- Considerar despiciente. Traduzo: que despreza ou desdenha. Não se ajusta.
11- Devia (?) ter aprendido a rodear. Que 'lealdade' é essa? Traduza.

E bom domingo: divirta-se (http://www.youtube.com/watch?v=igDmOoV5C0M&feature=related) voando... (http://www.youtube.com/watch?v=5ofaoLKPz7c&feature=related)
De Acúçar C. a 5 de Julho de 2010 às 01:20
Reflexo das reflexões

Que acha destes bonecos (http://www.youtube.com/watch?v=E387c5RAhK4&feature=related)?

Serão terrivelmente mais expressivos que as artimanhas das letras?
De Maria Brojo a 5 de Julho de 2010 às 10:38
Açúcar C. - prefiro as palavras, rostos vivos, expressões escritas nas faces e nos gestos.
De Maria Brojo a 5 de Julho de 2010 às 10:35
Açúcar C. -
1 - aceito;
2 - coloco discordância (a razão consta);
3 - Porquê?
4 - do todo mencionado vive a ficção (bem dito!);
5 - encenada porque o resguardo da intimidade me é caro. Véus fascinam-me como alimento do pudor;
6 - na escrita não aprecio o óbvio, antes tenho apreço pelo oculto que dá espaço à reinvenção do leitor;
7 - nada disso! Apenas palavras/memórias que remetem para realidades doridas ou felizes que vivi;
8 - gozo pelo desenho do arranjo ou invenção das palavras;
9 - não seja entendido;
10 - tem razão. Melhor fora ter escrito 'menoridade';
11 - nem sempre a lealdade traz alegria aos outros e ao próprio.

Sugestões que vi e recolhi. Maravilhas. Da primeira andava precisada para um texto já escrito na cabeça.
Obrigada.
De Maria Brojo a 5 de Julho de 2010 às 10:04
Veneno C. - e se em vez de narcisismo o tratado for a necessidade constante de «ver» o mundo, me repensar, averiguar se o trilho íntimo continua por alienar?

Vídeo magnífico! Muito obrigada.
De -pirata-vermelho- a 3 de Julho de 2010 às 16:12
Não é dispiciendo no seu texto o ensaio de lavagem da importância de conteúdos e competências !
Por aquela óptica tudo e nada seriam mais ou menos o mesmo antes ou depois de podrem ser o seu contrário ou vice-versa, mesmo em nome da lealdade que fosse

De Maria Brojo a 5 de Julho de 2010 às 10:11
Pirata-Vermelho - fui espontânea. Como sempre, mal meu. E não, não branqueei a importância dos conteúdos. Se bem ler, encontra. Incompetência minha se além não vou. Mas disto já sabe há muito, mon cher.
De -pirata-vermelho- a 3 de Julho de 2010 às 16:21
des...!

(desculpe)
De yany constantinis a 5 de Julho de 2010 às 17:15
Meus deuses!
Ao ler alguns comentários merecedores de destaque em qualquer tertulia digna de "intelectuais" com o curso superior do 4º ano do ensino básico,questiono-me:Porque escrevem e comentam?
Existe falta de mão de obra na construção civil.
Apelo à vossa inteligencia(!)
Yany
De Maria Brojo a 6 de Julho de 2010 às 12:47
Yany Constantinis - que mau! Jamais destrate os mui queridos comentadores, please.

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