Domingo, 4 de Julho de 2010

DO 'AMARELO DA CARRIS' PARA AS DO 'DUQUE'

William H. Hays, Ron

 

Ao fundo da Luis de Camões, carris encastram o pavimento. Minuto mal passado, e surge o “amarelo da Carris”. Para quem, vergonhosamente, não utiliza os transportes públicos a surpresa: foi-se o vibrar ruidoso do rolamento, a escassez de espaço, o ‘quase varandim’ da saída; idos os ‘bancos dos palermas’.

 

Rente à zona ribeirinha, o eléctrico progride tranquilo. De dentro para fora, a descoberta duma cidade aberta com água cerca. A luz dourada do final de tarde ilumina trajecto e chegada à Praça do Comércio. Neste Terreiro chamado do Paço, o bronze de D. José I empinado na montada ganha cor nova e a História traz à lembrança a subida dos degraus de mármore do Cais das Colunas pelo rebelde Gungunhana a soldo dos ingleses.

Passando pelo Arco da Rua Augusta, volvido de novo o olhar para cima e para o rio, é de ouro, senhores, o arco. A rua fervilha, branda, com gentes fruindo as esplanadas e a calmaria. À direita, no alto, os pinheiros mansos e as muralhas do Castelo de ouro também. Desaparecido o vazio da Baixa aos fins-de-semana, movimentado o Rossio. Subindo as ‘Escadinhas do Duque’, cruzam-se passantes, gargalhadas, línguas de variegadas partes do mundo. É Verão, as pernas libertas caminham nuas. Algumas tomam descanso e janta nas esplanadas no aperto das escadas. Outras continuam o sobe e desce, copo de cerveja na mão, alegria da descoberta nas faces.

 

Já a noite de sábado ganhou ao dia, já o Euphoria satisfez requintadamente a fome com a cozinha marroquina chefiada pela Acinha. No seu francês limpo conversa e despede-se com simpatia dos que entraram fregueses e saíram conhecidos próximos. Do Largo da Trindade em diante, a descida pela do Alecrim. Antes, um Camões tão repleto de vidas como todo o baixio pombalino. Depois, é a noite de sobra que embala quem escolheu a cidade para vaguear com destino.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 13:07
link do post | favorito
De yany constantinis a 5 de Julho de 2010 às 16:44
Desafortunadamente usufruo de uma doença incurável designada por comodismus-autobilis- ticus.Que me seja perdoado o latim barbérrimo . Quando li este artigo senti mágoa de ter esquecido Lisboa.
Existe uma cidade muito para além da linha de Cascais.
Eu quero voltar a conhecer-te Olissipo!
Yany
De Veneno C. a 5 de Julho de 2010 às 22:57
Esculápio - Comecemos pelos princípios:

«O mais famoso lisboeta romano seria Sertório que se revoltou contra Roma com o apoio das tribos lusitanas. A cidade era já então das maiores e mais importantes da Península Ibérica, possuindo inclusivamente insulas ou prédios de vários andares e certamente um grande Fórum. Uma grande minoria grega, incluindo escravos e mercadores, coexistia com a maioria de língua latina. Olisipo estava ligada por estradas às outras duas grandes cidades do Ocidente da Hispânia, Bracara Augusta (Braga) e Emerita Augusta (Mérida).

As declinações difíceis do Latim levavam a que em latim vulgar fosse comumente chamada Olisipona, que se viria a tornar o nome oficial com o declínio das letras e artes após o século II. Os romanos deixaram na cidade um Teatro do tempo de Augusto; as Termas dos Cássios na travessa do Almada; Galerias Romanas da Rua da Prata; os Templos de Júpiter, Concórdia, Lívia, Diana, Minerva, Cíbele, Tétis e Idae Phrygiae e ainda templos aos Imperadores; um cemitério debaixo da Praça da Figueira e outros edificios na área que hoje corresponde à colina do Castelo e Baixa. Muitas dessas ruínas foram descobertas no século XVIII, quando as escavações de Pompeia geraram uma moda entre as aristocracias europeias pela arqueologia do período romano.

No tempo dos Romanos, a cidade era famosa pelo garum, um molho de luxo feito à base de peixe, exportado em ânforas para Roma e para todo o Império, assim como algum vinho, sal e cavalos da região. Alguns dos deuses nativos venerados em Olissipo eram Aracus, Carneus, Bandiarbariaicus e Coniumbricenses.

Entre os deuses introduzidos pelos romanos , destaca-se o culto ao deus da Medicina, Esculápio e ainda ao deus lagarto e das cobras.

Olisipo foi saqueada várias vezes durante e após a queda do Império Romano, pelos Godos, Vândalos e Alanos, sendo finalmente conquistada pelos Suevos e depois pelos Visigodos. Na alta Idade Média não passava de uma pequena vila.»

Faça-se a vossa (divina?) vontade

De Maria Brojo a 7 de Julho de 2010 às 17:55
Veneno C. - só de si caríssimo! ;)
Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

Recomendo:

Exposição de Artes Plásticas - Conceito

Page copy protected against web site content infringement by Copyscape

últ. comentários

Lembrai os filhos do FUHRER, QUE NASCIAM NOS COLEG...
Esta narrativa, de contornos reais ou ficionais, t...
Olá!Como vai?Já passaram uns meses... sem saber de...
continuo a espera de voltar a ler-te
decidi ontem voltar a ser blogger, decidi voltar a...
Autor que não foi possível identificar: Andrew Atr...
De férias , para sempre. Fechou a loja... :-(
Curta as férias querida...Beijos
ABANDONODAVID MOURÃO FERREIRAPor teu livre pensame...
Ainda?Isso aí no Inverno é gelado ;-)

Julho 2015

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

pesquisa

links

arquivos

tags

todas as tags

subscrever feeds