Terça-feira, 13 de Julho de 2010

COM QUATRO PATAS E SEM

Jan Boallert, Kim Parkhurst

 

Importada como é fatal. Atenção ao conhecido, moda, condescendência empresarial que da benesse retira proveito dobrado? No imediato, está garantida publicidade gratuita da Nestlé Portuguesa.

 

Ali p’rós lados de Linda-a-Velha, foi autorizado aos funcionários levarem animais de estimação para o local de trabalho. Dos cães e gatos, houve notícia, da passarada, coelhos e répteis, nada foi dito. Presumo ter sido oferecida jornada rente aos donos somente aos felinos e canídeos. Dias alternados para uns e outros, não surjam rixas sérias que esgadanhem os serviços.

 

Enquanto nos States vai sendo comum pasta numa mão e trela na outra a caminho do emprego, por cá é novidade. Razões alegadas: diminui a ansiedade dos donos, satisfeitos trabalham melhor, facilitado o relacionamento laboral. E vêm à boca de cena dois queridos primos no encanto beneficiados pela fortuna que, malgré tout, levavam à praia dote extra: o cão amoroso, bem tratado, apetecível. Num ápice, asseguro, o bicho aumentava a corte de amigas e conhecidas. Vez só, ganho para todos: o bicho sem razão e eles com ela e elas. Antecipado vinte anos o que os «psis» reconheceriam.

 

Se um animal de estimação pode constituir novo elemento agregador da família quando partilhada a responsabilidade que acarreta, não raro gera quezílias: _ “hoje, não limpaste, não o passeaste, não compraste a paparoca”. Como bicho de companhia é inegável o merecimento pela alegria, por compensar falta de doçuras afectivas e apaziguar solidões. Problemático é o dono considerá-lo amigo único e isolar-se em cada rotação mais um pouco. Desabafar com ele e ser incapaz de procedimento semelhante com um humano.

 

Será que logo à noite, no hipódromo de Cascais, afectos com quatro patas serão espectadores autorizados da Norah Jones?

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 07:39
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2 comentários:
De jotaeme a 13 de Julho de 2010 às 13:20
Olá Teresa! Tb. acho que esta é uma moda que não vai "pegar"! Não estou a ver as razões(fundadas) de incentivo ao trabalho e melhor produtividade! Há empresas que o fazem por mais um meio de "marketing", e normalmente quando têm o mercado dos seus produtos garantido nas Vendas, muitas das vezes em situações de Monopólio!
As razões que levam a este tipo de "entretenimento", justifica plenamente a tua questão final: Será que a Norah Jones gostaria de estara cantar e em paralelo, ouvir una latidos ou uivos a fazerem coro? Eu penso que não! Já para não falar nas luvas especiais que os donos dos "dogs" teriam que ter sempre por perto! Naaa, não funciona!
Uma lembrança a essas empresas de sucesso: Porque não baixarem os seus preços nos produtos que vendem com tanto sucesso e mais valias?
Um bom dia para a minha Amiga!
Jorge madureira, PS: O café continua á espera...
De Maria Brojo a 14 de Julho de 2010 às 21:37
Jorge - não estiveram lá, juro! De eleição como o esperado e um arrepio na «espinha» daqueles pela voz da senhora. Magnífica!

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