Domingo, 22 de Agosto de 2010

Al BER TOMAR TINSDI-AS

Margaret Thorvat

 

Agrupar. Das miudezas fazer maior. Concentrar. Poupar recursos humanos e equipamentos. Gastar em transportes. Inserir no anonimato quem estava habituado a ser rosto conhecido dentro e fora. Os vastos agrupamentos escolares já implantados ou ‘em vias de’, numa primeira abordagem, parecerem adequados a pôr cobro à triste realidade dos primeiros anos do ensino básico nas zonas mais carenciadas. Porém, dúvida metódica se interpõe - estratégia copiada do exterior, validada por investigações e resultados, adaptada a quem somos e ao que temos, ou motivada pelo nacional ‘desenrasca’ sendo necessário reduzir custos sob aparência de tentadora maçã suculenta e lustrosa?

 

«Lapalassiano» é repetir não servirem escolas que misturam escassos alunos de quatro ciclos diferentes atendidos por um só professor, com tecnologias limitadas a Magalhães, deficientemente providas doutros recursos indispensáveis. Os incensados agrupamentos servirão melhor uma política séria na Educação traduzida em resultados genuinamente satisfatórios e não fruto de malabarismos numéricos? Fontes de poupança no imediato, posteriormente despesistas?

 

No Reino Unido, nos Estados Unidos, o anonimato inerente a escolas de grande dimensão não beneficiou os alunos. Nesses países, os dados provaram maior insucesso escolar. Nos estabelecimentos com mais de 900 alunos “a função dos docentes passou frequentemente a ser mais a de "apagar fogos" do que a de ensinar, os alunos tendem a sentir-se menos motivados e os professores menos felizes com o ambiente vivido”. No horizonte, portanto, despesa acrescida pelas retenções. Por tudo, naqueles países é aposta escolas mais pequenas, melhor qualificadas e com maior autonomia, implementação de novos currículos, fixação de um corpo docente mais qualificado.

 

Inovar em Educação não tem sido característica nossa, também por incapacidade de elaborar programa bem estruturado e agregador das sensibilidades políticas. A volatilidade dos sucessivos ministros não ajuda por associar causa e consequência. Por outro lado a multiculturalidade presente nas escolas exige resposta a preceito. Não sendo o caso, repetem-se situações destas:

“ _ a professora, faz a chamada.

_ Mustafá El-Ekhseri.

_  Presente!
_ Obamba Moluni.

_ Presente!
_ Achmed El-Cabul.

_ Presente!
_ Evo Menchú.

_ Presente!
_ Yao Ming Chao.

_  Presente!
_ Al Ber Tomar Tinsdi-As.

Ninguém responde. Repete a professora:
_ Al Ber Tomar Tinsdi-As.

Ninguém responde. Pela última vez:

_ Al Ber Tomar Tinsdi-As.

Levanta-se um miúdo.

_ Devo ser eu professora, mas pronuncia-se Alberto Martins Dias.”

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 10:40
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De António a 22 de Agosto de 2010
portuguêsmente, atrevo-me a um 'não é bem assim'

à sombra - as escolas de meia dúzia de alunos não tem paralelo no exterior (países de desenvolvimento e, sobretudo, aspiração, comparável) desde logo pela realidade da agregação demográfica - basta olhar para Espanha, mas também nos citados RU e EUA, e não se encontra a dispersão de povoados microscópicos que nos enxameia o território

por norma, a maior dimensão das urbes - as pequenas, claro, as gigantescas com populações maiores que a totalidade dos portugueses não ajudam nesta (incipientíssima) análise - tem efeitos imediatos de redução de custos, pela escala e potencial de gestão, quer em termos unitários, quer a nível global, resultando optimizada a intervenção em muitos sectores económicos (basta o mercado, não é?) e sociais, educação inclusive

desta base elementar é forçoso extrair-se consequências - e pugnar pela mudança, como o tentaram Guterres e tantos outros governos, com Sócrates finalmente a ter a coragem suplementar de enfrentar as irracionalidades corporativas e político-partidárias, arriscando confrontar tudo e todos para conseguir ganhos grão a grão... - no sentido da optimização de meios, da racionalidade económica, do bom senso, afinal

ao sol - por outro lado, todos aceitamos que não pode haver um hospital ou uma universidade em cada aldeia, por evidentes razões de economia e princípios mínimos de adequação da gestão de recursos - mas há que reconhecer, para além e abstraindo dos óbvios aspectos económicos, que certamente a assistência hospitalar ou a capacidade de investigação científica seriam naturalmente atrofiadas e atrofiadoras: como assegurar a partilha e o espírito competitivo necessários à progressão individual? como constituir equipas? como trabalhar em grupos multidisciplinares?

a pesquisa e o ensino de alto nível realizam-se hoje em escolas resultantes de agrupamentos de universidades, instituições e empresas, crescentemente mesmo a nível internacional

ora, no ensino não superior, à respectiva escala, aplicam-se exactamente os mesmos princípios

claro que um aluno sozinho com uma professora numa escola de aldeia pode vir a ser um génio; tal pode suceder, aliás, mesmo sem professora nem escola de aldeia - mas não pode aplicar-se o raciocínio ao universo estudantil do País, como de nenhum país

e o ensino já não é, universalmente, concebido como sabatina professoral de manhã e de tarde, bem sabemos que é necessário um conjunto de equipamentos e materiais que só escolas melhores preparadas e planeadas podem proporcionar - cantinas, piscinas, ginásios, bibliotecas, centros de recursos, meios de experimentação e pesquisa, e muitos eteceteras

de novo à sombra, mas perto da água - é ainda fundamental um ambiente pedagógico e social (incluindo o simples convívio e inter-relacionamento, multiculturalidade incluída) que propicie o desenvolvimento de capacidades muito para além da mera aprendizagem das matérias lectivas, impossível de obter no contexto ensimesmado das micro-escolas de dúzia e meia de alunos - que, de qualquer modo, não dispensaria outros tantos docentes, pelo menos!

pelo que, salvo melhor opinião, não há volta a dar: há que mudar!!!




ps - seguido de mais sol e splaaaaaaaaaash, eh eh ...
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