Elvgren
“Is túisce deoch ná scéal”. “A drink precedes a story”. "Um copo precede um conto". Ignoro se Michael O'Leary da Ryanair teria emborcado algum antes de afirmar: _ "A sério que só é preciso um piloto. Vamos retirar o segundo. Se o piloto tiver alguma emergência, toca o alarme para chamar a hospedeira e ela pode aterrar o avião."
Certamente desentendi a proposta, pois a magna criatura da companhia aérea tem na mente substituir o já diminuto número das hospedeiras por máquinas que, a troco de moedas, debitem bolos, sandes e bebidas. Bens com custo proibitivo, que seja levada marmita caseira, taxas de bagagem elevadas, compensariam o low-price do bilhete. Junta a esta hipótese, outras: suprimir dois dos três toilettes e a cobrança de um euro em viagens curtas – o passageiro que se avie em terra – para o ‘abre-te sésamo’ da casinha. Quem tiver bexiga frágil melhor será usar fralda continente.
Rentabilizar espaço é fundamental numa companhia low-cost. 50cm são ouro: neles cabe um traseiro assentado, salvo se volumoso. Neste caso, com toda a probabilidade surgirá tarifa dispendiosa por excesso de massa corporal. Para no mesmo alinhamento de cadeiras caber igual número de passageiros, cada um será pesado no aeroporto. Um gordo, obriga a anorécticos ou a anões por companheiros de lugar. Há ainda que reconhecer a inovadora contribuição da companhia ao combater a obesidade e o vício de comiscar amendoins ou bolaria durante os voos. Não fora a Irlanda ter sido berço de Oscar Wilde, Yeats, Joyce e outros, jamais pelo meu esófago voltaria a escorrer um irish coffee.
É dito que o patrão da Ryanair tem um sonho: voar «à borla». Pois considero ter mais: mundo de magros com bexigas e saúde de ferro.
CAFÉ DA MANHÃ
Adoçantes
Peregrinando
Brasileiros